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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.

Contrariamente ao que alguns divisionistas quiseram fazer crer, os Professores do 1.ºCiclo e os Educadores de Infância aderiram ao protesto que marcou o final do presente ano letivo, mormente na greve do passado dia 17.
Animados por um sentido de classe e pelo imperativo de afirmar os princípios basilares da sua dignidade profissional, estes docentes juntaram-se aos demais colegas na defesa de uma Escola Pública de qualidade.
Estavam pois longe de imaginar a prenda que lhes foi guardada. Depois da especificidade da sua ação ter sido consecutivamente destruída - à custa, reconheça-se, de uma certa inveja patrocinada por alguns pares de outros níveis de ensino - estes profissionais, se nada entretanto for ajustado, ficaram com a certeza de que, a partir de setembro próximo, permanecerão mais tempo nas escolas. Serão mesmo os únicos a quem tal "ganho" produzirá efeitos que rapidamente o tempo se encarregará de denunciar.
Sempre o intervalo da manhã (das 10,30 hs às 11 horas) fora incluído na sua componente letiva (CL). E não era por acaso. Por mais assistentes operacionais disponíveis para a vigilância daquele período, os intervalos revestiam-se de vincada importância educativa, em função até das faixas etárias das crianças envolvidas, que requeria o acompanhamento daqueles docentes. A situação manteve-se assim até ao famoso "entendimento" rubricado pelos sindicatos ter descoberto a pólvora: afinal o intervalo não podia incluir-se na CL.
Tive oportunidade de, nos últimos dias, trocar informação com representantes sindicais. O que li - sim, tenho os mails que guardo com funesta lembrança - confirmaram os meus piores receios. O 1.º Ciclo e o Pré-escolar não terão representantes à altura da relevância das funções exercidas por estes docentes. Confrangedor. Ocorre-me classificar tudo como miserável.
"Neste protesto, parece crescer a convicção de que os Educadores de Infância e os Professores do 1.º Ciclo só contaram para a fotografia. Os anseios e pretensões que legitimamente empunham não encontrarão acolhimento nas diversas forças sindicais existentes. Os seus assuntos não constam da chamada "agenda sindical". Para mim, ficou claro que os sindicalistas, quando se referem a "professores", estarão somente a contemplar os docentes do 2.º Ciclo em diante.
Uma dessas personagens ousou até, a respeito da questão do intervalo, afirmar que se tratava de "um ganho para a definição do horário dos professores do 1.º CEB". Apetece perguntar: há quanto tempo, senhores dirigentes sindicais, enfrentaram, pela última vez, uma turma?
Esta inovação mais não fez do que fragilizar estes docentes em particular, deixando-os à mercê de interpretações abusivas e outras pressões que muitos sindicalistas desconhecerão pois, nos seus gabinetes, a realidade será bem mais delicodoce. No momento, percebendo a trapalhada em curso, muitos apressaram-se a avisar os seus incrédulos associados: "se notarem que existem atropelos, resolvam lá isso com o vosso Coordenador e, só no fim, recorram ao sindicato."
Como bem evidenciava uma docente afeta à Fenprof, "não é o sindicato que legisla, mas é o sindicato que nos representa". De facto, por mais piruetas que faça um sindicalista sobranceiro, num evitável exercício de desconsideração intelectual, ninguém ouse convencer alguém que ficará melhor se mais exposto a pressões e chantagens de toda a ordem e, o mais grave, ficará melhor se, ao contrário dos pares, passar mais tempo no local de trabalho.
Com efeito, as matérias atinentes a estes níveis de ensino parecem ser tratadas com estranho laxismo e distanciamento. Por vezes, fica a impressão de que tudo se pode dizer e fazer com penosa impunidade porque os associados - aqueles que elegem os seus representantes - são mansos e tudo toleram.
