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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.
Vale mais perdoar do que vingar-se. Acreditar nisto e vivê-lo é ter fé. Há quem pense que ter fé é acreditar noutras vidas. Mas um acto de fé, de fé vivida, é acreditar e agir convencido que mais vale amar. É fé porque anda tudo a dizer o contrário: 'Vinga-te, mostra os teus direitos, impõe-te.' É nisso que as pessoas acreditam, e o nosso mundo é o que se vê, porque não se acredita no amor.
(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'
Mandou o infortúnio, havido em 28 de Maio passado com a minha mulher, ter de conhecer, com excepcional acuidade, as regras por que se regerá o sinuoso mundo de (algumas) companhias seguradoras.
Um grave acidente de viação, onde a responsabilidade terá sido apurada e imputada com inusitada rapidez, a merecer honras de record do Guiness - afinal, de que valerão os direitos de um "portuga" (vulgo, particular) quando confrontados com os de uma empresa detentora de numerosa frota de pesados de mercadorias e claramente influente em determinada zona geográfica e pela qual até as autoridades policiais nutrirão, ao que parece, acrescida reverência? - obrigou-me a recorrer ao Instituto de Seguros de Portugal (ISP).
Vem tudo isto a propósito de notícias ultimamente publicadas em diversos órgãos comunicação social, mormente no programa "Nós Por Cá", da SIC. Em várias situações, cidadãos anónimos terão recorrido ao ISP enquanto Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões a fim de relatar práticas e procedimentos tidos, pelo menos, como discutíveis.
Como em muitas dessas situações as respostas ou não vieram ou foram claramente insuficientes para as exigências expectáveis, ter-se-ão levantado questões de índole diversa sobre a postura daquela Autoridade e suas efectivas atribuições legais.
No caso da minha mulher, que
esteve mais de duas horas encarcerada na sua viatura em consequência de um abalroamento por um pesado de mercadorias com reboque - não podendo por isso ser auscultada na ocasião do sinistro, facto que, segundo consta, funcionou em seu desfavor pois, nem no Hospital onde esteve longas semanas, foi alguma vez recolhido o seu depoimento... (já sabem: em caso de acidente que resulte em fracturas da anca, costelas, cervical, pernas e braços não vale ficar no carro! Dor é p'ra sentir no fim!Importa é marcar presença [erecta] nas diligências junto de potenciais testemunhas dê por onde der!) - deparámo-nos com desagradável situação de a (até então) nossa companhia seguradora, a SEGURO DIRECTO Gere, SA, pertencer, desde 2005, ao Grupo AXA, precisamente a Seguradora do pesado envolvido no acidente em apreço. Ele há coisas!
Porque a tramitação processual terá sido deveras... exótica - deixemos o Tribunal pronunciar-se a seu tempo sobre esta e outras matérias... - ao ponto de a vítima nunca ter sido ouvida (?!) pelo perito, denunciámos, por exemplo, ao ISP - com
a competente prova documental - o facto de aquele ter-se feito passar por funcionário da SEGURO DIRECTO para sacar informações confidenciais respeitantes à minha mulher.
Supostamente exterior às partes e aos interesses em contenda, pareceu-nos sempre que as averiguações (na sua forma e conteúdo) levadas a cabo por aquele perito estariam, desde o início, inquinadas ao ponto de presumirmos que, definida uma eventual conclusão, se terá trabalhado para corroborar uma determinada versão do acidente, porventura "mais em conta".
Aparentemente abandonada pela sua Seguradora, em razão de uma alegada situação de menoridade da SEGURO DIRECTO no seio do Grupo AXA, a minha mulher, mais do que reclamar (sem êxito) junto da sua seguradora pelo modo como sentia os seus direitos (processuais e outros) gravemente atropelados, dirigiu-se também ao que julgava ser uma Autoridade de SUPERVISÃO. É a mania da consciência cívica...
A esta distância, estarei - se calhar - mais tentado
a pensar que poderemos estar mais perto de um Instituto DOS Seguros de Portugal do que propriamente perante uma Autoridade de Supervisão de Seguros. Sobre a questão do perito (?), que assinou comunicação como sendo funcionário da SEGURO DIRECTO, respondeu o ISP:»(...) somos a informar que desde o ano de 2005 a Seguro Directo Gere, Companhia de Seguros, SA, passou a integrar o Grupo AXA, pelo que é natural que tenha funcionários em comum.» Isto é uma pérola. Não tem preço. Nós por cá somos assim...
