Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Nota do Director Mário Jorge Pinto

prenuncia eventual fim

 
Numa Nota publicada na edição desta última quinzena de Outubro, o Director do Jornal de Albergaria, Mário Jorge Lemos Pinto, dá conta de alguma melancolia que, numa leitura mais cuidada, poderá prenunciar, além do seu abandono, o fim de tão relevante arauto do Concelho de Albergaria-a-Velha.
Na verdade, a nossa terra até mereceria um periódico semanal, com um corpo redactorial fixo e porventura semiprofissional. Contudo, parece que os tempos de crise no essencial da vida económica local estarão a ditar sérios constrangimentos ao nível das receitas, em particular nas provenientes da publicidade. Cumulativamente, muito do tecido empresarial aqui sediado estará longe de sentir o pulsar da vila e de ser sensível aos seus anseios e potencialidades, preferindo divorciar-se de muitos dos agentes/pólos dinamizadores da colectividade onde se inserem.
Com uma linha editorial vincada e assumidamente independente, o Jornal de Albergaria tem feito um percurso que a todos prestigia e enobrece. Nunca invejarei o cruel rosário de dificuldades, obstáculos e incompreensões enfrentado pelo impoluto Mário Jorge Lemos Pinto. Trata-se de um notável causídico, cuja brilhante vida profissional o dispensaria de outros incómodos, que só o seu conhecido amor e dedicação à “res publica” o exporia a semelhantes provações.
Mais do que quinzenários regionalistas, cuja manutenção perece ficar a dever-se a motivações exclusivamente comerciais, funcionando como caixa de ressonância da informação oficial como garantia de sobrevivência, Albergaria precisa(rá), como de pão para a boca, de uma informação livre de espartilhos e condicionamentos terceiro-mundistas, impostas por personagens caciquistas.
Por se tratar de uma Cooperativa, espera-se que a Direcção possa, a breve trecho, encontrar soluções que evitem o fatalismo de, por estes lados, nada vingar. Foram as rádios e agora poderá sumir-se o jornal da terra. Que este alerta do Director – só por si, garantia de FUTURO - ecoe bem alto e toque fundo nas consciências de quem pode (e deve) fazer a diferença.
A ver vamos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Paulo Guinote divulgou

"Professores:

-De entertainers a engolidores

de hipopótamos adultos"

 

Foi com um misto de espanto e óbvia incredulidade que recebi a informação garantindo que Paulo Guinote, conceituado bloguer com com participação assertiva em matérias da Educação, publicou, em 3 de Agosto de 2008, no espaço "A MERECER LEITURA", artigo que redigi para o Jornal de Albergaria - "Professores: de entertainers a engolidores de hipopótamos adultos".

Num recorte enviado por Mário Rodrigues, aquela peça motivou alguns comentários a certificar então a frustração que desde logo se abateu sobre a classe docente.

Duas conclusões a retirar: 1.ª) o Jornal de Albergaria chega (mesmo) muito longe; 2.ª) alguns dos meus toscos escritos serão lidos aí por... mais de dez pessoas!

Para maior esclarecimento, clique em:

http://educar.wordpress.com/2008/08/03/a-merecer-leitura/

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicidade - Parte II

por José Manuel Alho, em 29.10.09

Autoria e outros dados (tags, etc)

 Novo Governo n’UMA NOVA AVENTURA?

 

*   Pela primeira vez, note-se, o país tem uma ministra da Educação que acumulou experiência no ensino Secundário.

