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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.
Falhado o acordo entre Professores e Ministério da Educação - que, presumo, jamais será alcançado com este PS - ficou uma vez mais patente uma insustentável inveja social pelos profissionais da educação, há muito patrocinada por quem, à falta de melhores ideias, optou por desancar forte e feio nos docentes.
Para alguns políticos carreiristas, este caso passou a ser uma bandeira populista e demagógica para exemplificar uma suposta vontade reformista que, para desgraça da colectividade, o futuro se encarregará de desmascarar.
Nos fora de participação da opinião pública realizados por estes dias na TV e na rádio, emergiu a ostensiva sofreguidão com que determinado aparelho partidário ousou manipular o sentimento geral, simulando nomes, profissões e idades que, sem excepção, desferiram insultos e outros ataques soezes aos Professores, recorrendo (bastas vezes) a uma reiterada ignorância para simplesmente desinformar.
Mais do que registar o nascimento desta nova ocupação profissional - "participante travestido de cidadão comum em debates radiofónicos e televisivos" - que, de manhã à noite, encarna múltiplas personagens de pendor vicentino, fica a certeza que a inveja social necessária para atingirmos este nível de conflituosidade continuará a ditar cartas. Na verdade e enquanto uma certa casta da "Brigada do Reumático" - a tal que diz guardar, com saudade, os tempos de "respeito" e "educação" do imaculado Salazar - persistir em denunciar-se intolerante ao ponto de debitar, sempre que necessário, um chorrilho pesporrente de mentiras, haverá sempre um qualquer Couto dos Santos a expor-se ao cumulo do ridículo numa qualquer rádio desta espécie de Portugal excepcionalmente atreito a propagandas da treta.
Ao 364.º dia de 2009, o Ministério da Educação parece ter passado ao lado de um entendimento há muito desejado - e até prometido - com a classe docente. Verificada a (previsível) mudança de estilo viabilizada por Isabel Alçada, parece que nada de significativo terá efectivamente mudado.
A nova ministra terá hoje desbaratado o capital de confiança inicialmente recolhido junto dos diversos agentes - grupo parlamentar do PSD incluído - para, com assinalável eficácia, encerrar tão delicado dossiê. Não ignorando a questão atinente à real capacidade política da actual equipa sediada na 5 de Outubro - faltará esclarecer se a conhecida escritora não passará de uma mera extensão política do braço do Primeiro-Ministro - restará ainda a penosa impressão de uma ministra aparentemente menorizada no seio deste elenco governativo, com um discurso nada fluente, que até chega a irritar de tão inconclusivo que é. Não será pois de estranhar que num destes dias Sócrates envie um dos seus assessores para disciplinar aquelas "variantes" de conferência de imprensa...
No essencial, a tutela tenderá a confundir o BONS professores com os maus, negando-lhes a expectativa de progressão na carreira. Estranhamente, poderemos estar num daqueles casos em que ser BOM não chega(rá). Difícil de entender. Impossível de aceitar.
Por ora, não foi possível descortinar que tratamento estará a ser dispensado a outras questões conexas. A saber:
Em qualquer dos casos, os tempos que aí vêm prometem acentuada conflituosidade. Infelizmente, ter-se-á fomentado um clima de inveja social, que terá desbravado terreno para o que entretanto se forjou para diminuir o prestígio social dos Professores. Muitos dos que protagonizaram ou instigaram semelhantes investidas não terão, na altura, cuidado de observar as mais elementares cautelas na sua cruzada contra os docentes. A autoridade dos Professores está por isso ferida de morte. Qualquer avozinha - que no seu íntimo deseja o regresso de (um) Salazar - pode e consegue impunemente insultar aqueles profissionais num qualquer portão de escola. Isto vai pagar-se caro. Será um pesado dano geracional, com incalculáveis repercussões civilizacionais para o país.
