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Comissões de Risco

 
PONTO PRÉVIO: com o novo modelo de protecção de crianças e jovens em risco, em vigor desde Janeiro de 2001, que apela à participação activa da comunidade, numa relação de parceria, com o Estado, concretizada nas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), creio que se desbravaram novos e decisivos caminhos capazes de viabilizar uma articulação integrada em ordem a promover-se, por meio de uma genuína rede social, os direitos da Criança e do Jovem e a prevenir-se (ou erradicando) situações susceptíveis de afectar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento idealmente pleno, integral e harmonioso. No momento, as CPCJ’s, salvo excepções muito pontuais, estarão globalmente preparadas para tão nobre mandato, de inquestionável interesse público. No mais, acredito firmemente no desempenho Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco, presidida pelo Juiz Conselheiro Dr. Armando Leandro.
Cumulativamente e em jeito de esclarecimento do prezado visitante, considera-se, nos termos da legislação aplicável, que a Criança ou o Jovem está em perigo quando, designadamente, se encontra numa das seguintes situações: está abandonada ou vive entregue a si própria; sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais; não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e situação pessoal; é obrigada a actividade ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento; está sujeita, de forma directa ou indirecta, a comportamentos que afectem gravemente a sua segurança ou o seu equilíbrio emocional; assume comportamentos ou se entrega a actividades ou consumos que afectem gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento sem que os pais, o representante legal ou quem tenha a guarda de factos lhes oponham de modo adequado a sanar essa situação.
Em consequência, caberá a toda a sociedade não demitir-se dos seus deveres cívicos e morais. A Escola, os professores, os médicos, os vizinhos, o comerciante, o carteiro, enfim, em cada um de nós deve residir o imperativo maior de sermos parte integrante da tal rede social que vele e zele pelos mais desvalidos, que às vezes nem saberão verbalizar o inferno em que se terá tornado as suas existências.
Mau grado a confiança por mim inicialmente expendida, poderão existir sinais ou indícios de situações porventura anómalas. A verificarem-se, exigirão a competente intervenção correctiva. Localidades há em que muitos dos menores encaminhados para a alçada das CPCJ’s resultam de indicações de Equipas Multidisciplinares, sediadas, por norma, em Centros de Saúde, compostas por diversos especialistas. Ora ocorre que poderá suceder que nestas equipas existam profissionais que, sendo gerentes (mesmo que recorrendo ao nome do marido, da mulher…) ou assalariados de empresas privadas vocacionadas para a terapia de crianças com dificuldade(s), angariem ou encaminhem os menores para os vulgarmente designados “centros de desenvolvimento”.
Como a tramitação processual poderá prestar-se a certas promiscuidades, estas empresas têm lideranças que se poderão fazer sentir, ou até mesmo representar, em algumas CPCJ’s. Aliás, importa fazer notar que as crianças e as famílias das crianças que careçam de terapia recebem ajudas financeiras do Estado. Umas sob a formas de um reforçado abono mensal, outras para pagamento das terapias de que as crianças tenham necessidade. Numa visão grosseiramente simplista, todos sairão a ganhar: os pais, as crianças, os terapeutas e, claro está, as empresas.
O problema poderá acontecer quando se verificarem situações de risco para a Criança ou para o Jovem. Isto é: se nas CPCJ´s estão representados interesses laterais, exteriores ao mandato público que lhes foi confiado, que parecem sobrevalorizar motivações comerciais de empresas legitimamente constituídas, com que autoridade e eficácia poderão analisar, avaliar e implementar as suas intervenções? No limite, poderão ver-se constrangidos a instruir processos visando famílias que serão, em outro âmbito, suas clientes na empresa “x” ou “y”…
Nesta situação eventual, as Comissões poderão estar a desonrar, de forma assassina, os superiores interesses dos mais desprotegidos, pervertendo miseravelmente o que a colectividade espera delas. Caberá ao Ministério Público averiguar e a cada um de nós denunciar. As CPCJ’s, para cumprirem integralmente o seu papel, não poderão nunca ser permeáveis a conflitos de interesses que abalem, tão criminosamente, a sua missão.