 

Amanhã, dia 26, tomará posse o XVIII Governo que, ao contrário do vaticinado, tem uma forte componente técnica em detrimento de uma (mais) vincada dimensão política. Mais aberto a independentes do que propriamente à ala mais à esquerda do PS – note-se que oito ministérios foram entregues a personalidades exteriores ao universo partidário – o novo elenco poderá reservar ainda outras surpresas se Sócrates sancionar uma genuína transformação ao nível das secretarias de Estado. Nesse caso, presume-se que o PM compense de algum modo o PS com a designação de alguns adjuntos com maior experiência política por forma a que se erradique a impressão de estarmos perante uma mera remodelação governamental.
No essencial, fica para já a ideia de se pretender amansar o clima de hostilização a algumas classes profissionais alimentado na última legislatura. Se bem que Ana Jorge tenha pacificado (apenas) o relacionamento com os médicos – as taxas moderadoras por internamento e cirurgia, pelo menos, ilustram uma política de óbvio derrube do Serviço Nacional de Saúde – Isabel Alçada na Educação, Alberto Martins na Justiça e António Serrano (natural do Concelho de Beja e até aqui presidente do Conselho de Administração do Hospital de Évora) na Agricultura poderão indiciar um esforço – ainda que circunstancial – de esbater muita da polémica de corroeu a imagem e a acção do anterior Governo de Sócrates.
Não olvidando o impagável Santos Silva, que passa do ataque – o tal que malhava… - para a Defesa, enfrentando em breve a discussão na Lei da Programação Militar que o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea já atacou, deter-me-ei – enquanto professor e encarregado de educação – nas expectativas em torno da nova Ministra da Educação. Importa recordar que, dos 24 ministros que desde 1974 lideraram a pasta da Educação, 18 foram e são professores universitários e outros três, por exemplo, foram militares quase em regime de comissão de serviço na 5 de Outubro. Pela primeira vez, note-se, o país tem uma ministra que acumulou experiência no ensino Secundário para aquela área tão sensível.
Antiga dirigente da FENPROF, foi estagiária (sem faltas) na EB 2/3 Fernando Pessoa, nos Olivais, alicerçando, à época com 26 anos, uma imagem de profissional “sensível”, “dialogante” e “simpática” que – imagine-se – até “ralhava com os alunos”. Ali exerceu serviço docente durante oito anos, chegando a integrar o Conselho Directivo daquela unidade de ensino. Aliás, foi na EB Fernando Pessoa que conheceu a colega Ana Maria Magalhães com quem criou, em 1982, uma colecção de livros de aventura. Aliás, no âmbito do Plano Nacional de Leitura, que coordenou com inatacável êxito, quatro livros “Uma Aventura” são recomendados, numa compilação que soma 51 títulos no total.
Apesar de em Dezembro próximo estrear nos cinemas o filme “Uma Aventura na Casa Assombrada”, outras façanhas estão escritas e preparadas para caírem nos escaparates em Março de 2010. Bom ou mal sinal, foi Ana Maria Magalhães a descair-se junto dos media quando reconheceu que Isabel Alçada já estava na calha para suceder a Maria de Lurdes Rodrigues já antes do Verão. Afiançou ela que “quando avizinhámos que poderia a ser ministra adiantámos o trabalho durante o Verão e entregámos o novo livro na semana passada (i.e., a 3.ª do mês de Outubro). Geralmente entregamos em Dezembro. Agora, a partir de Janeiro voltaremos a escrever” - revelou.
Isabel Alçada enfrentará um sector desconfiado e céptico. A anterior equipa ministerial teria um léxico negocial muito próprio – porventura excessivamente impositivo - que se revelou contraproducente e que terá contribuído para afugentar milhares de habituais votantes PS. Erradamente, os sindicatos elegeram entretanto o modelo da avaliação dos docentes como sendo o dossiê cimeiro. Patético. De facto, o sindicalismo na Educação terá de ser mais estratégico e resiliente se quiser sobreviver a médio prazo. Na verdade, trata-se de matéria subsidiária ao inenarrável Estatuto da Carreira Docente, que – entre outros dislates - dividiu a carreira entre “titulares” e… “suplentes”(?!), estrangulando as possibilidades de progressão profissional e tratando como igual o que se distingue pela sua especificidade. Que o digam os Educadores de Infância e os Professores do 1.º CEB…
Cumulativamente, persiste a questão do actual modelo de gestão das escolas. As comunidades educativas, na sua maioria, já perceberam que os Conselhos Gerais poderão não ser verdadeiramente representativos dos anseios e vontades maioritários, com tramitações processuais que se poderão prestar a manipulações ou actuações pouco confessáveis, afigurando-se premente, em matéria electiva, voltar ao princípio de TODOS e cada um dos agentes valerem (mesmo) um voto.
A ver vamos se haverá tempo e vontade para atacar governamentalmente e em regime de concertação com todos os actores educativos, as questões que parecem sufocar sector tão determinante para o desenvolvimento geracional do país.
José Manuel Alho

