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Habilidades da pessoa humana...

por José Manuel Alho, em 28.11.08

 

 Os Heróis, as Vítimas e

os OUTROS

 
Ainda que existam casos que desafiem a lógica, condição e atributo consequente e necessariamente estruturantes, todos nós temos vida própria. Em função das circunstâncias, ninguém será, em rigor, bom nem mau. Seremos todos, principalmente, conforme. Por isso, a vida que nos vão impondo tende a desumanizar as relações, os afectos e as emoções. Tudo parece ou demasiadamente plástico ou inesperadamente animalesco. Daí que tudo pareça definir-se com estranha nitidez. Progressivamente, a esmagadora maioria das pessoas com quem nos vamos cruzando revelar-se-á excepcionalmente propensa a incluir-se numa seriação que não contempla mais de três categorias: os Heróis, as Vítimas e os Outros.
Os HERÓIS nasceram para serem notados. Ainda que elogio em boca própria configure vitupério, não regateiam a si mesmos rasgados encómios. Assumindo o risco de serem mal interpretados, fingem que não sabem o verdadeiro significado da presunção e da vaidade ocas. Consomem as suas programadas horas de solidão a perpetrarem sorrateiras estratégias que lhes garantam a atenção, desejavelmente sob a forma de admiração, dos que os rodeiam, gente convenientemente incauta, com pouca tarimba, que revela dificuldade em destrinçar um boi de uma vaca. Invariavelmente, estes “heróis”não se cansam de contar histórias que exaltam as suas singulares capacidades, reveladas em momentos de inimaginável tensão, onde são, mesmo que à força, a figura. Os seus relatos celebram a coragem, o altruísmo e a visão de um líder na verdadeira acepção do termo. Heróis solitários, cujos comparsas de aventura ninguém conhece – “estes” feitos heróicos pecam sempre por não terem testemunhas vivas ou contactáveis… – são as personagens que denunciam um trajecto de vida repleto de duplicidade(s), mentira, azelhice, inveja, sórdida avareza…Sempre gostaram de parecer o que não são. Hão-de teimar sempre passar-se por aquilo que nunca chegarão a ser. Distinguem-se pela facilidade e frequência com que se contradizem. Só em desespero de causa, e depois de constatada a inexistência de melhor alternativa, aceitam ser vítimas.
As VÍTIMAS carregam o pesado fardo de uma herança genética caracterizada por incompreensíveis orientações. Para elas, o sofrimento estará longe de ser purificador. Em boa verdade, gostam, simplesmente, de sofrer. Sofrem em casa, com a família, no trabalho, no futebol e choram compulsivamente em salas de espera, repartições de finanças, secções de obras, mercearias e num qualquer gabinete bancário de concessão de crédito pessoal. Para elas, a vida é uma pena terrena que têm de cumprir para remissão do Mundo. À sua maneira, têm uma missão que lhes foi confiada. Interpretam, até às últimas consequências, a máxima popular “quem não chora, não mama”. Por comparação, e porque o seu estilo é menos fanfarrão, conseguem ser mais “espertas” que os HERÓIS. Mais ardilosas, alimentam, com sensata discrição, uma ambição pessoal que surpreende os incrédulos. Sobressaem pelo prazer intenso que experimentam quando sentem que delas têm pena. Em diferentes contextos, movem-se com assinalável eficácia. Distinguem-se pelo elevado número de embalagens de lenços de papel com que iniciam o seu dia e pela simpatia que logo dispensam aos que, sem reservas, concluem:”é uma coitadinha!”
Os OUTROS comportam aquela gente simples, que, por mais que se esforce, não consegue ser o que não é. Usualmente genuínos, fazem por conciliar a ambição, natural e saudável, com o respeito pelos outros. Facilmente, são rotulados de “ranhosos”, “vilões” e “maus” por não se demitirem de pensar pela sua cabeça, mesmo que tal ousadia signifique contrariar maiorias há muito dominantes. Distinguem-se por serem difíceis de encontrar…
 
José Manuel Alho

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Não esperava!

por José Manuel Alho, em 26.11.08

Agradecimento

 

A propósito do post intitulado "Insultado e ameaçado" - que foi igualmente publicado na última edição do Jornal de Albergaria - agradeço sensibilizado os mais de 80 mails que até agora recebi. São manifestações de solidariedade, remetidas por quem percebe(u) e sente o que, no meio de tão lamentável epísódio, poderá estar verdadeiramente em causa.