José Manuel Alho

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   Ser gente ao luar
 
 
 
Xavier Junqueira tem agora 35 anos. Prostrado no lancil de uma concorrida calçada, cravada numa cidade inundada de vultos inquietos, lembra o quarto que mantinha, com exemplar brio, quando os 14 anos de idade ainda lhe permitiam ter o peluche oferecido pela madrinha. Viaja no tempo. Recorda os persistentes mas agora tontos conselhos do mãe: ”não fales com pessoas que bebem ou fumem! Essa gente só traz desgraças...”
Rumo ao passado, os seus olhos ganham um brilho menineiro quando é tocado pelo cheiro da escola. Foi desde cedo acompanhado por um frustrado explicador, que à noitinha o ajudava a perceber o emaranhado de frases e gravuras esguichados pelos livros. Lembra, com nostalgia, a pasteleira (vulgo bicicleta) deixada pelo avô paterno em que se fazia transportar para, fizesse chuva ou sol, chegar à casa do senhor Afonso, o “descodificador de livros”.
Mais tarde, e porque os pais tinham horários desencontrados na fábrica, o imperturbável explicador decidiu, num rasgo de imprevista humanidade, permitir que Xavier almoçasse em sua casa para, “ao menos, garantir ao miúdo uma refeição quente”. Apesar de agradecidos, os pais nunca souberam da mágoa infligida ao seu filho sob a forma de humilhação diária: a sisuda família de acolhimento almoçava na sala enquanto Xavier comia, sozinho, na cozinha. Se precisasse de um guardanapo de papel ou de mais um copinho de água, tinha de berrar, em jeito de rogo desesperado, por uma sempre tardia atenção.
Porque não chegou a ter notas suficientemente altas, o clã Junqueira não enjeitou o ensejo de lhe impor o jugo da frustração. Não seria com ele que passariam a ter finalmente “um doutor na família”. Supremo desgosto! Fizeram-no sentir a mais. Foi tratado como um pária, “uma lesma sem futuro”- diziam. Não resistiu. Cedeu a um desgosto que não chegou a ser realmente seu mas que o esgaçou sem apelo nem agravo.
Entregue à rua, as suas prioridades passam hoje por descobrir bons nacos de papelão, aceder ao chocolate quente dos voluntários da urbe ou “herdar” roçados cobertores que já cobriram camas feitas de memória curta. Nos bancos dos jardins, forrados com folhas secas, também elas perdidas e caídas, encontra o aconchego que logra igualmente alcançar perto dos átrios dos grandes prédios ou de hospitais indiferentes.
Afastado pelos olhares acelerados dos que têm medo de se reverem no infortúnio dos outros - não vá ser contagioso... - aprecia o ocaso da claridade. Caiu a noite e pela cidade ressoa uma desgarrada sinfonia de sirenes onde só ouvidos experimentados destrinçam as ambulância das viaturas policiais. De cigarro na mão esquerda, preso entre dois dedos amarelecidos com unhas encardidas pelo tabaco, sobressaem exóticas pulseiras que vem acumulando neste degredo sem carcereiro visível. Na face, a pela esticada realça um rosto encovado pelas recentes e picadas agruras. Trémulo, inibe-se de mostrar uma dentição feita de espaços e de um consentido musgo entranhado até ao tutano das gengivas.
Agora vai ter a sorte de dormir. O sono é um analgésico barato mas ainda assim eficaz. Acaba de passar uma daquelas ambulâncias amarelas que habitualmente testemunham os derradeiros suspiros de outros congéneres. Regressou um estranho mas compreensível silêncio. Afinal, os monstros de betão também adormecem.
Ao luar, Xavier experimenta o privilégio de sonhar. Sonhar faz-nos sentir gente, gente que sente. Apesar da fragilidade do papelão que o ampara, ironicamente inscrita por uma qualquer marca de frigoríficos, o malogrado ex-futuro doutor recusa hipotecar a direito de se sentir gente como... nós.
José Manuel Alho
 
 

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Avaliação dos professores muito contestada

por José Manuel Alho, em 23.10.08

 