Pensava eu que a acção dos peritos não estava acoplada a relações laborais com esta ou aquela seguradora pelo que, quando os próprios serviços de atendimento da SEGURO DIRECTO, perante o exposto, reconhecem estar perante "comportamento altamente irregular", o ISP parece remeter tudo e todos para a esfera do "natural". Estamos conversados.
Em consequência, aqui deixo várias reflexões:
Fotos do estado da viatura da m/ mulher em consequência do acidente ocorrido a 28/MAI/2009.
Esta última semana poderá ter marcado um ponto de viragem no relacionamento entre Professores e suas organizações sindicais com o Ministério da Educação. O Projecto de Resolução aprovado pela AR abre uma importante janela de oportunidade(s) que convirá não desperdiçar.
Infelizmente, estive acamado por força de uma gripe sazonal que não me poupou. Ainda assim, cumpre notar o esforço de informação e de esclarecimento encetado pelos Grupos Parlamentares com assento na Assembleia da República - excepção feita ao do PS - que me contactaram via e-mail e em devido tempo solicitaram a divulgação das suas iniciativas legislativas. Teriam sido aqui todas veiculadas não fosse o problema de saúde que me afastou do computador. Ainda que forçosamente alheio ao facto, as minhas desculpas.
Neste particular, uma nota de destaque para a forma profissional e cuidada como o Grupo Parlamentar do CDS-PP efectuou a promoção da sua diligência parlamentar a certificar a máxima "em serviço, não se brinca".
Olhos:
brilhantes da chuva que caiu
quando Deus me mandou beber.
Olhos:
ouro, que a noite me contou nas mãos,
quando colhi urtigas
e fiz arrepender as sombras dos Provérbios.
Olhos:
noite, que sobre mim resplandeceu, quando escancarei o portão
e atravessado pelo gelo invernoso das minhas fontes
saltei pelos lugares da eternidade.
Paul Celan, in "Papoila e Memória"
Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno
Já temos a nossa versão dessa emblemática série "Os Sopranos". Num universo dominado pela Sucata, o sucateiro mor, Manuel Godinho - será o diminutivo de "Bigodinho"? - vê-se no meio de tosca trama que parece percorrer um longo e enriquecido roteiro gastronómico, que metem escutas e fotografias (com)prometedoras.
A crise dita as suas regras com cartas rígidas. Há favores que, ao que constará, não ultrapassam a cifra dos 10 000 €uros, entre carros de alta cilindrada alegadamente importados. Portugal merecia uma réplica mais refinada, porventura polvilhada com vestidos da alta costura e obras de arte cristalizados pela História, entre sinuosas taras e manias ostensivamente excêntricas, que certificassem o envolvimento de personagens temivelmente implacáveis. Mas a adaptação está um pouco - como direi?... - rasca.
Esta fatalidade decorrente de estarmos na cauda da Europa dá (sempre) nisto. Até parece que não sabemos fazer mais e melhor. Somos bons. Quando queremos e... podemos. Mas com orçamentos ao nível do Sporting, tudo se torna previsível, gasto e sem qualquer rasgo de inovação.
Com certidões que a comunicação social afiança terem estado paradas quatro meses na PGR, envolvendo escutas ao nosso Primeiro - Oh! Já é tempo de largarem o homem... - afigura-se premente uma apreciação ligeiramente mais sisuda.
Como estaremos eventualmente perante uma parcela de uma teia tida por tentacular, convém esperar pelos próximos episódios. O envolvimento de quadros das grandes empresas públicas, agilizando expedientes mais ou menos confessáveis, é, contudo, matéria de excepcional gravidade.
No entanto, grave para o país e para a jovem democracia que o suporta, é este misto de sentimentos assente na percepção que as investigações criminais aos graúdos não possuirão os meios necessários à sua conclusão e a impressão que a impunidade contempla(rá), sem grandes pruridos, os mais poderosos.
Numa sociedade vincadamente assistencialista, onde elevada percentagem da população receberá um subsídiozinho para compor o ramalhete orçamental, (ainda) não existe grande consciência cívica para, através de uma esclarecida e reiterada indignação perante a corrupção, exigir JUSTIÇA.
Muito mal irá um país quando, mais importante do que ser Ministro é, na verdade, tê-lo sido...