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Vale Mais Perdoar

do que Vingar-se

 

Vale mais perdoar do que vingar-se. Acreditar nisto e vivê-lo é ter fé. Há quem pense que ter fé é acreditar noutras vidas. Mas um acto de fé, de fé vivida, é acreditar e agir convencido que mais vale amar. É fé porque anda tudo a dizer o contrário: 'Vinga-te, mostra os teus direitos, impõe-te.' É nisso que as pessoas acreditam, e o nosso mundo é o que se vê, porque não se acredita no amor.

(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'

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Voltou a chuva

por José Manuel Alho, em 27.11.09

 

Chuva

Chuva, caindo tão mansa,
Na paisagem do momento,
Trazes mais esta lembrança
De profundo isolamento.

Chuva, caindo em silêncio
Na tarde, sem claridade...
A meu sonhar d'hoje, vence-o
Uma infinita saudade.

Chuva, caindo tão mansa,
Em branda serenidade.
Hoje minh'alma descansa.
— Que perfeita intimidade!...

Francisco Bugalho, in "Paisagem"

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Quem protege o Consumidor?

* Aparentemente abandonada pela sua Seguradora, em razão de uma alegada situação de menoridade da SEGURO DIRECTO no seio do Grupo AXA, a minha mulher, mais do que reclamar (sem êxito) junto da sua seguradora pelo modo como sentia os seus direitos (processuais e outros) gravemente atropelados, dirigiu-se também ao que julgava ser uma Autoridade de SUPERVISÃO. É a mania da consciência cívica...

Mandou o infortúnio, havido em 28 de Maio passado com a minha mulher, ter de conhecer, com excepcional acuidade, as regras por que se regerá o sinuoso mundo de (algumas) companhias seguradoras.

Um grave acidente de viação, onde a responsabilidade terá sido apurada e imputada com inusitada rapidez, a merecer honras de record do Guiness - afinal, de que valerão os direitos de um "portuga" (vulgo, particular) quando confrontados com os de uma empresa detentora de numerosa frota de pesados de mercadorias e claramente influente  em determinada zona geográfica e pela qual até as autoridades policiais nutrirão, ao que parece, acrescida reverência? - obrigou-me a recorrer ao Instituto de Seguros de Portugal (ISP).

Vem tudo isto a propósito de notícias ultimamente publicadas em diversos órgãos comunicação social, mormente no programa "Nós Por Cá", da SIC. Em várias situações, cidadãos anónimos terão recorrido ao ISP enquanto Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões a fim de relatar práticas e procedimentos tidos, pelo menos, como discutíveis.

Como em muitas dessas situações as respostas ou não vieram ou foram claramente insuficientes para as exigências expectáveis, ter-se-ão levantado questões de índole diversa sobre a postura daquela Autoridade e suas efectivas atribuições legais.

No caso da minha mulher, que esteve mais de duas horas encarcerada na sua viatura em consequência de um abalroamento por um pesado de mercadorias com reboque - não podendo por isso ser auscultada na ocasião do sinistro, facto que, segundo consta, funcionou em seu desfavor pois, nem no Hospital onde esteve longas semanas, foi alguma vez recolhido o seu depoimento... (já sabem: em caso de acidente que resulte em fracturas da anca, costelas, cervical, pernas e braços não vale ficar no carro! Dor é p'ra sentir no fim!Importa é marcar presença [erecta] nas diligências junto de potenciais testemunhas dê por onde der!) - deparámo-nos com desagradável situação de a (até então) nossa companhia seguradora, a SEGURO DIRECTO Gere, SA, pertencer, desde 2005, ao Grupo AXA, precisamente a Seguradora do pesado envolvido no acidente em apreço. Ele há coisas!

Porque a tramitação processual terá sido deveras... exótica - deixemos o Tribunal pronunciar-se a seu tempo sobre esta e outras matérias... - ao ponto de a vítima nunca ter sido ouvida (?!) pelo perito, denunciámos, por exemplo, ao ISP - com a competente prova documental - o facto de aquele ter-se feito passar por funcionário da SEGURO DIRECTO para sacar informações confidenciais respeitantes à minha mulher.