Dezenas de escolas pedem

suspensão do processo de avaliação

 O Ministério da Educação vai receber pelo menos 20 pedidos de suspensão do processo de avaliação de professores. É o resultado das moções e abaixo-assinados que muitas escolas já aprovaram e enviaram para o gabinete de Maria de Lurdes Rodrigues. 
Pedindo uma redefinição do modelo adoptado, João Dias da Silva, da FNE (Federação Nacional de Educação) acredita que os 20 pedidos de suspensão do processo de avaliação de professores é um número que ainda vai aumentar pelas escolas um pouco por todo o país.
A FENPROF tem também a informação de que pelo menos três dezenas de escolas já solicitaram a suspensão do processo de avaliação de professores.
«Há muitas escolas que sem terem aprovado a moção em reunião de escola ou nos órgãos próprios decidiram neste momento manter parado todo o processo e portanto o número de escolas que já avançou com o processo de avaliação é reduzido», salienta.
Os sindicatos de professores dizem que não estão contra o processo de avaliação, mas criticam o modelo, na medida em que o consideram demasiado burocrático.
Os dirigentes sindicais queixam-se da incompatibilidade entre as exigências requeridas e as funções que têm de cumprir nas escolas.
Ministra diz que avaliação de professores é para avançar
 A ministra da Educação entende que a lei relativa à avaliação dos professores é para avançar, apesqar de alguns protestos contra o processo. Maria de Lurdes Rodrigues destacou ainda o facto de muitas escolas estarem a avaliar normalmente os docentes.
A ministra da Educação frisou, esta quinta-feira, que a lei relativa à avaliação dos professores é para cumprir, isto apesar da existência de 20 pedidos de suspensão deste processo.
Perante esta situação, Maria de Lurdes Rodrigues destacou o facto de «milhares, milhares de escolas e a grande, grande maioria» dos estabelecimentos escolares não ter protestado contra esta avaliação.
«É importante sublinhar que milhares de professores foram já avaliados no ano lectivo que terminou. Hoje podemos saber que há centenas, cerca de sete por cento de professores que foram classificados com muito bom e excelente», acrescentou.
A titular da pasta da Educação assinalou que este facto é uma «novidade que não existia que não existia no Sistema Educativo com este reconhecimento» e notou o «esforço das escolas que fazem» esta avaliação.
«O que muda o mundo, o que faz girar a roda são os que fazem, não os que ficam parados. Os que ficam parados, ficam mesmo parados. Com certeza que a lei é para cumprir», adiantou.
Fonte:http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1033022
 
 

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Traçado proposto para o

IC2 /A32 gera polémica

Até 10 de Novembro próximo, está em fase de discussão pública o traçado para a estrada IC2 – Coimbra/Oliveira de Azeméis (A32/IC2), na zona de do Sobreiro.
Chegou até nós a notícia de um movimento de cidadãos residente no Sobreiro que tenta a todo o custo reunir o maior número de reclamações a fim de chumbar uma das alternativas propostas. O grupo de residentes já distribuiu panfletos explicando a situação e até motiva os descontentes a reduzirem a escrito uma reclamação, cuja minuta disponibilizam, endereçada à Agência Portuguesa do Ambiente, sediada na Amadora, cuja cópia recomendam enviar também à Câmara Municipal.
Argumentam que a concretização daquela opção em particular aumentará exponencialmente “a poluição atmosférica e sonora”, além de um “impacto visual negativo.” Mas é a “desvalorização das casas e dos terrenos” que preocupará grandemente os moradores, lembrando energicamente “isto é uma zona de habitação!”
Complementarmente, sugerem à população em geral a consulta da proposta completa do traçado na internet, disponível em http://aiacirca.apambiente.pt, mormente a secção do traçado que passa no Sobreiro – IC2 – Trecho 3 – na zona 34+5 a 35+5.
No essencial, aqueles cidadãos lembram que “a zona de Albergaria-a-Velha já é demasiado penalizada com auto-estradas: a A1, a A25, o actual IC2, a nova A29 já em construção, e o TGV previsto em S. Marcos/Fontão”, indagando “para que é que são necessárias três auto-estradas quase a par – A1, A29 e agora o IC2/A32 ?”, registando que “em alguns locais passam a poucas centenas de metros umas das outras!”
Depois de termos igualmente consultado o Estudo de Impacte Ambiental, em particular na “Fase de Estudo Prévio – Resumo Não Prévio”, elaborado pela Estradas de Portugal SA, ressalta, na página 23, e quando ponderada a Alternativa 5A, um parágrafo que será um misto de conclusão e de justificação, quando sobre a »Solução 1 entre o Km 34 e o Km 35, no atravessamento da EN 16 entre Albergaria e o Sobreiro no concelho de Albergaria – A – Velha, verificou-se ser muito difícil passar com o traçado sem provocar demolições. Assim, procurou-se o local com menor ocupação para a passagem do IC2. Mesmo assim, implicava ainda a demolição de algumas habitações. No entanto, no final do estudo verificou-se que no local proposto para a passagem tinha sido construído um condomínio de apartamentos, chamado Vilas Nazaré. Esta situação implicou que se tentasse desviar um pouco o traçado, e modo a evitar estas demolições.»
 Ainda assim, as preocupações mantêm-se, feitas de receio e apreensão. A ver vamos que desfecho terá o caso.
José Manuel Alho

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Senhora do Socorro finalmente na agenda?

por José Manuel Alho, em 19.10.08

Junta de Freguesia dispõe-se a fazer o que à Câmara não lembra!