Autoria e outros dados (tags, etc)

Jô Soares dixit

por José Manuel Alho, em 20.10.09

Sobre o Professor

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 PADRES

Acredito em Deus. Sou católico e esforço-me para, em cada fracção de momento desta nem sempre útil existência, ser digno do amor e companhia que sinto guiarem-me numa caminhada que estará, todos o sabemos, longe de ser previsível e repleta de rosas. Somos seres humanos cuja essência não assenta, desiludam-se os presunçosos, no primado da perfeição. Ostentamos virtudes e carregamos defeitos, que nos desafiam a optimizarmos o bom e a superarmos as imperfeições, na dolorosa construção de um equilíbrio sobre o qual (ainda) impendem sérias dúvidas se será ou não alcançável.
Nesta óptica, a Igreja que professo é feita de homens, que, em rigor, não serão bons nem maus; serão, principalmente, conforme. Para os que só agora acordaram para essa evidência, os padres também são homens, com qualidades e limitações várias. Em resumo, comuns mortais como nós. Isso não os torna imunes à crítica, ao reparo, se consistente e fundamentado. De igual modo, não poderão, só por serem padres, transformar-se em alvos demasiadamente fáceis para ataques grosseiramente soezes e desprovidos de boa-fé. Não sendo a Igreja uma democracia na dimensão mais pura e fiel do termo, aceitará, estou certo, esta inevitabilidade inerente à liberdade de expressão e de pensamento, que (só) enobrece o Homem.
No mais, não cumprirá aqui ponderar reflexivamente os que, no seio da própria hierarquia religiosa, afiançam a dispensabilidade de “intermediários”, corrente teológica que pugna pelo esvaziamento de funções dos que “ousam” interpor-se numa relação supostamente individual, única e, por isso, inviolável. São questões que não cabem no âmbito desta despretensiosa meditação. Por mim, reconheço à figura do PADRE inegáveis méritos, que vão desde a dinamização das populações, passando pelos esforços de congregação comunitária até ao desenvolvimento de uma espiritualidade sã em prol de um ideário reconhecidamente atemporal.
 
