Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.
Apesar de se reconhecer universalmente que os professores apresentam um maior risco vocal do que outros profissionais, ainda não está claro, em Portugal, que tal facto possa ser aceite como doença profissional.
No presente artigo define-se uso profissional da voz, indica-se a incidência, os factores causais e os efeitos dos problemas de voz e ainda as formas de avaliação e estratégias de prevenção vocal para o professor.
Os professores são um grupo profissional mais vulnerável a problemas de voz do que a população em geral.
Apesar de identificarem os seus problemas de voz, muitos professores continuam a não procurar solução para os mesmos. Este facto, associado à percepção de uma melhoria da qualidade vocal nos períodos de férias, fá-los pensar na situação como um acontecimento ocasional e por isso não tomam muitas vezes as medidas apropriadas e adiam a resolução do problema.
Como se produz a voz?
Ao surgir a vontade de comunicar oralmente, o cérebro transmite impulsos nervosos aos músculos do sistema respiratório, à laringe e às estruturas do tracto vocal. Deste modo, a coluna de ar pulmonar é sonorizada na laringe (fonação) e modulada no tracto vocal (em sons da fala).
Em suma, a voz é um som (resultante de um conjunto de acontecimentos no aparelho fonador e ao longo do tracto vocal) com uma determinada força, sonoridade, duração, velocidade e ritmo regulado de forma subconsciente pela informação enviada ao cérebro via auditiva.

Voz habitual versus uso profissional da voz
Através da sua dimensão verbal (palavra articulada, fala) e não verbal (intensidade e sonoridade), a voz habitual produz-se sem que o emissor tenha qualquer preocupação voluntária com ela. É o resultado de uma aprendizagem inconsciente que envolve processos de produção, transmissão e percepção. Ela é aceite como “normal” se estiver adequada ao sexo, idade e contexto sócio-cultural do indivíduo e se o mesmo a aceitar como “normal”. Ao longo do dia, consoante as condições do indivíduo e o contexto de uso vocal, a qualidade vocal deve variar dentro de limites adequados do ponto de vista da intensidade, sonoridade, precisão articulatória e velocidade de fala.
Na actividade profissional do professor, a voz tem um papel importantíssimo, uma vez que pode facilitar ou prejudicar a inteligibilidade da mensagem, bem como ser uma fonte de indexação de informação estética, linguística e cultural, potencializando ou não a eficácia e a credibilidade da sua comunicação oral.
Muito embora a exigência da qualidade de precisão vocal do professor não seja crucial (quando comparada, por exemplo, às necessidades de um cantor lírico), deve, no entanto, possuir resistência elevada para fazer face a factores como a necessidade contínua de horas de comunicação vocal, às condições acústicas do local de trabalho, ao cansaço e ao stress emocional.
... de entre os doentes que procuram resolução para os problemas de voz, os professores aparecem entre as dez profissões mais frequentes.
Incidência e prevalência dos problemas de voz
Apesar das limitações em termos de investigação nesta área (do ponto de vista do número e da diversidade de metodologias usadas), constata-se que os professores são, efectivamente, profissionais com maior risco vocal devido ao desgaste vocal resultante do desempenho profissional, associado na maioria da situações à falta de (in)formação em voz.
No contexto clínico, de entre os doentes que procuram resolução para os problemas de voz, os professores aparecem entre as dez profissões mais frequentes.
Sintomas vocais e físicos
De entre os sintomas vocais mais referidos pelos professores encontram-se a fadiga vocal (fonastenia), o atrito vocal, o hiperfuncionamento e rouquidão.
Os sintomas de desconforto físico referidos pelos professores são a sensação de cansaço, de esforço, de secura, de comichão, de queimadura, de dor e de desconforto.
Impacto na qualidade de vida
As hipóteses de perturbações vocais são inúmeras e as suas consequências em termos de saúde e de qualidade de vida dependem de cada indivíduo, da sua dinâmica pessoal e profissional.
Em termos de saúde, os problemas de voz podem existir na ausência de patologia laríngea, mas o contrário também é verdadeiro. Convém salientar que o perpetuar de comportamentos vocais de risco (como, por exemplo, uso vocal inadequado e continuado, perpetuar de cansaço vocal) associado a factores de desequilíbrio (como, por exemplo, hipersensibilidade nasal) e a más condições de vida (como, por exemplo, hábito tabágico) pode contribuir para o aparecimento de patologia laríngea (por exemplo, nódulos vocais).
Em termos de impacto na vida profissional (actual e futura), os efeitos mais adversos dos problemas de voz identificados pelos professores estão relacionados com o terem de faltar, com as limitações nas decisões profissionais e a incapacidade para modificarem a sua carreira, bem como as opções para o futuro em termos de carreira.
Faça descanso vocal apropriado após o uso prolongado de voz ou uso vocal de intensidade forte. Sempre que se pára de falar, consegue-se um período curto de recuperação que beneficia os músculos.
Alguns conselhos de saúde vocal
Parece então fundamental que qualquer profissional da voz (neste caso o professor) tenha conhecimento de alguns princípios fundamentais da preservação da sua qualidade vocal.
Vejamos alguns exemplos:
Aconselha-se que:
Sugere-se que evite:
Fonte: ENSP / http://www.atlasdasaude.pt/

Por José Manuel Alho
A imprensa é a artilharia do pensamento. (Rivarol, Antoine)
O jornal “Correio de Albergaria” (CA) comemora mais um aniversário de uma renovada existência, desde cedo animada pela ambição de afirmar-se como “artilharia” privilegiada da informação local, esclarecendo dúvidas, fiscalizando e denunciando as grandes questões de um concelho abençoadamente multifacetado.