  • Executivo de José Manuel Torres e Menezes deliberou também contactar a Fábrica da Igreja Paroquial de Albergaria a fim de se disponibilizar a contribuir para a dinamização e enriquecimento daquela importante sala de visitas albergariense.
Tendo em vista a concepção, pela edilidade, do Plano de Actividades e Orçamento de 2009, a Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha decidiu propor à Câmara Municipal duas obras que considerará, no momento, essenciais: tapete asfáltico na Rua das Urgueiras – ainda que pendente da resolução de um impasse com as Estradas de Portugal – e a edificação de infra-estruturas para o escoamento de águas pluviais e a aplicação de tapete asfáltico na Rua da Nossa Senhora do Socorro.
Para os que têm defendido a recuperação, a valorização e a optimização generalizadas do “Bico do Monte”, esta manifestação de intenções não deixa de ser uma boa notícia. Pena é que não pareça vislumbrar-se na edilidade presidida por João Agostinho igual capacidade de iniciativa pelo que se aguarda, com natural expectativa, que resposta dará a Câmara Municipal a estas propostas.

Contudo, parece persistir a ausência de um genuíno pensamento estratégico para a Senhora do Socorro quer na edilidade, quer na Junta de Freguesia. A necessidade do tapete asfáltico é óbvia, mas importaria optimizar esta oportunidade para, como já há muito sinalizámos, instalar pontos de água naquela mesma rua para os viandantes; bancos para retemperar forças aos muitos peregrinos que ali passam rumo à Capela; construção de ciclovias; instalação de sinalização vertical que discipline a velocidade automóvel e o reforço do policiamento, mormente à noite. Exista vontade e mérito para ponderar os investimentos de uma forma deliberadamente integrada.

No mais, um rasgado elogio ao executivo liderado por José Manuel Torres e Menezes que, face ao aparente marasmo que envolverá o “Bico do Monte”, deliberou também contactar a Fábrica da Igreja Paroquial de Albergaria a fim de se disponibilizar a contribuir para a dinamização e enriquecimento daquela importante sala de visitas albergariense, num movimento que se deseja abrangente, envolvendo outras forças vivas da terra.
Haja alguém que pense Albergaria!!

Por fim, referência para os apoios económicos dispensados a algumas colectividades concelhias recentemente divulgados, que serviram para atestar (uma vez mais) que o Grupo Folclórico Cultural e Recreativo de Albergaria - a par de outras agremiações - tem sido o “bombo da festa” nesta questão de atribuição de subsídios, não vendo reconhecido o seu papel em prol da divulgação da cultura e etnografia albergarienses.

José Manuel Alho

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BOMBA no alinhamento das autárquicas em Albergaria

por José Manuel Alho, em 13.10.08

 Agostinho pode

estar de saída

 
Quando tudo apontava, numa lógica de previsível continuidade, para a última recandidatura a novo mandato, João Agostinho Pereira, o actual presidente da edilidade, apresta-se para antecipar-se à estrutura concelhia do seu partido fazendo prevalecer a sua vontade em detrimento do plano estratégico do PSD/Albergaria. Isto é, o edil está seriamente tentado a dar por concluída a sua passagem pela Câmara Municipal de Albergaria.
Em rigor, João Agostinho Pereira, pressentiNdo que o apoio em seu redor terá deixado de ser tão abrangente quanto o verificado, por exemplo, aquando da sua primeira corrida eleitoral, aliado a um desgaste político inesperadamente acelerado – em particular na sede do Concelho – não quer sujeitar-se a um cenário porventura fragilizante, que não dominará em todas as suas cambiantes. Nas últimas semanas, fomos cruzando informação oriunda de personalidades históricas do PSD albergariense que são unânimes em considerar algum mal-estar causado pela acção política de Agostinho no actual mandato, que terá – no entender daqueles – menosprezado investimentos e projectos para a freguesia de Albergaria, apostando excessivamente na discriminação positiva de algumas freguesias, a que se juntará uma inusitada hostilização de alguns sectores da vida cultural e associativa albergariense. Por tudo isto, há no PSD local quem conclua pelo “esgotamento político” do autarca que também já presidiu à Junta de Freguesia de Alquerubim.
Ao que parece, são igualmente longínquos os tempos de intensa cumplicidade entre João Agostinho e Torres e Menezes, o popular presidente da Junta de Freguesia de Albergaria. Progressivamente agastado com algumas opções e decisões do seu par político, Menezes tem sido discreto no ainda assim indisfarçável distanciamento à acção política do edil. Curiosa é a definição convergente de como algumas fontes próximas de ambos os lados definirão o actual estado das relações entre aqueles dois presidentes:”institucionalmente cordial”.
No mais, Agostinho enfrentará um clima de guerrilha surda na esfera do seu gabinete, numa atmosfera de paz tensa onde coexistirão temperamentos difíceis de compatibilizar, mormente em algumas valências dos serviços sociais. Este ambiente tem feito as suas mossas e apesar de não “matar”, terá vindo a moer e a corroer politicamente aquele edil, para quem algumas dos conflitos intestinos que se terão sucedido nos últimos tempos terão ajudado a esgotar a sua paciência para o que considerará de “estupidamente acessório”.
 