Vale sempre a pena batermo-nos por princípios e valores. Obrigado.

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Devido a artigos publicados no Jornal de Albergaria

por José Manuel Alho, em 21.11.08

 

Insultado e ameaçado

 A pretexto de alguns artigos por mim publicados no Jornal de Albergaria, fui insultado por uma alma absolutamente perdida, desesperada e atormentada pelo pânico de ser criticada. “Tem muito cuidadinho com o que escreves! Muito cuidadinho mesmo. Olha para a tua filha. Ela é ainda muito pequena. Lembra-te que és muito novo e que a tens de criar…”. Seguiram-se outros insultos, numa cólera desbragada, que se finou com uma tirada esclerosada “sempre soube que escrevias de encomenda para aquele jornaleco de merda!”
De facto, nada como um super ego para insultar. Na verdade, o insulto não deixa dúvida sobre o seu alvo. Até me sinto importante. De igual modo, a ameaça, mais do que atestar, no autor, a existência de traços de personalidade assentes na pulhice e na canalhice, visa condicionar quem porventura atrapalha(rá).
Que se desenganem. Persistirei fiel aos meus princípios e valores. Estou à margem de interesses organizados, fora dos corredores onde se distribuirão benesses e favores que muitas vezes hipotecam as mais elementares liberdades individuais. A minha eventual valia residirá somente nas minhas ideias. A minha única arma é a palavra. Não me demitirei pois de pensar pela minha cabeça. Quanto à “encomenda” – único esquema segundo o qual alguns parecem conhecer e até funcionar – cumpre notar que a mesma pressupõe um pagamento. No meu caso, informo, em jeito de esclarecimento, que a colaboração que mantenho com alguns jornais é integralmente graciosa. A custo zero. Bem sei que alguns circuitos neurológicos, formatados para o “toma lá - dá cá”puro e duro, terão óbvias dificuldades em aceitar esta evidência. Mas é a mais pura verdade.
Preocupa-me, contudo, esta inusitada investida sobre quem dá a sua opinião sobre a coisa pública em Albergaria-a-Velha. De facto, não somos muitos. Aparentemente, haverá quem se disponha tornar o território da opinião livre como se de uma favela brasileira, tomada por mafiosos, se tratasse. Do género: quem não reproduz a realidade anunciada por alguns ou a verdade imposta por determinada propaganda, arriscar-se-á talvez a levar uma sova, uma tareia, uma coça das boas. E, ao que parece, até valerá ameaçar meninas inocentes de 8 anos de idade.
São tempos perigosos, a que devemos – nós, a população residente neste singular Concelho – prestar muita atenção. Muitas vezes, sob a capa de uma podre normalidade, o que temos por adquirido já poderá estar a ser alvo de deturpações, adulterações ou até mesmo de outras invectivas, patrocinadas, se calhar, por gente de tez mui respeitável. Poderá existir o risco de um dia destes acabarmos amordaçados pelo MEDO de ameaças de retaliação, seja ela física, moral, social ou até mesmo patrimonial.
Há quem pareça defender que o povo não deve saber de tudo. Haverá assuntos que só dirão respeito a alguns. “São assuntos muito complexos” – afiançam. Como se as populações fossem desprovidas da capacidade intelectual para discernir sobre o essencial de cada assunto ou não detivessem a maturidade cívica bastante para dar um contributo válido à “res publica”. Estejamos atentos. Parece haver quem esteja disposto a tudo para manter intacta a sua quinta de interesses, habitualmente inconfessáveis.
 A liberdade da imprensa regional é um bem das sociedades civilizadas que, por natureza, exige mobilização constante, vigilância permanente e firme posicionamento diante de fatos que representem ameaça ou que efectivamente a atinjam.

