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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.

Sem honra nem confiança
Por José Manuel Alho

O sol voltou mas nem por isso o povo ficou mais contente. Os rostos acabrunhados cruzam-se com o invernoso alheamento que há demasiado tempo inundou este país de pessoas tristes.
Os indivíduos, assustados com a desgovernada proliferação de narrativas sobre as fatalidades da nação, sucumbem ao pessimismo que rasga avenidas para os tremendistas anunciarem novas desgraças. No entretanto, o país assiste, qual paciente grogue com tanto desvario, ao corrupio de encenações, montagens e fingimentos de quem, num dos momentos de maior exigência da História de Portugal, não era simplesmente para aqui chamado. Para cúmulo, as televisões esguicham personagens que fedem incompetência e tresandam a mentira.
Por entre malparidos discursos à pátria, cartas de aforro com chancela presidencial e outras patranhas para propagar aquele medo que contamina a Razão, o país parece esboçar ténues movimentos de emancipação cívica neste retângulo com a maior percentagem de ex-ministros por metro quadrado no comentário político desta Europa em tempos recomendável ao progresso da Humanidade.
"Parece que acordamos de uma apatia coletiva para vivermos a madrugada do pensamento, a aurora da inteligência. É como se o doente, a quem diziam padecer de doença incurável e penosa, qual calvário mas sem a parte da redenção, lograsse descortinar os contornos de uma terapêutica suportável e ainda assim eficaz. E aqui tudo fica mais perigoso porque imprevisível e até incontrolável.
Com timidez e vergonha q.b., as pessoas lá vão ousando questionar as verdades consumadas tão grosseiramente vendidas para justificar muitos dos estragos infligidos ao país. Com a assessoria do tempo – parceiro sempre valioso em assuntos de justiça e verdade – a triste gente que sofre vai descobrindo lacunas, apontando omissões e outras incoerências que ferem de morte toda a lógica de expiação e punição que tem presidido à ação política vigente, em muitos casos, de contornos escandalosamente inconfessáveis.
Parece que acordamos de uma apatia coletiva para vivermos a madrugada do pensamento, a aurora da inteligência. É como se o doente, a quem diziam padecer de doença incurável e penosa, qual calvário mas sem a parte da redenção, lograsse descortinar os contornos de uma terapêutica suportável e ainda assim eficaz. E aqui tudo fica mais perigoso porque imprevisível e até incontrolável. As democracias ressentem-se sempre que as pessoas se acham vítimas de uma sujeição desnecessária, que coarta e subtrai direitos tidos por fundamentais.
Some-se a isto o sentimento generalizado de que, ao mais alto nível da vida pública, muitos dos protagonistas, para o serem, recorreram à mentira sem nada recear.A mentira é sempre uma rutura unilateral da confiança até então existente. É a ruína de um pacto de honra que destrói a confiança daquele que foi alvo da mentira.
E sem honra nem confiança, não há legitimidade que subsista.
José Manuel Alho


Por José Manuel Alho
Na edição do passado dia 6 de março, no espaço “FOTO DENÚNCIA” deste jornal, um leitor participou o “desaparecimento” do parque infantil outrora edificado na Urbanização Quinta de Santa Cruz, em Campinho, bem perto do quartel da GNR.
Tratou-se de um precioso exercício de cidadania – que urge replicar com acrescida veemência - exaltado pela irreversibilidade de uma imagem que, só por si, dispensaria melhores considerandos.
Infelizmente, a população parece consentir, com inexplicável permissividade, o crescente desprezo a que este tipo de infraestruturas tem sido votado pela autarquia. De início, o executivo camarário ter-se-á esforçado por aparentar um ímpeto reformador indexando, nos termos da legislação aplicável, a criação de parques infantis à edificação de um punhado de urbanizações. Volvidos alguns anos, percebeu-se, afinal, que a degradação imposta pelo tempo terá desnudado o lirismo que animaria tão envergonhada (pseudo)reforma. Fez-se pouco e os equipamentos entretanto criados encontram-se num estado miserável. As crianças do Concelho mereciam mais e melhor.
No caso concreto dos parques infantis, assunto que só interessa a autarcas sensíveis às matérias da infância, cumpre sublimar a importância daqueles espaços para o desenvolvimento pleno, integral e harmonioso das crianças. De igual modo, importa assacar aos poderes públicos a responsabilidade de a todos garantir o direito de brincar e, mais concretamente, o direito de brincar em segurança, contribuindo para a promoção de uma verdadeira cultura de valorização da infância.
Em razão do crescimento desmesurado do betão que nos constrange, a coletividade debate-se com a falta de espaços verdes, a insegurança, a poluição e a falta de tempo de muitos pais para, em circunstâncias satisfatoriamente estruturantes, fomentar atividades lúdicas. Acresce a esta evidência o reconhecimento de que as nossas crianças tendem a passar demasiado tempo em ambientes fechados, sentadas ao televisor, ao computador, comprometendo assinalavelmente o seu desenvolvimento físico, psicológico e social.
"Volvidos alguns anos, percebeu-se, afinal, que a degradação imposta pelo tempo terá desnudado o lirismo que animaria tão envergonhada (pseudo)reforma. Fez-se pouco e os equipamentos entretanto criados encontram-se num estado miserável. As crianças do Concelho mereciam mais e melhor.
Em consequência, deseja-se que a Câmara Municipal aceite a realidade e concorde em revertê-la. Para o efeito, espera-se que inicie o levantamento e avaliação dos parques existentes para depois pensar e projetar o futuro. Construir um parque infantil com uns balancés e uma dezena de baldes de areia não basta. Antes, deverá ponderar-se a filosofia que presidirá à tipologia dos parques infantis que melhor corresponderão às necessidades das crianças da nossa terra. Neste particular, defendo que devem ser locais exponenciadores da criatividade, do convívio entre diferentes idades, do contacto e descoberta da natureza, e, simultaneamente, um local seguro e de referência na comunidade. Em resumo, devem tratar-se de espaços que fomentem estilos de vida mais saudáveis.
Enquanto não se desvenda o futuro, regista-se, para memória futura, o infausto “desaparecimento”do parque infantil da Quinta de Santa Cruz, cravado em tempos numa zona absolutamente privilegiada. Paz à sua alma.
José Manuel Alho