Licínio Pimenta pode ser a alternativa
Se bem que a provável nega de Agostinho a novo mandato não signifique necessariamente o abandono da vida política, há considerável tempo que se vem especulando sobre quem sucederá ao actual autarca. Flausino José da Silva poderia ser sempre uma solução viável mas o próprio não se sentirá especialmente motivado para novas empreitadas eleitorais. Laerte Macedo Pinto, que viu e viveu muito na Câmara, auto-exluir-se-á amavelmente de “maiores incómodos”. Torres e Menezes não quer “dar o salto”. Sobrará José Licínio Pimenta a quem tudo tem corrido bem na sua jovem carreira política. Visto como uma alternativa consistente – por ser jovem, por ter uma visão cosmopolita das coisas e por ser natural da sede do Concelho – Pimenta encaixaria que nem uma luva nas brechas entretanto abertas por João Agostinho, atestando a capacidade do PSD/Albergaria para se reconciliar com parte do seu eleitorado. Sabemos que o próprio é conhecedor desta possibilidade e que depois de confrontado com este cenário, resguardou-se prudentemente num silêncio interessado até porque não quererá entretanto ser acusado de deslealdade para com o actual presidente, afastando-se assim de qualquer mácula que possa afectar o seu futuro próximo.
As informações ora divulgadas foram prévia e minuciosamente cruzadas. É provável que venham a ser, no imediato, bem ao estilo de uma reacção instintiva, negadas. Não é tempo de “dar tiros nos pés”. Todos negarão o que sabem. Mas se as eleições fossem hoje, muito dificilmente o “cabeça de cartaz” pelo PSD seria João Agostinho Pereira.
Mas o mundo da política é extraordinariamente propenso a golpes de teatro. Neste caso, ainda que improváveis, são possíveis. Muito se esquece e pouco se lembra em madrugadas forradas com boas ementas ao sabor de uma enriquecida carta de vinhos. E depois, há as cobranças…
Mas isto, é claro, é só o Alho a falar...