A defesa da liberdade de imprensa certamente contribui para o fortalecimento das instituições democráticas. Esse é um trabalho incessante em favor da sociedade, sobretudo, que por ter direito constitucional à informação, deve defender a imprensa livre e repudiar veementemente quaisquer actos praticados contra profissionais e veículos de comunicação social locais.
Estes casos servem também para relembrar a todos o quão importante é proteger o direito fundamental da pessoa humana que é a liberdade de expressão, direito este inscrito no artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Sabe o prezado visitante que os jornais muito contribuem para os processos de responsabilização, de reconstrução e de reconciliação. Cada agressão contra um jornalista constitui um ataque contra as nossas liberdades mais fundamentais.
A liberdade de expressão, sobretudo sobre política e questões públicas, é o suporte vital de qualquer democracia. Os executivos democráticos não controlam o conteúdo da maior parte dos discursos escritos ou verbais. Assim, geralmente as democracias têm muitas vozes exprimindo ideias e opiniões diferentes e até contrárias. Precisamente porque a diversidade enriquece a democracia.
Por tudo isto, a democracia depende de uma sociedade civil educada e bem informada cujo acesso à informação lhe permite participar, tão plenamente quanto possível, na vida pública da sua terra e criticar funcionários do governo/autarquias ou políticas insensatas e tirânicas. Os cidadãos e os seus representantes eleitos deverão reconhecer que a democracia dependerá grandemente do acesso mais amplo possível a ideias, dados e opiniões não sujeitos a censura. De nada vale insultar ou ameaçar quem pensa de maneira diversa, quem crítica e denuncia situações susceptíveis de reparo.
Esta é uma batalha de todos para todos os dias. E nesta batalha, EU FICO.
José Manuel Alho
 
 NOTAS FINAIS:
 Movimento Cívico do Sobreiro: O artigo por mim publicado, na passada edição, inserto na página 3, intitulado “Traçado proposto para o IC2/A32 gera polémica – população do Sobreiro com dúvidas sobre nova auto-estrada”, acaba por ser um paradigma do que pode e deve ser a participação cívica dos cidadãos em luta pelos seus legítimos interesses. Os movimentos cívicos, animados e criados fora da esfera político-partidária, revestem-se de um valor acrescido e, no caso da nossa vila, não deixa de ser uma saudável pedrada no charco.
Torres e Menezes: Têm chegado ao meu conhecimento relatos de vida absolutamente notáveis que confirmam no actual Presidente da Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha uma sensibilidade humana extraordinariamente apurada, que faz dele – e muito justamente – um fenómeno de popularidade. É um autarca de nobre dimensão, com uma actuação a servir de inspiração a qualquer político. É invejado, mas é o preço de quem é ostensivamente competente. Muitos se agarrarão a Torres e Menezes na tosca esperança de se colarem aos seus méritos, como que buscando a chucha maternal da salvação.
José Licínio Pimenta: Ouvi-lo falar dos projectos e das opções que tomou é um tratado de motivação mesclada com arrojo dinâmico. Desde os empreendimentos planificados, passando pela plataforma online para as AEC’s do 1.º Ciclo, até ao projecto dos quadros interactivos para as turmas do 4.º ano, todo ele é ambição. Ao menos, em matéria de Educação, o Concelho está muitos furos acima se comparado com outros congéneres vizinhos. Licínio Pimenta está subaproveitado. Faria mais e melhor em outras funções. Principalmente, porque nunca aceitará ser um folacho manso, daqueles que não riscam nada e que só se prestarão a desempenhos decorativos.
 

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Rua da Senhora do Socorro degrada-se

 

* Situação já é do conhecimento da Inspecção-Geral do Ambiente e do Território.