Soube-se já nesta noite que, em razão da "nova zona de impasse e de bloqueio nas negociações" causada pelas "limitações na progressão da carreira dos professores", Pedro Duarte adiantou que o PSD vai agir "de imediato" e propor "um conjunto de audições no Parlamento, com o ministério por um lado e com os diferentes sindicatos por outro".
Música para os ouvidos de José Sócrates. Maria de Lurdes havia, nos últimos dias do seu reinado, asseverado: "a paz com os professores saírá cara ao país". Não será de todo imprevisto imaginar-se que esta matéria possa, no período constitucionalmente permitido, provocar eleições antecipadas. Com jeitinho, tudo poderá coincidir...
Foto de Hugo Amador
Estás todo em ti, mar, e, todavia,
como sem ti estás, que solitário,
que distante, sempre, de ti mesmo!
Aberto em mil feridas, cada instante,
qual minha fronte,
tuas ondas, como os meus pensamentos,
vão e vêm, vão e vêm,
beijando-se, afastando-se,
num eterno conhecer-se,
mar, e desconhecer-se.
És tu e não o sabes,
pulsa-te o coração e não o sente...
Que plenitude de solidão, mar solitário!
Juan Ramón Jiménez, in "Diario de Un Poeta Reciencasado"
Tradução de José Bento

Estou indignado com a aparente indiferença da edilidade, dos seus serviços de fiscalização/monitorização a esta obra em particular. Tudo parece muito obscuro e até inconfessável.
Fosse esta situação descoberta por uma edilidade atreita a exigir o integral cumprimento da legislação aplicável e nem sequer um terço do até hoje ocorrido passaria impunemente.
Ponto prévio: resido, desde 2006, na rua da Senhora do Socorro, em Albergaria-a-Velha.
Com o início da edificação de uma urbanização que agora preenche o espaço de uma emblemática fábrica da vila, tenho reportado à Câmara Municipal e a outras autoridades o que julgo poderem configurarem atropelos nà lei.
Em rigor, sublinha-se, estará em causa o respeito pelo inscrito na Lei, i.e., a protecção dos cidadãos contra qualquer ofensa à sua personalidade física ou moral e, principalmente, a protecção da tranquilidade, da segurança e do bem-estar. Neste particular, entre muitas questões susceptíveis de melhor esclarecimento, importaria saber:
Por mim falo. Estou cansado de obras que, sensivelmente pelas 07.15 horas, se iniciam com inenarrável estrondo por meio de betoneiras e rebarbadeiras, seja dia útil, sábado ou feriado. Dia após dia. Semana após semana. Mês após mês. Estou esgotado com a deposição de materiais a altas horas da noite que indispõem quem (incluindo crianças) deseja simplesmente adormecer após um exigente dia de trabalho.
Ao fim destes mais de três anos de constrangimentos de índole diversa à normal prossecução da minha vida familiar, é grande a tristeza por constatar que não posso ter janelas abertas tal é o fluxo de poeiras que irrompe pelas divisões da casa. É revoltante verificar que as paredes exteriores da moradia - como as demais - se encontram irremediavelmente conspurcadas tendo sido pintadas somente em Abril de 2006. Noutro concelho, porventura "normal", o dono da obra seria obrigado a pintar as moradias de modo a deixá-las como estavam antes das obras.
Nestes últimos tempos, é o pó de pedra que até é deixado (tal será o sentimento de impunidade...) em parques de esta
cionamento, limitando o tráfego automóvel. Mais: é largado sem ficar devidamente acondicionado por forma a proteger os residentes e seu património dos ventos que o transportam (vide fotos). As roupas, os móveis e os pisos ficam num estado lastimável. A nossa qualidade de vida está por isso gravemente diminuída.
Estou indignado com a aparente indiferença da edilidade, dos seus serviços de fiscalização/monitorização a esta obra em particular. Tudo parecerá muito obscuro e até inconfessável.
Fosse esta situação descoberta por uma edilidade atreita a exigir o integral cumprimento da legislação aplicável e, quiçá, nem sequer um terço do até hoje ocorrido passaria impunemente.