Alguns professores de outros níveis de ensino, constatando o dano ora infligido a estes profissionais, foram lestos a explicar a lógica do absurdo: "vocês não fizeram greve e... cá se fazem, cá se pagam". Estamos conversados sobre o que, para alguns, significará a solidariedade entre docentes.
Neste protesto, parece crescer a convicção de que os Educadores de Infância e os Professores do 1.º Ciclo só contaram para a fotografia. Os anseios e pretensões que legitimamente empunham não encontrarão acolhimento nas diversas forças sindicais existentes. Os seus assuntos não constam da chamada "agenda sindical". Para mim, ficou claro que os sindicalistas, quando se referem a "professores", estarão somente a contemplar os docentes do 2.º Ciclo em diante.
"Por isso, e se vier a confirmar-se o que se prevê com as primeiras interpretações e esclarecimentos, exorto estes docentes: entreguem o vosso cartão. Não paguem quotas usurárias a quem vos deixa pior do que estavam, a quem não vos considera e estima. Não permitam que abusem da vossa boa-fé. Não se deixem instrumentalizar para peditórios que vos excluem. Sejam exigentes.
Uma vez que a a luta de alguns por uma igualdade entre pares logrou esfrangalhar princípios estruturantes do 1.º Ciclo, caberia, em coerência, aos sindicatos persistirem nessa sanha pela equidade afirmando a premência de os Educadores de Infância e Professores do 1.º Ciclo usufruírem:
Não sendo possível concretizar o óbvio, importará então recuperar o regime especial de aposentação.
Se acaso os sindicatos não quererem ou não souberem assegurar uma representação competente de TODOS os seus associados, caberá aos visados desvincularem-se destas organizações que não têm agenda para o Pré-Escolar e 1.º Ciclo. Estes níveis de ensino parecem agora também estigmatizados pelos seus sindicatos e relegados para um insustentável estatuto de menoridade.
O sindicalismo assume especial importância nas sociedades democráticas. Mas ele só é verdadeiramente representativo se for leal, próximo e credível.
Por isso, e se vier a confirmar-se o que se prevê com as primeiras interpretações e esclarecimentos, exorto estes docentes: entreguem o vosso cartão. Não paguem quotas usurárias a quem vos deixa pior do que estavam, a quem não vos considera e estima. Não permitam que abusem da vossa boa-fé. Não se deixem instrumentalizar para peditórios que vos excluem. Sejam exigentes.
Talvez surja, em breve, um novo sindicato genuinamente vocacionado para estes dois níveis de ensino, com uma agenda própria e efetivamente delegada pelos seus representados. Um sindicato que cobre menos e vá além do nada atual. Um sindicato com reais ganhos de causa.
Por ora, indignem-se! E muito!

Por José Manuel Alho
A notícia do lançamento do DVD Musical sob a temática “Cancioneiro Popular Português – Um Tesouro a Descobrir”, desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha (AEAAV) em parceria com a editora Clave de Soft, conjugada com a abertura do Canalb, canal de TV para a web do mesmo AEAAV, evidenciam, à escala, a entrega e o comprometimento da esmagadora maioria dos professores portugueses com o serviço público de educação.
Um pouco por todo o país brotam réplicas, mais ou menos ambiciosas, do arrojo e empreendedorismo que a escola pública vem patrocinando e dinamizando em condições há muito adversas. Infelizmente, este é tempo em que os professores se tornaram o alvo preferencial de uma certa opinião publicada que recorre a um discurso amesquinhador para os apoucar e desprestigiar com insolente populismo.
"Ainda que interesse a um punhado de baixifalantes a erosão programada da classe docente, os danos geracionais causados por estas campanhas, usualmente assentes em dados ou factos martelados, são irreparáveis. Ser Professor não é fácil. O Estado e a sociedade olham para a Escola e obrigam-na a curar todos os problemas sociais que os governos não querem ou não sabem resolver.