Supostamente exterior às partes e aos interesses em contenda, pareceu-nos sempre que as averiguações (na sua forma e conteúdo) levadas a cabo por aquele perito estariam, desde o início, inquinadas ao ponto de presumirmos que, definida uma eventual conclusão, se terá trabalhado para corroborar uma determinada versão do acidente, porventura "mais em conta".

Aparentemente abandonada pela sua Seguradora, em razão de uma alegada situação de menoridade da SEGURO DIRECTO no seio do Grupo AXA, a minha mulher, mais do que reclamar (sem êxito) junto da sua seguradora pelo modo como sentia os seus direitos (processuais e outros) gravemente atropelados, dirigiu-se também ao que julgava ser uma Autoridade de SUPERVISÃO. É a mania da consciência cívica...

A esta distância, estarei - se calhar - mais tentado a pensar que poderemos estar mais perto de um Instituto DOS Seguros de Portugal do que propriamente perante uma Autoridade de Supervisão de Seguros. Sobre a questão do perito (?), que assinou comunicação como sendo funcionário da SEGURO DIRECTO, respondeu o ISP:»(...) somos a informar que desde o ano de 2005 a Seguro Directo Gere, Companhia de Seguros, SA, passou a integrar o Grupo AXA, pelo que é natural que tenha funcionários em comum.» Isto é uma pérola. Não tem preço. Nós por cá somos assim...

Pensava eu que a acção dos peritos não estava acoplada a relações laborais com esta ou aquela seguradora pelo que, quando os próprios serviços de atendimento da SEGURO DIRECTO, perante o exposto, reconhecem estar perante "comportamento altamente irregular", o ISP parece remeter tudo e todos para a esfera do "natural". Estamos conversados.

Em consequência, aqui deixo várias reflexões:

  • O ISP precisará, quiçá, de uma "vassourada" ao nível das suas chefias máximas e intermédias por forma a combater a impressão, em muitos instalada, de que não passará de uma caixa de ressonância dos interesses das Seguradoras, sem coragem nem vocação para proteger o Consumidor;
  • Mais do que justificada, é URGENTE uma intervenção moralizadora e disciplinadora no sector de modo a destrinçar o trigo do joio, identificando as boas práticas e expurgando vigorosamente os maus exemplos.
  • Não recomendo a SEGURO DIRECTO a ninguém. Colegas, familiares, amigos ou prezados visitantes/leitores. Até o seu departamento de reclamações mais parece uma extensão da AXA. Um escândalo! Neste caso em particular, um dos seus profissionais terá revelado total ausência de respeito e de sensibilidade para com a sua segurada e seu estado de saúde. Inclusivamente, desde o recurso ao ISP, onde também se denunciaram práticas que temos por censuráveis, a minha mulher terá sido sujeita a várias retaliações, mormente no pagamento das despesas de tratamento. Cumulativamente, a activação da Protecção Jurídica é uma odisseia que parece somente ao alcance de VIP's ou amigalhaços.
  • Lamento e repudio veementemente a aparente promiscuidade entre os serviços da SEGURO DIRECTO e da AXA, mais visíveis porventura em casos que opõem segurados das duas companhias. Quem se lixará será (sempre) o cliente "formiga" se confrontado com um "elefante" titular de gorda carteira de apólices.
  • Lamentavelmente, e mesmo convicto da razão que lhe assiste, o cidadão, quando mergulhado num mar de pífias habilidades de duas seguradoras do mesmo universo empresarial, só terá ao seu alcance o recurso aos Tribunais. E todos sabemos como a Justiça está barata e célere...
  • Apesar de tudo, não se confunda a árvore com a floresta. Há companhias seguradoras que até respeitarão os seus clientes ao ponto de os tratarem de forma transparente, sem recorrer a expedientes inconfessáveis, primando a sua acção pela lisura e lealdade processuais.
  • Num acidente, não basta ter a GRAÇA de sair vivo. É igualmente preciso o milagre de estar, no momento certo, metido com as seguradoras certas!

 

Fotos do estado da viatura da m/ mulher em consequência do acidente ocorrido a 28/MAI/2009.

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Doença impediu divulgação

Esta última semana poderá ter marcado um ponto de viragem no relacionamento entre Professores e suas organizações sindicais com o Ministério da Educação. O Projecto de Resolução aprovado pela AR abre uma importante janela de oportunidade(s) que convirá não desperdiçar.