JMA

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Nunca perguntes

por quem os sinos dobram

 
Passaram três semanas.
Francisco é um jovem e bem sucedido gerente bancário. As promoções internas obrigaram-no a abdicar de ter vida familiar própria. Casado com uma ambiciosa advogada e já pai de um puto de cinco anos de idade, conclui agora quase não ter usufruído da meninice do curioso Rafael. É uma criança há muito entregue aos mecanizados encantos de uma consola.
Com a Primavera pintada de fresco, decidiram – pasme-se – fazer um piquenique. Já em viagem, cantaram-se canções que a todos convocaram. Refrões ingénuos mas desde sempre familiares, heranças perenes que uniram muitas gerações.
A dado momento, o miúdo, no meio de tão ansiada agitação, deixa cair o “Lucas”, o fofo ursinho de peluche - com a foto dos três estampada - que nunca recusou juntar-se às brincadeiras daquele ser tão ternamente frágil. Francisco, o homem do leme, reagindo por instinto à necessidade de prontamente resgatar o colorido Lucas, perdeu o controle do seu mimado monovolume. Despistaram-se numa ponte excepcionalmente concorrida.
Acordou numa cama de hospital. À cabeceira, este invejado gerente vê somente os pais que, a custo de uma quantas interjeições seguidas de silêncios comprometedores, lhe comunicam a gravidade do acidente. A mulher o pequenote estavam em coma num quadro clínico a merecer fundadas reservas. Um e outro batiam-se pela vida.
Ele escapara apenas com um punhado de arranhões simbólicos.
Passaram mesmo três semanas?! Sim. Três semanas da mais crua agonia que a natureza humana pode experimentar.
Deixou de ter dias e noites. As cadeiras nas salas de espera do hospital ganharam as suas formas. Despenteado, de camisa invariavelmente desfraldada, com a barba por fazer e de olheiras cravadas num olhar desgovernado sabe que o filho e a mulher persistem em não registar melhorias. Depois de insistentemente convencido pelo pai, aceitou ir a casa tomar um duche e fechar os olhos por umas horas para enganar o cansaço.
De novo acordado. Desta feita, parece novamente engolido por uma já conhecida normalidade. Bocejando, ouve o trinado dos sinos. Comenta com a mãe, nestes dias em casa para confeccionar algumas refeições: ”os sinos estão a tocar. Quem morreu?”
A mãe, com a tez irremediavelmente estarrecida, ampara-se no granito da cozinha. Baixa os olhos como que antecipando uma notícia que uma mãe nunca deveria dar a um filho já crescido...
Francisco é hoje um marido sem mulher e um pai sem filho. Deixou de ter desejo, esse cão irascível que lhe mordia os calcanhares para viver como um animal presunçosamente especial. Aprendeu a não perguntar mais por quem os sinos dobram. Simplesmente, quando escuta aquele funesto zunido, refugia-se no carro, aumentando drasticamente o volume do rádio. Ouviu num documentário recentemente exibido que durante uma tempestade o chassis de um automóvel absorve toda a energia descarregada sendo por isso o local mais seguro para sobreviver a tão violento imprevisto.
Aprendeu a detestar imprevistos. Protegido na sua carapaça ultramoderna, recorrendo ao rádio como quem usa uma lanterna numa noite de severa tempestade, agarra-se compulsivamente ao grande resistente de todo este infortúnio: Lucas, o fofo.
Porque a vida (também) é feita de comportamentos defensivos, e mesmo correndo o risco de guetizar-se no seu mundo, definiu para si uma máxima, que sabe eternamente convincente: “quem não ouve é como quem não sabe”.
José Manuel Alho
 

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Entrevista - Parte III

por José Manuel Alho, em 07.10.08

“A partilha de experiências e de saberes entre colegas é, mais do que valiosa, premente”

Entrevista conduzida por Ana Beatriz Gonçalves Costa
 
Mudando de conceito, quando pensa em Poder que termos é que associa a esta palavra?
Autoridade, Autonomia e Responsabilidade. Contudo, não deixa de ser verdade que muitos afiançam que actualmente a autoridade do professor estará pela hora da morte. O professor é hoje um alvo demasiado fácil; está constantemente num espeto que vai “dourando“ ao sabor dos interesses e conveniências de parte da opinião pública. Muito recentemente, no entendimento de muitos docentes, a classe docente foi alvo de uma campanha inédita de desacreditação, que em alguns momentos pareceu animada por quem deveria porventura ter poupado e protegido tão relevante grupo profissional. Acho que, no caso da autoridade e do poder do professor, não os vejo necessariamente com aquela carga negativa e pejorativa decorrente do antigo mestre-escola. Acho que o professor tem que ter autoridade, tem que ter poder. Um exercício ponderado, sensato e lúcido do poder. Mas também não podemos passar para a ausência de autoridade, porque se há muitas décadas atrás o professor do 1.º Ciclo era o expoente máximo do autoritarismo - e aí estava toda a carga negativa do termo –agora teremos eventualmente passado para uma fase de excessivo relaxamento que daqui a cinco, sete, oito, dez anos vai ser estudado, por todas as universidades a nível europeu, como “o caso português”. Muitos garantem que será estudado na perspectiva de “não façam o que os portugueses fizeram aos seus professores!”.
 
 
E de que forma é que o professor pode exercer esse poder?
Há dois tipos de autoridade: aquela que qualquer grande actor de teatro conquista inteligentemente, recorrendo ao carisma, à psicologia e ao tacto emocional; e a outra, vincadamente impositiva, do género “cá estou eu. Meus amigos, isto aqui é a minha quinta e eu faço, desfaço, monto, desmonto, destruo, resumindo, é comer e calar!” Aliás, muitos pais foram assim ensinados e dela se socorrem quando animados a citar boas práticas pedagógicas do passado…
 
Durante a entrevista estiveram presentes dois conceitos: avaliação e poder. Estabelece alguma relação entre eles?
Mesmo que quisesse ser politicamente correcto, tenho que reconhecer que existe. Acho que sempre que alguém tem responsabilidade em algum sector, seja na vida política, familiar, associativa ou social, terá sempre algum poder. Nesta óptica, haverá uma relação evidente entre a responsabilidade de avaliar e o poder que lhe é inerente. Nuns casos, poderá ser mais acentuada, com contornos mais nítidos e mais grossos; noutros pode estar ou ser esbatida – até dessacralizada - de uma forma lúcida e sensata.
 