Mais do que uma rábula revisteira...
Vou relatar um episódio que só julgaria possível se enquadrada numa qualquer rábula revisteira, excepcionalmente simples mas, também por isso, tremendamente esclarecedora. Não interessa onde teve lugar o sucedido, nem tão pouco os protagonistas de tão surrealista ocorrência. Vai perceber que o importante será a análise das atitudes e os presumíveis arquétipos mentais que os suscitaram. Imagine um convívio organizado por uma comunidade paroquial, num determinado local prazenteiro. De manhã, os crentes, irmanados por um espírito de comunhão e partilha, participaram nas celebrações religiosas. Uma poética mistura de fervor e recato, que muito designarão por fé. Seguiu-se o almoço. Convívio, alegria e o privilégio de se sentirem, nestes tempos de cruéis individualismos, parte de uma comunidade que percebe e sente tanto a alegria como a tristeza do amigo. Coisa rara. O “Sr. Padre”, que até então desconhecia, também lá estava. Em nenhum momento, cedeu à tentação de despir a batina, preta e já atacada pela “praga” da poeira, como se fizesse questão de ser visto e tratado por...”Sr. Padre”. Não se sabe até se terá tentado alguma aproximação a qualquer mesa durante o almoço. Enfim, cada um tem o seu estilo em função da sua personalidade.
À tarde, tempo de divertimento. Jogos tradicionais e a muito aguardada actuação de um grupo musical. O agrupamento lá faz as derradeiras afinações – “1,2,3...” e “ah! ah!...” – e inicia a cantoria. Maior normalidade que isto seria impossível. Para azar dos abnegados músicos e solistas, ainda a primeira música estava no seu início, com a assistência já a dançar, e o “Sr. Padre”, num estilo alucinado mas judicativo, a fazer lembrar o Diácono "Remédios”, entra de rompante e desaustinado no palco, pegando, com notória agressividade, no braço da primeira pessoa que encontrou – por sinal, uma criancinha totalmente vestida – e dispara, alto e bom som, em frente aos microfones: “ a menina sabe o que está a cantar ?! Ali, ao fundo existe um templo religioso !...” Bem, instalou-se a confusão. O pai da menina, os elementos do conjunto, absolutamente incrédulos, esboçaram a reacção possível.
Mas não é que o homem tinha jeito para a discussão?! Em tom incompreensivelmente exaltado e de dedo sempre em riste para quem ousasse dirigir-lhe a palavra, lá ensaiou dissertar sobre “esta música ordinária que desencaminha as melhores famílias”, “vocês sabem que há estudos que....”, “já pensaram bem no significado da palavra pimba ?!”, “as pessoas andam cegas; basta ter dois dedos de testa para ver que isto não se pode cantar perto de uma igreja!!” Os indivíduos do conjunto musical estavam siderados. Palavras como “morango”, “carro”, ”culinária”, “pau” ou até mesmo “vizinha” eram obra e congeminação do Demo. Já tinham actuado em tanto adro de igreja e nenhum padre os havia alertado para o risco que representavam para a sociedade... Todo o reportório estaria afinal interdito. Era, simplesmente, pecaminoso.
Só os paroquianos do “Sr. Padre” permaneceram serenos, não conferindo ao sucedido importância alguma. Fiquei perplexo. Por momentos, as pessoas assistiam refasteladas ao espectáculo protagonizado pelo prior em troca acesa de opiniões com os elementos da atracção musical convidada, enquanto a menina chorava, prometendo não voltar ao tablado. Tentei compreender o comportamento daquela comunidade até que alguém, ao lado, confidencia, “nós já deixámos de ligar ! Ele é assim....”
Depois de uns dez minutos de glória, o “Sr. Padre” lá se decidiu por abandonar o palco, que não era o seu, e permitir que o contrato oportunamente conseguido pela organização se cumprisse. As pessoas – homens e mulheres; novos e velhos – lá dançaram até à exaustão. E não é que o religioso assistiu ao espectáculo até ao fim ?! Tive pena do homem. Tentou, da pior forma, ser o “artista” da tarde e as suas “ovelhas” não lhe obedeceram porque, imagine-se, já “não ligam” ao que diz. Acabou desautorizado, num dia bonito a todos os títulos. Não foi merecedor do desejo de comunhão e partilha dos seus paroquianos. Entrei no carro e enquanto colocava o cinto de segurança, confidenciei com a minha mulher: ”nós, em Albergaria, temos pastores a valer".
Este episódio promoveria múltiplas abordagens. A maioria delas ficarão com o amigo leitor, agora que tem tempo para pensar em outras coisas que não as prestações do carro ou da casa. No entanto, permito-me criticar a postura de alguns (poucos) padres que se julgam donos da moral e da consciência colectiva e, que através das funções sacerdotais que exercem, se permitem, ainda que involuntariamente, manipular, controlar ou proibir o que quer que seja. Já o velho adágio determinava que “quem mal não faz, mal não pensa” e se o divertimento fosse, sem excepção e com penosa leviandade, conotado sempre com pecado, a vida seria sempre em tons de cinzento e não mais se fariam festejos religiosos ou outros. Para mim, Deus é alegria, paz e comunhão no respeito pelo direito à vida, à dignidade e, acima de tudo, à felicidade. E não me consta que, alguma vez, a censura tenha contribuído para a felicidade de alguém.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Na ressaca das Autárquicas em Albergaria-a-Velha