Nas grandes festividades
Do Natal que se aproxima
Votos de felicidades
A todos com muita estima.
Que lhe traga o Novo Ano
O que sonhou e carece
Com todo o calor humano
Que em verdade merece.
Amigos de todo o mundo
Dispersos pelos países
O desejo mais profundo
De Festas muito felizes !...
Euclides Cavaco
Vês tu este gigante corpulento
que solene e soberbo se reclina?
Pois por dentro é farrapos e faxina,
e é um carregador seu fundamento.
Com sua alma vive e é movimento,
e onde ele quer sua grandeza inclina;
mas quem seu modo rígido examina
despreza tal figura e ornamento.
São assim as grandezas aparentes
da presunção vazia dos tiranos:
fantásticas escórias eminentes.
Vês que, em púrpura ardendo, são humanos?
As mãos com pedrarias são diferentes?
Pois dentro nojo são, terra e gusanos.
Francisco Quevedo, in 'Antologia Poética'
Tradução de José Bento

Este espaço decidiu, em consciência e por convicção, aderir ao movimento "Eu Luto Contra a Corrupção em Portugal". Nestes tempos em que os valores, os princípios e as convicções de vida em sociedade têm que ser (re)afirmados por forma a criar uma consciência cívica impoluta e naturalmente alérgica à corrupção - condição necessária e suficiente ao progresso civilizacional - achei por bem integrar esta armada contra uma das mais sinistras formas de prostituição da dignidade humana.
Recentemente, no livro »Dez mitos sobre a governação e corrupção», dá-se a receita para garantir que a diminuição da corrupção poderia colocar Portugal na senda do desenvolvimento, a par da Finlândia.
Daniel Kaufmann, director dos Programas Globais do Instituto do Banco Mundial, faz esta apologia num artigo publicado na revista trimestral do Fundo Monetário Internacional, «Finance and Development».
O levantamento do Banco Mundial considera que um país que aperfeiçoe a sua governação e que parta de um baixo nível, poderá triplicar o rendimento per capita da população. As melhorias, na óptica de Kaufman, vão mais longe e afectam ainda a diminuição da mortalidade infantil bem como a iliteracia.
Essa melhoria corresponderia à subida no nosso ranking em questões de «controlo e corrupção» na base de dados do Banco de Portugal, subindo Portugal ao nível da Finlândia, Guiné Equatorial ao nível do Uganda que, por sua vez, alcançaria a Lituânia que, chegaria ao rendimento de Portugal.
Para Kaufman, a governação e a corrupção não podem ser aferidos.
O Banco mundial, que reuniu uma extensa e diversificada base de dados, adianta que no caso de corrupção, em países em desenvolvimento, induzirá um distanciamento para as famílias mais pobres: pagam mais impostos do que deveriam, e parte dos seus rendimentos são esgotados em «gratificações» para garantirem o acesso aos serviços públicos. Numa previsão, as transacções mundiais serão «manchadas» pela corrupção em quase um trilião de dólares.
É também por isso que EU sou contra a corrupção!
O caso do comércio tradicional ganha neste particular especial acuidade. Com a recente abertura de novas médias superfícies comercias - que não vale a pena diabolizar; estão e vieram para ficar - caberia à edilidade empreender uma genuína e integrada política de (re)vitalização do comércio de rua.
Ao contrário de anos recentes, o concelho de Albergaria-a-Velha enfrenta em 2009 um Natal fosco e frouxo.
O colorido diferenciado emprestado pelas iluminações que até
há poucos anos alegravam as principais artérias locais foi agora esbatido por uma realidade diversa. Apesar de a informação oficial ter prometido para hoje, dia 11, a materialização de um investimento que poderia rondar os 20 000 €uros, o certo é que à data de hoje - e excepção feita à vila da Branca - pouco ou nada se vê. Denunciando uma deficiente programação estratégica, alguns adereços têm sido (tardiamente) distribuídos e aplicados às pinguinhas, negligenciando-se assim importante quadra para os diversos segmentos da actividade social e económica da terra.