E essa relação terá a ver também com o tipo de poder que o professor exerce?
A autoridade dos professores pode ser utilizada como um trunfo. Outras vezes serve para mascarar problemas de personalidade ou até limitações relacionais. Mas todos nós temos maneiras diferentes de lidar com as nossas insuficiências. Há quem tente, estando à beira de um abismo, dar um passo em frente, isto é, usa a autoridade, precisa de a lembrar e de a fazer sentir constantemente. E há outros que tentam lidar com as suas limitações tornando-as, na medida do possível, em estímulos. A partilha de experiências e de saberes entre colegas é, mais do que valiosa, premente. E há coisas tão ricas, por exemplo, ao nível dos Conselhos de Ano onde se aprende tanto, dando e recebendo! Se em cada escola existirem canais de ligação entre “as ilhas do arquipélago”, tudo tenderá a melhorar. Sabe, os professores são pessoas muito carentes, têm uma auto-estima muito baixa; e, se calhar, têm razões para isso. As pessoas que vêem o sistema de fora dizem-me que notam os professores em baixo, que os sentem pessoas tristes e cinzentas…
Se calhar, é chegado o tempo de interromper uma certa apetência legislativa, deixando – insisto - aos professores a capacidade e o tempo para trabalharem, para reflectirem sobre a sua prática pedagógica, para serem orientados nessa reflexão, através de acções de formação, até para que as estruturas intermédias, que são vincadamente de cariz pedagógico, não se transformem em serviçosde cariz eminentemente administrativo.
 
E em relação ao Estatuto do Aluno que recentemente foi modificado, tem alguma opinião formada sobre este assunto?
O novo Estatuto do Aluno contém reformulações consequentes e encerrará algumas carências que, estou certo, vamos ter que corrigir daqui a um ano ou dois anos…Creio e defendo o princípio da Assiduidade com globalmente estruturante. No mais, partilho da apreensão dos que garantem que o sistema educativo português estará há demasiado tempo direccionado, quase que na sua essência, para as crianças com dificuldades de aprendizagem. A escola pública tem de apresentar projectos para os bons alunos e de possuir recursos para dar boas ofertas aos alunos de excelência. E daí o propalado empobrecimento do ensino público, porque os bons alunos, asseveram os sociólogos da Educação, provirão maioritariamente de agregados familiares da classe média-alta ou alta, não vendo no ensino público a exigência esperada para exponenciar as suas capacidades e competências. Ocorre então o êxodo para o ensino privado. Como é que isto se resolve? Temos que começar a resolver. Vai demorar tempo, mas não podemos desistir da excelência.
 
A última questão que lhe faço tem a ver com as recentes alterações ao regime de gestão e de autonomia das escolas. É uma solução de e com futuro?
Antes de mais, pecará quando muito por tardia. É um modelo que me agrada bem mais que o anterior. Entendo que se poderia ter ido mais longe, mormente na limitação de mandatos e no capítulo da gestão financeira. Creio que não seria descabida uma solução bicéfala: um director pedagógico – um professor; e um director financeiro – necessariamente alguém formado em contabilidade, gestão e fiscalidade, mesmo ao nível do contencioso. Para mim, é importante separar os professores da gestão financeira. “Não tocar em dinheiro” deve ser a máxima.
Há sempre pessoas maldosas e o modelo presta-se a múltiplas especulações a que cumpre pôr termo. Quando, por exemplo, se diz que um dos motivos para muitos docentes quererem integrar um órgão de gestão ou pretenderem, durante largo tempo, ali permanecer, são os privilégios materiais, tenho que rejeitar liminarmente tal lógica de pensamento. Não creio que ninguém estará num Conselho Executivo para usufruir – se é que existem – de cartões de uma qualquer gasolineira para abastecimentos ilimitados, para ter gás gratuito nas suas moradias ou para ganhar outros favores que não cabem no meu quadro de valores. Quem tem, em circunstâncias tão adversas, assumido a gestão das escolas só o terá feito - e estou firmemente convencido disso – por entender reunir os atributos pessoais e profissionais que os habilitaram a fazer a diferença. De outro modo, teríamos que chamar a polícia… (risos)
 