 
Como já aqui demos conta, a Rua da Senhora do Socorro está, a diversos níveis, profundamente degradada. É uma zona nobre do Concelho de Albergaria que conheceu forte procura por parte do mercado habitacional.
São justos os interesses dos construtores civis, que assumem importante fatia do investimento que cria riqueza nestes tempos de crise generalizada. Não são os construtores civis que estão em causa ou sob o espeto de quem não percebe a relevante influência daqueles agentes na dinamização das economias locais. Nada disso. O que está em causa – e até inscrito na Lei - é a protecção dos cidadãos contra qualquer ofensa à sua personalidade física ou moral e, principalmente, a protecção da tranquilidade, da segurança e do bem-estar.
Na actualidade, cumpriria à edilidade albergariense – a menos que esta prefira ser forte com os fracos e fraca com os fortes – analisar a situação em todas as suas vertentes e, se necessário, agir em conformidade, informando os residentes dos termos em que decorrem certos empreendimentos. É uma questão de transparência dos que sabem ser e estar mandatados pelo povo visando a prossecução do superior interesse da colectividade, independentemente dos restaurantes que alguns frequentarão e do nível das pessoas com quem alguns gostarão de partilhar vinhos altamente graduados para tomarem as “melhores” decisões.
Por isso, e porque perguntar não ofende, importaria saber:
  • Os empreendimentos actualmente em fase de edificação decorrem no respeito pelas mais elementares regras de segurança de/no trabalho para os seus operários?
  • As obras estarão ou não a desrespeitar particulares com poluição sonora e aquela frondosa poluição atmosférica, consubstanciada numa mistela de pós e poeiras que inundam bens (móveis e imóveis) e pessoas, num atentado inqualificável ao direito à qualidade de vida?
  • Os trabalhos que ali acontecem respeitarão o Regulamento Geral do Ruído (RGR), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 9/2007, de 17 de Janeiro, e, entretanto, objecto de alterações pelo Decreto-Lei n.º 278/2007, de 1 de Agosto, que estabelece o regime legal aplicável à prevenção e controlo da poluição sonora, harmonizando o regime com o Decreto -Lei n.º 146/2006, de 31 de Julho, transpondo para a ordem jurídica interna a Directiva n.º 2002/49/CE, relativa à avaliação e gestão do ruído ambiente? Neste particular, alerta-se que para a descrição do ruído ambiente que tenha uma relação com um efeito prejudicial na saúde ou no bem-estar humano é utilizado o parâmetro “Indicador de ruído” obtido por medições efectuadas em determinados intervalos de tempo ou “períodos de referência” : a) Período diurno—das 7 às 20 horas; b) Período do entardecer—das 20 às 23 horas; c) Período nocturno—das 23 às 7 horas.
  • Importaria também saber se os trabalhos de construção estarão, como afiançarão muitas denúncias que nos chegaram, a decorrer aos sábados, domingos e feriados e nos dias úteis entre as 20 e as 8 horas?
  • Ou se, e, alternativa, o exercício dessas actividades ruidosas (vulgo, obras) temporárias foi autorizado, em casos excepcionais e devidamente justificados, mediante emissão de licença especial de ruído, pela Câmara Municipal de Albergaria?
Porque a fiscalização do cumprimento das normas previstas na legislação aplicável compete à Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território; à entidade responsável pelo licenciamento ou autorização da actividade; às comissões de coordenação e desenvolvimento regional; às câmaras municipais, no âmbito das respectivas atribuições e competências e às autoridades policiais relativamente a actividades ruidosas temporárias, no âmbito das respectivas atribuições e competências, caberia divulgar ao público em geral o histórico de eventuais fiscalizações já efectuadas, mormente pela edilidade.
No mais, dá-se conta que a situação já será há muito do conhecimento da Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território, que por várias vezes terá inquirido a edilidade sobre a situação em apreço. Ao que parece, a Câmara Municipal terá tardado nas respostas às persistentes demandas daquele serviço afecto ao Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional.
Apesar de uma popular, em jeito de graça, nos ter afiançado que “se esta situação ocorresse nas vizinhas freguesias da Branca ou de Alquerubim, a situação já estaria resolvida!”, queremos acreditar que o que moverá os decisores públicos será efectivamente o superior interesse público. Aguardemos pois pelos próximos desenvolvimentos.
José Manuel Alho