Em consequência, importa lembrar a sondagem mundial realizada para o Fórum Económico Mundial. Segundo aquele estudo, os professores são a profissão em que os portugueses mais confiam e também aquela a quem confiariam mais poder no país. Curiosamente, os políticos – responsáveis maiores pelo despautério reinante - são os que menos têm a confiança dos portugueses. Saliente-se ainda que a confiança dos cidadãos lusos por profissões não se afasta dos resultados médios para a Europa Ocidental.
Ainda que interesse a um punhado de baixifalantes a erosão programada da classe docente, os danos geracionais causados por estas campanhas, usualmente assentes em dados ou factos martelados, são irreparáveis. Ser Professor não é fácil. O Estado e a sociedade olham para a Escola e obrigam-na a curar todos os problemas sociais que os governos não querem ou não sabem resolver. Entregues à sua sorte, sem o devido enquadramento, os docentes sentem sobre os seus ombros o pesado fardo responsabilidade que lhes é assacada pelo Estado e pelas famílias. Consumidos por uma tormentosa solidão profissional, encerrados nas quatro paredes da sala de aula onde trabalham, quantas vezes em condições inenarráveis, os docentes precocemente atingem perigosos estádios de frustração, de desilusão e desmotivação.
Daí que, mesmo em tempos de crise, devesse exigir-se aos governantes medidas concretas de combate ao excesso de burocracia, à falta de reconhecimento da profissão e às constantes alterações legislativas que têm contribuído para uma diminuição da realização profissional da classe docente.
Em resumo, afigura-se de crucial importância exortar a sociedade »lato sensu» a repensar as suas atitudes com estes profissionais pois é através delas que a coletividade revelará o compromisso com a Educação que pretende.
José Manuel Alho
Por José Manuel Alho

As últimas semanas de maio reservaram uma desgraçada sucessão de tribulações e padecimentos. Sim. Benfiquista me confesso. Ganhando mais que Zeinal Bava e António Mexia juntos, o homem que sempre falha nos momentos das decisões entregou o SLB ao ridículo. Jorge Jesus, depois de elevar os adeptos ao cume das melhores expectativas, ajoelhou e chorou. Poderia ter sido deliciosamente tântrico, mas chegou ao limite da pornochachada.
No momento em que escrevo, não é ainda oficial o anúncio da sua continuidade. Se ficar, registe-se para a posteridade o erro que perpetuará o problema. Apesar dos incontestáveis méritos imputados à gestão empresarial de Vieira, a verdade é que o clube denuncia ser vítima de uma gestão desportiva imprudente e recorrentemente inábil, parecendo entregue à vulgaridade que opta por compatibilizar amuos e caprichos para não ser confrontada com a premência que distingue os decisores dos vendedores de ilusões.
»No seu ADN não está inscrito o conformismo de quem se galvaniza simplesmente por ter sido um “quase vencedor”. O museu do SLB deve ser uma inspiração para novos êxitos e não um mausoléu de gratas mas longínquas recordações.»
O universo benfiquista não se reconhece na arrogância de quem, rebaixando a gramática da língua materna, destrata jogadores e amesquinha adversários. O Benfica é feito de querer, garra e ambição. No seu ADN não está inscrito o conformismo de quem se galvaniza simplesmente por ter sido um “quase vencedor”. O museu do SLB deve ser uma inspiração para novos êxitos e não um mausoléu de gratas mas longínquas recordações.
Como se a desastre já não fosse, por si, devastador, até o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ousou, num no almoço de empresários organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Lusa-Espanhola, pedir "simpatia pelas difíceis semanas" que tem vivido "como adepto do Benfica". Aguenta-se tudo mas há um limite que não pode ser, em caso algum, ultrapassado. Mesmo para um magrebino em sofrimento. O meu Benfica e este Ministro das Finanças não têm nada em comum. Nós importamo-nos com o futuro e ainda nos permitimos sonhar com dias melhores.
Tudo nos acontece. Será que este karma não tem fim?!
José Manuel Alho