por José Manuel Alho, em 14.10.09

 PSD desce mas não perde

maioria absoluta

* João Agostinho Pereira perde eleição na sede do concelho. PS, com ligeiro aumento, fica muito aquém das expectativas, com derrota humilhante em Angeja – território de Jesus Vidinha. CDS/PP sobe dez pontos percentuais e António Loureiro tem aberto o caminho para, dentro de quatro anos, poder ser o novo presidente da edilidade.
Bastou a João Agostinho Pereira (JAP) triunfos indiscutíveis em Alquerubim, Branca e S. João de Loure para, no essencial, manter-se, com maioria absoluta, na presidência da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha. Apesar de, numa comparação homóloga com o sufrágio de 2005, ter descido 8%, O PSD Albergaria mantém a sua posição maioritária, apesar de serem visíveis os danos resultantes de um desgaste que, mais do que nunca, assolou a sede do concelho.
António Loureiro, pelo CDS/PP, ganhou por seu turno a votação para a autarquia na freguesia sede do município. Estará porventura lançado o próximo presidente da edilidade (passou dos 23.13% em 2005 para os 33.28% em 2009) se JAP e o PSD persistirem em negligenciar a freguesia mais esquecida dos seus últimos mandatos. Em rigor, fruto de uma teimosia inconsequente, assente em birras e posturas que roçaram uma agressividade contraproducente, JAP parece agora confrontado com uma curva descendente nos seus índices de popularidade, que terá contagiado Torres e Menezes que, mesmo vencendo a corrida para a Junta de Freguesia de Albergaria, perde a maioria naquela autarquia.
O CDS/PP parece encetar nestas eleições sólida recuperação, detendo já três Juntas de Freguesia. Na verdade, António Loureiro concebeu e realizou uma boa campanha que, se durasse mais uns dias, poderia ameaçar a maioria de JAP.
Com pouca representação eleitoral, a CDU e o BE acentuaram a necessidade de proceder a uma refundação dos seus quadros locais tendo em vista maior implantação junto das populações. O PS, de Jesus Vidinha, apesar do simbólico aumento percentual, contabiliza inesperada derrota, que ganhou contornos de estrondosa humilhação em Angeja, freguesia natal do candidato. O futuro do PS Albergaria parece ter deixado definitivamente de passar por Vidinha, fortemente penalizado pelo facto de, em quatro anos, a sua oposição ter-se revelado incapaz a até penosamente inocente. Some-se a isto uma campanha triste e nada mobilizadora.
Dos vencedores, o seu programa eleitoral não propõe empreendimentos particularmente aliciantes ou aglutinadores. A ver vamos se não cairemos num marasmo tétrico, próprio de quem se acomodou à cadeira do poder e se limita a alimentar clientelas conjunturais ou oportunistas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Autárquicas em Albergaria-a-Velha

por José Manuel Alho, em 08.10.09

Valerá a pena?

 A poucos dias de novo acto eleitoral, confesso que, pela primeira vez desde que sou convocado a exercer tão nobre dever cívico, estou hesitante, para não dizer fortemente tentado, a ficar em casa.

A vida política nesta simpática vila é pobre, cinzenta e estafada. Não há debate nem uma cultura de confronto democrático. De quatro em quatro anos, é o frete do costume. Na verdade, este jogo parece ter "cartas marcadas".

Salvo uma ou outra excepção, as personalidades candidatas ostentam os apelidos do costume, numa dança das cadeiras pouco aliciante e prometedora. Os papás lá vão dando a vez às filhotas e aos primogénitos abençoados, enquanto os avós vão assegurando presença cirúrgica nos órgãos de decisão.