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Encerramento da temporada folclórica

por José Manuel Alho, em 18.11.08

 

Grupo Cultural lembrou êxitos

 
No passado dia 8, sábado, pelas 20 horas, o Grupo Folclórico Cultural e Recreativo de Albergaria-a-Velha levou a efeito, na sua sede social, em Campinho, o jantar de encerramento da época folclórica 2008.
O executivo liderado por José Figueiredo juntou à mesa todos os seus elementos e colaboradores; os órgãos sociais e demais amigos que, de algum modo, têm emprestado a sua colaboração àquela agremiação. Marcaram igualmente presença Agostinho Pereira, pela edilidade; José Manuel Torres  e Menezes, como responsável máximo pela Junta de Freguesia de Albergaria; José Licínio Pimenta, enquanto Vereador para a Cultura e António Grifo, alto representante da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio (CPCCR).
Na oportunidade, e ao sabor de um bem-fazejo Leitão à Bairrada, o repasto teve o condão de viabilizar um convívio feito de solidariedade e união. José Figueiredo, o Presidente da Direcção, manifestava o seu contentamento quando lembrava a temporada folclórica ora finda "ilustrada de muitos e assinaláveis êxitos", que voltaram a "contribuir para a promoção e a divulgação da cultura da nossa terra". Importará registar que o jantar foi musicalmente animado pela nova aparelhagem que aquele rancho adquiriu, num arrojado investimento financeiro, que em muito enriquecerá os níveis de desempenho do Cultural quer em ensaios quer em actuações.
Torres e Menezes
Digno igualmente de destaque foi a forte representação oriunda da Junta de Freguesia que, uma vez mais, traduziu a sensibilidade e o apoio que o actual executivo presidido por Torres e Menezes dispensa à causa cultural, bem longe do provincianismo bacoco, desprovido de qualquer laivo de sinceridade, dos que apoiam quando bebem, comem e passeiam à pala das colectividades. De facto, e no caso daquele responsável, estaremos perante um autarca de excepcional dimensão institucional e humana, que há muito engrandece a coisa pública. Não admira pois que seja o alvo privilegiado do cíumes e da inveja de alguns pares com azia crónica.
Por seu turno, António Grifo, pela  CPCCR, faria notar "a pujança desta associação, que não deixa de aprofundar o seu comprometimento com o seu projecto cultural em estreita articulação com a comunidade envolvente." Sem se deter, fez questão de enfatizar "o orgulho que a Confederação nutre pelo Cultural, cuja acção acompanhamos com óbvio interesse", rematou.
Por fim, João Agostinho Pereira, que estava pressionado por outro compromisso no Cine-Teatro Alba, fez uma breve alocução, dando conta da sua alegria por ali "constatar a presença crescente de muita juventude" num "rancho que tem dignificado a etnografia do Baixo-Vouga de norte a sul do país".
José Manuel Alho

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Para começar bem a semana...

por José Manuel Alho, em 17.11.08

Camarões com Alho

 

Ingredientes:

Receita para 4 pessoas:
1 kg de camarões selvagens 20/30
8 dentes de alho
50 g de margarina
6 colheres (sopa) de óleo
2 colheres (sopa) de whisky
Sumo de limão
Sal e piripiri em pó

Preparação:

Abra os camarões pela parte dorsal, retire a tripa e espalme-os.
Misture o óleo com o whisky e tempere com o piripiri e sal. Pincele os camarões com esta mistura e deixe marinar algumas horas no frigorífico para absorverem os temperos. Esmague os alhos e leve-os a estalar numa frigideira larga com margarina. Junte os camarões abertos e deixe fritar de ambos os lados. Quando estiverem prontos, regue-os com bastante sumo de limão.
Bom apetite!