FIM

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Toco cru

pegando fogo

 
No romper de um novo dia vislumbram-se os primeiros raios de sol que se emaranham com a neblina fresca da Primavera, a mesma que sanciona as múltiplas provas de vida desta natureza em arrojada mutação.
Jamir é um adolescente previsivelmente inseguro, ostentando uma acne inocentemente comprometedora, das tais que prenunciam a aurora da maioridade. Há pouco mais de um ano que veio do Brasil. Está definitivamente com os seus pais, naturais deste quase rectângulo à beira-mar plantado, mas que, cumprindo um velho plano de vida, optaram por regressar às origens. Do Brasil ficaram perenes memórias de um trajecto intenso e repleto de expectativas goradas onde, apesar da insegurança e da crescente pobreza, sobressai uma singular herança sob a forma de um legado genético protagonizado por um miúdo sardento, franzino, de cabelo comprido e caprichosamente encaracolado.
Jamir reside agora numa rua tranquila, serenamente vetusta em contraste com a esgotante azáfama da competitiva metrópole que, do outro lado do Atlântico, serviu de palco à primeira etapa da sua paleta de sonhos. Não tem muitos amigos porque conhece pouca gente. Nos seus tempos livres, dispensa a televisão. Não aprecia o jeito formal e tenso dos “caras que falam na TV”. Tem dificuldade em perceber o que se diz. Não porque ouça mal ou tenha um vocabulário limitado. Na verdade, a língua portuguesa apresenta variações que só agora descobriu serem possíveis. Por vergonha, não pede aos seus interlocutores que repitam ou falem pausadamente. A tudo corresponde com um prostrado acenar de cabeça ou com um sempre oportuno “é verdade”. Pouco lhe resta. Refugia-se na web ou busca tácita compreensão num qualquer som “metálico” importado.
Seu pai aventurou-se em cumprir uma antiga ambição: ser carpinteiro. Desde cedo, manifestou atributos que há muito poderiam ter feito dele um artista de mão cheia. Porque a vida nem sempre projecta um traçado linear, só agora o “senhô” Januário ousa ser o que um dia sonhou para si. Investiu em ferramentas e desafia a estética instalada com um atrevido punhado de inovações que ameaçam surtir efeito entre a vizinhança mais próxima. Quando voltaram, e porque a luz do sol é fundamental ao bem-estar dos três, não tardou muito a cortar quase rente um plátano presumivelmente secular, plantado bem à frente da até então entrevada moradia. Ganharam a preciosa lenha para os rigores de um Inverno que Jamir jamais ousou antecipar nos seus piores pesadelos, mas herdaram um toco de respeito, daqueles de fazer mesmo inveja.
Rapidamente o inusitado toco passou a ser disputado por todos os membros da família. Aliás, é nos tempos a seguir às refeições que todos esgrimem motivos e se travam de razões para auferirem o direito a ali estarem, quais distintos monarcas gozando o prazer de mirar as fronteiras do seu disputado reino. Contudo, Jamir faz daquele toco o altar-mor do seu “armário”, vulgo, momento da vida – usualmente na adolescência – onde o ser humano não faz o que pensa e faz o que nunca pensou.
Num destes fins de tarde, com um pôr-do-sol “bem bacana”, o nosso jovem, tomado por aquela melancolia adolescente a roçar a pura sedução, descobre ao fundo da rua uma jovem de ganga definida, isto é, bem colada às suas ditosas formas.
Confiante na sua pose de rei e apressadamente seguro dos seus méritos, planeia dirigir-lhe a palavra se acaso a enleante plebeia lograr passar em frente ao seu castelo. É o que acontece. Ele digna-se levantar-se e caminha para o portão. Meticuloso, programou os segundos para que o encontro fosse premeditadamente ocasional. Subitamente, constata que a beleza que o empertigou é bem superior, em formosura e encanto, ao que os seus olhos haviam insinuado. Consumido por uns estranhos calores, que sobem dos pés às raízes dos cabelos, ao ponto de ameaçaram os seus nobres caracóis, com um friozinho no estômago, desfaz-se num suor incontinente. Eis uma bica humana! Tolhido pela imprevista reacção do seu corpo, Jamir solta um pedido petulante:”Quer vir sentar no meu toco?”
Ela, mais velha e sabida na mui exigente arte de bem cortejar, desarma-o com o seu sotaque, bem próximo, por sinal, ao seu. Madura e já senhora do seu nariz, responde-lhe com um conselho subliminar: ”É melhor não. Sabe, já não seria a primeira vez que veria um toco cru pegando fogo…”
José Manuel Alho
 

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