Pouco permeável a uma genuína renovação, as direcções concelhias dos partidos nacionais vão abrigando descamisados da vida profissional ou associativa. É tudo muito sofrível, a roçar uma mediocridade que impõe, sem grandes pruridos, a exclusão das verdadeiras elites intelectuais do concelho.

Por seu turno, as máquinas exibem armas e meios desiguais. Do poder, vem uma demonstração de força e poder propagandístico assinalável, bem longe do amadorismo generoso dos demais concorrentes.

O Povo, percebendo que atravessamos tempos de aperto, lá se vai contentando com esferográficas e saquinhos coloridos, a certificar um modo de pensar e fazer política perigosamente redutor. Lá no fundo, e após uma consulta ponderada dos programas, ressalta a evidência que esta fornada de (pseudo)autarcas não tem - porque nunca teve... - muito para oferecer à colectividade.

Afinal, valerá a pena votar? Em quem e no quê?

Autoria e outros dados (tags, etc)

A propósito do Dia do PROFESSOR

por José Manuel Alho, em 06.10.09

 

Se SER Professor está difícil,

SER PROFESSOR do 1.º CEB é um exercício

de espantosa sobrevivência

Ontem, dia 5 de Outubro, comemorou-se mais um Dia do Professor. Ainda que escusadamente menorizada pela efeméride da implantação da República em Portugal, nada justificará o cruel esquecimento a que foi votada tão emblemática data. Mera coincidência ou sinal da sociedade que somos?

Volvidos quatro anos sobre o mais violento e insolente ataque à carreira docente, ferindo de morte o seu prestígio profissional e social, importaria, com urgência, espoletar um movimento de reconhecimento e homenagem a todos quantos – mau grado o clima de inveja social há muito instalado – fazem e dão o seu melhor em prol da formação, integral e harmoniosa, de cidadãos livres, autónomos e responsáveis.

O Sistema Educativo tem padecido de um experimentalismo sem fim. Cada Ministro sua Reforma. Esta lógica provinciana de pensar e formatar a Educação, à luz de conveniências e interesses episódicos, tem amesquinhado um sector, mais do que nunca, carecido de tranquilidade e rotina. Desde há décadas, parece normal que um profissional do Ensino Superior – nado e crescido num aparelho partidário vocacionado para as benesses em tempo de responsabilidades governamentais – assuma a pasta da Educação. Curiosamente, nunca um docente do ensino Básico ou Secundário foi promovido a Ministro do Ensino Superior. Tal ousadia seria um escândalo que ameaçaria uma tosca hierarquia que tantas gerações de oportunistas se empenharam em perpetuar.

Esgotadas estas considerações genéricas, reportar-me-ei à situação actual dos docentes do 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB) – anteriormente conhecidos como professores do Ensino Primário. Com o advento dos agrupamentos verticais, tornaram-se a face visível da cauda do cometa. Desconsiderados e crescentemente esquecidos, foram entretanto prejudicados com a extinção da figura de agrupamentos horizontais (ensino pré-escolar + 1.º CEB), uma alternativa menos má, mas porventura pouco económica para os desconcertantes e pouco racionais cofres públicos.

Encerrando-se escolas e negligenciada, de modo grosseiro, a especificidade da sua acção, cometeram-se  inesperadas agressões que, sem apelo nem agravo, relegaram o Professor do 1.º CEB para um plano inferior da cadeia educativa. Está injustamente diluída a nobreza da sua actividade num atormentado oceano de insólitas atribuições, que o impelem para funções que não encontram correspondência (mesmo) no actual quadro legal que regula o seu desempenho.