Infelizmente, estive acamado por força de uma gripe sazonal que não me poupou. Ainda assim, cumpre notar o esforço de informação e de esclarecimento encetado pelos Grupos Parlamentares com assento na Assembleia da República - excepção feita ao do PS - que me contactaram via e-mail e em devido tempo solicitaram a divulgação das suas iniciativas legislativas. Teriam sido aqui todas veiculadas não fosse o problema de saúde que me afastou do computador. Ainda que forçosamente alheio ao facto, as minhas desculpas.

Neste particular, uma nota de destaque para a forma profissional e cuidada como o Grupo Parlamentar do CDS-PP efectuou a promoção da sua diligência parlamentar a certificar a máxima "em serviço, não se brinca".

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Aqui há gato?

Ou, se calhar, nem por isso…

* Como professor e funcionário do Estado, sou todos os dias enxovalhado, amesquinhado e acusado de ter aumentado
o deficit das contas públicas.
Tenho o que mereço.
Afinal, não tenho a agilidade mental e intelectual
para sacar o melhor que este país tem para oferecer.
Em 2001, uma família portuguesa, fruto de um palpite plenamente conseguido no Totoloto, recebeu uma quantia fantástica de dinheiro – calculada em 600 mil €uros no âmbito de uma sociedade – que fez dela proprietária de um património por muitos sonhado mas por poucos gozado.
São donos de um pé-de-meia cobiçável: duas moradias, avaliadas em setecentos mil euros, e três carros topo de gama. Pena é que, passados oito anos, vivam agora à conta do Estado. Isto é: apesar das duas casas e três carros, vivem por conta do subsídio estatal e esperam por mais auxílios.
Ao que constará, a Segurança Social achará tudo legal. Argumentar-se-á que aquele agregado familiar não tem liquidez e a assistência será por isso fundamental. A cada mês caem 365,56 euros. Mãe e filho até aguardam por nova ajuda da Segurança Social. Fonte do Instituto de Segurança Social (ISS) afiançou ao jornal “Correio da Manhã” que "trata-se de um agregado desestruturado, com um quadro familiar muito complexo. Enriqueceram subitamente e não demonstraram ter as competências necessárias à gestão do património, bem como à perspectivação do seu futuro. Para além da falência da empresa que criaram, viram-se sem qualquer tipo de rendimentos líquidos, embora com património", sustentando assim a decisão de dar a esta família o Rendimento Social de Inserção (RSI).
A populaça lá do sítio, conhecedora do enredo e dos protagonistas, é que não acha piada alguma à história e criticam o tratamento estatal dado aos pobres milionários. O filho do casal, com 21 anos, respondeu ao jornalista João Carlos Malta com certeira indiferença: "Isso que as pessoas dizem não interessa, porque a Segurança Social sabe de tudo o que se passa, está lá tudo escrito". Bem, se está escrito, escrito está. Há papéis que porventura se sobreporão às evidências denunciadas pela visão experimentada e sábia do Zé Povinho…
A mamãe do menino também fica indignada com a desconfiança do povão: "Ainda estou à espera de receber, porque tenho direito. O meu filho também está à espera e as técnicas da Segurança Social já me disseram que seria beneficiado. Eu é que preferia que ele fosse trabalhar e ganhasse melhor. 190 euros não chegam para viver" - asseverou.
Contudo, um e outro admitem que o património que têm hoje será talvez mais valioso do que o prémio que ganharam em 2001. Tudo está a venda, garantem. O objectivo está definido: uma vida nova e bem longe daquele lugar.
"As duas casas que o agregado familiar possui encontram-se à venda numa imobiliária, uma delas já desde 2007. A segunda habitação, que não a residência actual, foi considerada no cálculo da prestação do RSI", afiançou a mesma fonte do ISS. Por fim, saliente-se que a matriarca requereu há três meses a pensão de invalidez, mas foi considerada apta pela junta médica. Nem tudo pode correr bem… à primeira.
Adoro este país. Como fico contente de, enquanto trabalho e pago semelhante pote de impostos, ter a convicção de estar a ajudar (estas) pessoas tão carenciadas e desvalidas!!
Além do mais, como professor e funcionário do Estado, sou todos os dias enxovalhado, amesquinhado e acusado de ter aumentado o deficit das contas públicas. Tenho o que mereço. Afinal, não tenho a agilidade mental e intelectual para sacar o melhor que este país de sonsos ou espertos tem para oferecer.
Caçando com gato ou sem ele - e porque os meus olhos cansados choram, cada vez mais, duras ironias - cresce em mim a tonta convicção de que o “burro” sou (mesmo) eu…
 
FOTO de Jorge Soares

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Olhos

 

Olhos:
brilhantes da chuva que caiu
quando Deus me mandou beber.