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O último vendedor de

Coca-Cola no deserto

 
 
Gastão Souza vive e trabalha para fazer figura. Ostentando uma silhueta que não esconde o terno encanto dos cinquenta acabadinhos de merecer, não dispensa na sua imperturbável indumentária o recurso a berrantes coletes que antes de o ser já o eram na sua desconcertante imaginação. Existem porque os exigiu ao massacrado alfaiate, o pachorrento Toni, que a muito custo os aceitou confeccionar com tecidos comprados invariavelmente a retalho na Feira dos Vinte e Oito.
Mais do que uma envelhecida colecção de sapatos impecavelmente engraxados, Gastão ainda se distingue por um farfalhudo bigode cujas pontas tenta insistentemente recuperar esticando-as à espera de melhores voltas, isto é, caracóis. Há pouco mais de um mês, quando se preparava para aderir às vantagens das acendalhas sólidas, preterindo as ancestrais pinhas – abandonou, por opção, a cíclica tendência de as rapar no pinhal mais próximo… – foi surpreendido pelo rápido impacto da inovação ao ponto de ver chamuscadas tão trabalhadas e cuidadas pontas peludas. Quando teve de aparar o bigode, encurtando-o, sentiu-se castrado, quero dizer, diminuído. Todos ainda recordam o dia em que se desdobrou em frases inacabadas para explicar ao Zé da Cueca, o barbeiro da terra, que teria de lhe amputar tão dilectos caracóis faciais. Muitas são as piadas que em surdina se contam a propósito de tão ignipotente ocorrência. Foi o único dia em que o compreensivelmente encaramujado Souza não envergou um dos seus exóticos coletes. Está tudo dito.
Casado com a D. Ester, uma mulher deformada pelas exigências da vida e forçosamente sedentarizada pelo papel de esposa dedicada e extremosa a que se entregou com assinalável denodo, Gastão é um vendedor de mercearias que não aparenta viver estrangulado por uma recessão mais exposta que nunca. “Tem lábia”, adianta, em jeito de explicação, o Toni dos coletes. Na verdade, o fluente empresário assume-se, mesmo quando vende mercadoria a roçar o prazo de validade, como o último vendedor de Coca-Cola no deserto. “Comigo, só se fazem bons negócios!”, publicita, exagerado, o derradeiro exemplar de uma espécie em vias de extinção.
Apesar de passear os odores perfumados e recém importados pela loja do chinês agora instalada no bairro, Gastão Souza está longe de ser um santo. Com uma carteira de clientes dispersa pelos concelhos vizinhos, não lhe faltam razões para chegar tarde a casa. Não que tenha secretária e ofícios a ditar depois da hora de expediente. Os seus “assuntos pendentes” esgotam-se em percursos errantes, bem longe de um qualquer balcão de mercearia. Dias há em que, nada tendo vendido, muito fez para desencadear ou consolidar futuros conhecimentos. Tudo, é claro, em nome do negócio. Não sei se me estão a entender…
Não se iludam. Nada nesta personagem é virtualmente espontâneo. As piadas ditas com jocosa dicção; os pensamentos eruditos com que remata conversas inicialmente bacocas; as rimas curtas mas melodiosas foram bebidos em jornais locais abandonadas nas mais recônditas casas comerciais que abastece pois nas últimas páginas, com pensamentos e máximas filosóficas, estarão os brilharetes de amanhã. Decorada a graça, tudo faz para inserir a “bucha” na primeira oportunidade. Nessa perspectiva e à sua maneira, Gastão será um autodidacta porque se apropria do conhecimento já existente para o colocar ao serviço das suas conveniências inegavelmente interesseiras. Lá no fundo, é um cromo a que a memória colectiva terá de reservar um lugar de destaque. A sua figura tende a cristalizar-se com o tempo. Ninguém ousará comparar-se-lhe ou até imitá-lo. Seria um esforço de composição e encenação esgotante, ao alcance de poucos.
Quando tocado pela inveja alheia, o nosso amigo costuma asseverar que “sou um homem realizado”. Sê-lo-á? Talvez. É o protótipo de um homem com qualidades, o espelho de um jovem com potencialidades precocemente coarctadas pelas dificuldades da vida e a prova tangível de um actor de eleição. De outro como, como explicar que um indivíduo fanfarrão e mulherengo mantenha um casamento que já dura há dezoito anos, que um empresário resista às adversidades conjunturais sem nunca ter conhecido a vergonha de uma dívida por liquidar e que uma personagem tão definida não tenha ainda sofrido a descaracterização que poderia ter aniquilado o último vendedor de Coca-Cola no deserto?!
José Manuel Alho
(ficção)
 