O que este ano se verifica na freguesia sede vem, uma vez mais, confirmar a aparente menoridade a que foi votada nestes últimos tempos. Isto não vai lá (só) com postais coloridos e barretes vermelhos n'»A Casinha do Pai Natal». Bem sei que as circunstâncias serão,
mais do que nunca, atreitas a constrangimentos financeiros. Mas é nestes momentos que os gastos devem obedecer a prioridades escrupulosamente definidas. Gastar bem é preciso. Ademais, defendo que é nestas alturas que o poder local deve dar mostras da sua competência e vontade no sentido de incentivar e dinamizar o que a crise tenderá a mirrar. O caso do comércio tradicional ganha neste particular especial acuidade. Com a recente abertura de novas médias superfícies comercias - que não vale a pena diabolizar; estão e vieram para ficar - caberia à edilidade empreender uma genuína e integrada política de (re)vitalização do comércio de rua.
A alegada e propalada parceria entre a autarquia, PRAVE e SEMA estará longe de se revelar à altura das expectativas por poder configurar uma aliança vincadamente episódica.
Institua-se um relacionamento de proximidade com aqueles agentes económicos. Dialogue-se com os os pequenos e médios empresários. Conheça-se as suas disponibilidades e anseios. Iluminem-se as ruas. Animem-se as calçadas que anseiam por movimento e agitação. Disponibilize-se cultura sem pruridos ou preconceitos tétricos. Que se sinta o arrojo e o desejo de inovação. Na verdade, tudo está muito triste, cinzento e amorfo.
Mais do que prometer (tarde e a más horas) actividades de animação de rua e concertos de Natal, sem uma calendarização conhecida, falta e falha a divulgação, a promoção dos eventos.
Cumulativamente, Albergaria - que persiste em ignorar bons exemplos de outros municípios de igual dimensão - não terá uma genuína passagem d'ano popular. Com tantos e tão privilegiados cenários, nada se fará. Em vez de concentrar grandes parcelas orçamentais na contratação de sonoras atracções do nosso universo musical que, em Maio/Junho, ressuscitam a Quinta do Torreão - e quanto dinheiro terá entretanto sido gasto em vão dadas as
recorrentes surpresas perpetradas por S. Pedro?!... - não seria porventura mais avisado garantir desde logo (alg)uma folga financeira, um "resto" de dinheirito que assegurasse a dinamização destas Boas Festas que o povo se habituou a acarinhar?
É tempo de contrariar este sentimento de que Albergaria será, cada vez mais, um ensurdecedor dormitório de gente bem formada.
Com as eleições finaram-se as boas intenções
Já era de esperar. Com o encerramento das urnas em Outubro passado parece terem-se finado igualmente as boas intenções. Os novos pavimentos que então se concederam às populações, com inusitado frenesim, ainda não conheceram a competente pintura delimitadora (S. Marcos, Senhora do Socorro...); a EDP continuará a prestar um mau serviço no que à iluminação de zonas residenciais e de maior trânsito diz respeito, a que se somará uma rede de distribuição de energia eléctrica ridiculamente frágil, sem que a Câmara Municipal faça sentir publicamente o seu descontentamento.
Por fim, as ruas - excepção feita às que rodeiam o edifício Paços do Concelho - continuam pejadas de folhas secas, acumuladas maioritariamente em sarjetas, e vários bairros continuarão esquecidos (vide caso da Bairro da Nazaré, no Sobreiro) em matéria de limpeza e conservação de espaços verdes.
Expurgando desta análise a aparente obsessão pelas rotundas, o arranjo paisagístico da vila apresenta indícios preocupantes de tudo poder estar em "modo de piloto automático". Pouco ou nada se faz. Chega a ser trágica semelhante realidade. Também aqui parece faltar uma programação assente numa esclarecida cultura de exigência. Se calhar, haverá pessoas a precisar de saber quem manda...

Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.
Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.
Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.
Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.
Cecília Meireles, in 'Poemas (1942-1959)'