Há uns dias, uma professora de um agrupamento do concelho de Sintra, enviava-me um generoso mas eloquente mail. Generoso pelos encómios a um conjunto de intervenções minhas não mais que normais. Eloquente porque descrevia um cenário que sabemos extensivo a milhares de realidades por este país fora. Dizia ela que no primeiro dia de aulas – usualmente dedicado à recepção de Pais e Alunos – distribuiu, entre informações, panfletos e convocatórias, um total de 12 papéis a cada família(?!). Cumulativamente, foi “incumbida” de, todos os dias, preencher o mapa de almoços, o registo do consumo do leite escolar entre outras funções que mais se assemelharão a um caderno de encargos de uma qualquer secretaria. Sim, porque os serviços administrativos dos agrupamentos tendem, cada vez mais, a tornar os docentes do 1.º CEB meros colegas de trabalho a quem tudo se pode pedir e até exigir. “Tudo isto”, afiançava e tarimbada professora, “atestará o desprestígio” a que estão sujeitos estes profissionais da educação, que "assim parecem espoliados do justo direito a terem vida própria para além da ESCOLA". Afiançava ainda que "enquanto os colegas de outros níveis de ensino, com direito a tardes e a manhãs livres, podem (muito justamente) ler o jornal ou ter uma simples conversa de ocasião nos seus intervalos, os seus colegas do 1.º CEB estão também obrigados a assegurar a vigilância dos recreios". Eis pois o esplendor da menoridade plasmado nesta impagável lusitana realidade!

Em bom rigor, os agrupamentos verticais terão sido uma solução aceitável para todos, menos para o 1.º CEB. Alunos e professores estão agora prejudicados num emaranhado e exigências e expectativas que desvirtuam, com irrefragável gravidade, a distinção da sua intervenção educativa. Um pouco por todas as escolas, aqueles docentes deparam-se com a insuficiência de pessoal auxiliar e de material de reprografia; a inexistência de internet; um horário de trabalho estropiado pelas Actividades de Enriquecimento Curricular (vulgo AEC’s) agora “enlatadas” no período da manhã como no da tarde, já para não falar do desprezo institucional com que, neste novo regime de autonomia e gestão da escolas, passaram a ser brindados.

Aliás e como o novo enquadramento legal veio acentuar o deficit de representatividade do 1.º CEB, sem qualquer peso eleitoral, é igualmente possível que, em muitos agrupamentos, a absoluta falta de critérios para a designação/nomeação dos professores mais habilitados para determinados cargos, tenha originado decisões obtusas que o tempo se encarregará de revelar impróprias para consumo. Lamber as mãos da direcção de um agrupamento, abanando a cauda em jeito de venerado reconhecimento, não será nunca sinónimo de competência. De igual modo, qualquer direcção que se esforce por hostilizar ou liquidar a massa crítica da sua organização não estará a cuidar de prosseguir o superior interesse público.

Há pouco tempo atrás, um moço recém-empossado na direcção de um agrupamento do norte, cujos moralizados cueiros denunciam um lastro de bosta sem paralelo num raio de 1 800 Km, ousou vangloriar-se do processo por si encontrado – sim; tem direitos de autor… - para designar os docentes do 1.º CEB. Disse ele, entre uma roda de comparsas, que “tirei-lhes logo a pinta”, rematando com tonto orgulho “não foi preciso muito para ver quem escolhia”. Chegámos à beira do abismo. Alguns já terão mesmo dado um passo em frente. É o que faz conceber legislações com guia verde para a tomada de posições pesporrentes assentes no sempre cómodo mas abstracto princípio da “confiança pessoal”, sem impor critérios regulamentares que reduzam, ao limite do tolerável, a suspeita de favorecimento pessoal de uns em detrimento da competência de outros.

Em qualquer dos casos, espera-se que as respectivas Direcções Regionais de Educação, os núcleos da Inspecção-Geral de Educação ou, em última instância, o Ministério de Educação invistam numa sistemática monitorização de proximidade para poderem actuar de forma a corrigir abusos que se revelem contrários à Lei, à Ética, à Boa-Fé e à Lisura de Processos.

Em resumo, se SER Professor está difícil, SER PROFESSOR do 1.º CEB é, cada vez mais, um exercício de resistência e de espantosa sobrevivência.

José Manuel Alho

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Repto


No meio da rua...


Alhadas passadas

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

Links

Educação

Outros BLOGS

Recursos