Olhos:
ouro, que a noite me contou nas mãos,
quando colhi urtigas
e fiz arrepender as sombras dos Provérbios.

Olhos:
noite, que sobre mim resplandeceu, quando escancarei o portão
e atravessado pelo gelo invernoso das minhas fontes
saltei pelos lugares da eternidade.

Paul Celan, in "Papoila e Memória"
Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno

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Até nisto somos "portugas" incuráveis...

por José Manuel Alho, em 09.11.09

A Face Oculta

d'Os Sopranos à portuguesa

Já temos a nossa versão dessa emblemática série "Os Sopranos". Num universo dominado pela Sucata, o sucateiro mor, Manuel Godinho - será o diminutivo de "Bigodinho"? - vê-se no meio de tosca trama que parece percorrer um longo e enriquecido roteiro gastronómico, que metem escutas e fotografias (com)prometedoras.

A crise dita as suas regras com cartas rígidas. Há favores que, ao que constará, não ultrapassam a cifra dos 10 000 €uros, entre carros de alta cilindrada alegadamente importados. Portugal merecia uma réplica mais refinada, porventura polvilhada com vestidos da alta costura e obras de arte cristalizados pela História, entre sinuosas taras e manias ostensivamente excêntricas, que certificassem o envolvimento de personagens temivelmente implacáveis. Mas a adaptação está um pouco - como direi?... - rasca.

Esta fatalidade decorrente de estarmos na cauda da Europa dá (sempre) nisto. Até parece que não sabemos fazer mais e melhor. Somos bons. Quando queremos e... podemos. Mas com orçamentos ao nível do Sporting, tudo se torna previsível, gasto e sem qualquer rasgo de inovação.

Com certidões que a comunicação social afiança terem estado paradas quatro meses na PGR, envolvendo escutas ao nosso Primeiro - Oh! Já é tempo de largarem o homem... - afigura-se premente uma apreciação ligeiramente mais sisuda.

Como estaremos eventualmente perante uma parcela de uma teia tida por tentacular, convém esperar pelos próximos episódios. O envolvimento de quadros das grandes empresas públicas, agilizando expedientes mais ou menos confessáveis, é, contudo, matéria de excepcional gravidade.

No entanto, grave para o país e para a jovem democracia que o suporta,  é este misto de sentimentos assente na percepção que as investigações criminais aos graúdos não possuirão os meios necessários à sua conclusão e a impressão que a impunidade contempla(rá), sem grandes pruridos, os mais poderosos.

Numa sociedade vincadamente assistencialista, onde elevada percentagem da população receberá um subsídiozinho para compor o ramalhete orçamental, (ainda) não existe grande consciência cívica para, através de uma esclarecida e reiterada indignação perante a corrupção, exigir JUSTIÇA.

Muito mal irá um país quando, mais importante do que ser Ministro é, na verdade, tê-lo sido...

 

 

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Com beijinhos da Senhora Ministra

por José Manuel Alho, em 07.11.09

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A propósito da história de vida de Cody McCasland

por José Manuel Alho, em 04.11.09

Mesmo sabendo (há muito) que a VIDA - com a sua lógica cruelmente mecanizada e trituradora - fragiliza os fortes e amesquinha os fracos, um petiz voltou hoje a lembrar-me que na CRIANÇA reside uma estranha mas poderosa capacidade de regeneração que supera, como que por magia divina, a desvantagem mais ingrata. Como afiançaria Giacomo Leopardi, "As crianças acham tudo em nada, os homens não acham nada em tudo"...

 

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De António Macedo

por José Manuel Alho, em 02.11.09

Os olhos também comem

 

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