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Todos no mesmo barco

 

Depois de ter tomado posse,  os três elementos da Comissão Administrativa Provisória (CAP) do Agrupamento Vertical de Escolas das freguesias do Pinheiro da Bemposta, Palmaz e Travanca, constituída pelos prezados professores Mário Rui, Célia e Manuela, apresentou-se ontem, em reunião geral, a todo o pessoal docente e não docente.

Num estilo que surprendeu pela simplicidade e objectividade, os novos elementos deram uma imagem que consubstancia uma genuina lufada de ar fresco que importará registar.

Mário Rui, elemento com vasta e comprovada experiência em cargos de gestão, teve uma intervenção absolutamente notável. Mais do que explicar ao que veio e depois de recordar ter passado "um dos melhores anos da minha carreira profissional neste Agrupamento", deu conta da sua visão estratégica que contemplará, de forma integrada, todos os níveis de ensino, num envolvimento de parceria entre todos os agentes desta nova e heterógenea "cidade educativa".

Mais do que um estilo, registei uma nova perspectiva do que deve ser a gestão de um agrupamento "com muito potencial", optimizada em estreita comunhão de sinergias. Uma comunhão esclarecida, que favoreça a prossecução do serviço público de educação nesta organização de escolas.

Numa atmosfera singular, onde se notou uma descompressão feita de alívio, destaque para a necessidade de "esquecermos o passado enquanto obstáculo para o presente e para o futuro". Mário Rui, que disse "não bastar representação, mas sim assegurar uma verdadeira REPRESENTATIVIDADE", apelou "à unidade e à capacidade de, dentro de portas, resolvermos os nossos problemas com JUSTIÇA, LEALDADE e TRANSPARÊNCIA". Também aqui somou pontos.

Porventura, o que mais me impressionou e tocou, neste contexto profundamente degradado e adverso, foi o modo claro e reiterado como Mário Rui manifestou a sua confiança em todos. Disse e repetiu - como que querendo encetar logo ali a necessária recuperação anímica, espicaçando a auto-estima dos presentes - "CONFIO EM VÓS!"

Para alguém com um trajecto de indiscutível sucesso que, nestas circunstâncias anormais, assume tão arriscado desafio, esta capacidade de motivar pela confiança o melhor de cada um dos agentes ali reunidos atesta uma visão maior do que deve ser a gestão de recursos humanos.

No mais, notou-se que os elementos desta CAP não se descaracterizam quando investidos em funções que contendem com o exercício do poder. São o que parecem. Sóbrios, comprometidos e tolerantes. Nota-se que nunca se deixaram corromper pelo poder.

Enfim, estamos todos no mesmo barco. Há que aproveitar a oportunidade para relançar o Agrupamento, sem exclusões ou movimentos persecutórios que nada têm a ver com a nobreza dos que aceitaram integrar o Sistema Educativo. É chegado o tempo da união solidária e do compromisso com Valores e Princípios que nos elevem (a todos, sem excepção) a novos níveis de desempenho.

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Hoje é 25 de Abril!

 

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre

 

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