Num tempo em que muitos jornais nascem e morrem sem que deles se dê conta, à exceção de uns quantos exemplares preservados num punhado de bibliotecas, o CA também não se livra de enfrentar as dificuldades inerentes aos tempos que vivemos, aceitando o desafio de manter e alargar o leque de patrocinadores e de assinantes, sem nunca condescender na sua luta por trazer sempre a comunidade informada dos factos que realmente contendem com os seus legítimos interesses.
Na verdade, a imprensa regional e local portuguesa tem origens na exaltação da Liberdade, que resultou do triunfo da Revolução Liberal de 1820 e da consequente promulgação da Carta Constitucional. Desde essa época que se multiplicaram no país centenas de jornais locais e regionais, em alguns casos ligados à Igreja Católica e noutras circunstâncias relacionados a tipografias ou a pequenas empresas de comunicação.
Atualmente, e de acordo com os registos obrigatórios de publicações do Instituto da Comunicação Social, haverá em Portugal cerca 4 000 títulos registados, dos quais cerca de novecentos (22,5%) são da imprensa regional e local. Sabendo-se que em Portugal há 22 distritos, isto indica que, em média, cada distrito contará com 41 títulos da imprensa regional e local, embora os distritos do litoral norte e centro detenham bastantes mais publicações do que outros - Aveiro na 2ª posição (com 11%), atrás de Lisboa, mas à frente do Porto.
Ao longo deste novo fôlego, o CA funcionou muitas vezes como veículo de petição e de representação ou de setores da comunidade ou (mesmo) de toda a comunidade perante terceiros, sobretudo quando se envolveu num jornalismo de causas. De igual modo, foi inegável o esforço de promoção da qualidade dos conteúdos dados à estampa para consumo geral. Numa altura em que se regista o florescimento dos jornais regionais e locais de distribuição gratuita («free papers») e se constata que mais de 20 % dos jornais regionais e locais portugueses já têm edições on-line, este periódico tem ainda assim sido capaz de salvaguardar a sua independência face aos diversos tipos de poderes (político, religioso…), em especial na salvaguarda da independência face ao poder autárquico. Será provavelmente difícil para muitas pequenas publicações regionais e locais abandonarem a situação financeiramente confortável de dependência das autarquias locais, mas este é - defendo-o com unhas e dentes - o melhor caminho para garantir vendas, leitores e vigor publicitário.
Habitualmente, devo reconhecer que – em razão até das funções que já exerci em contextos diversos – os fazedores de jornais são frequentemente céticos em relação ao interesse e à qualidade dos textos enviados por alguns leitores-escritores. Infelizmente, grande parte deles não têm pés nem cabeça. Contudo, as vantagens, principalmente ao nível da fidelização dos “consumidores”, compensarão os riscos.
Dedicação, carinho e responsabilidade
Porque a conceção de cada número do CA denota dedicação, carinho e responsabilidade, visando o mui nobre desiderato de gerar (mais) leitores comprometidos e críticos, gostaria de ver incrementada no jornal maior interação com o público que o degusta. Para o efeito, mais do que (porventura) ressuscitar o mistério acutilante da emblemática “Chuva Miúda” do então “Beira-Vouga”, celebrizada pelo requintado esgar de mangação de um crítico aleatoriamente omnipresente, apreciaria a manutenção de rubricas como “FOTO DENÚNCIA” ou até mesmo a criação do espaço “CARTAS DO LEITORES”.
Se servir o público é um dos objetivos principais do CA, não seria a secção das cartas dos leitores uma boa oportunidade para potenciar a tão almejada interatividade? Na oportunidade, lembro as funções que as cartas podem ter na imprensa: um espaço aberto de diálogo, de participação e de crítica em relação ao próprio jornal. Aliás, a secção da correspondência dos leitores tem precisamente a função elementar de abrir um canal entre os leitores e as publicações, sendo, por isso, um espaço de aproximação entre os leitores do título e as pessoas que o fazem. As cartas dos leitores fomentariam, assim, uma maior proximidade e reciprocidade entre o jornal e o seu público, enquanto meio primário, de feedback (cfr. Lambiase, 2005: 2).
Para surpresa de muitos, no seu estudo sobre as páginas editoriais em jornais norte-americanos, baseado em questionários a editores, Ernest Hynds, professor na Universidade de Georgia, concluiu que praticamente TODOS os leitores veem a página editorial (que inclui o Editorial, colunas de Opinião, cartoons e cartas dos leitores - aquilo a que podemos designar, na realidade da imprensa portuguesa, como o espaço de opinião dos jornais) como um fórum de troca de informação e opinião.
Habitualmente, devo reconhecer que – em razão até das funções que já exerci em contextos diversos – os fazedores de jornais são frequentemente céticos em relação ao interesse e à qualidade dos textos enviados por alguns leitores-escritores. Infelizmente, grande parte deles não têm pés nem cabeça. Contudo, as vantagens, principalmente ao nível da fidelização dos “consumidores”, compensarão os riscos.
Daí que, além do crescimento abstratamente considerado do CA, eu formule, por ocasião deste aniversário, o desenvolvimento de um jornalismo de proximidade que combata o isolamento de algumas povoações da nossa terra e que favoreça a divulgação das atividades económicas das micro e pequenas empresas. Até porque um jornal próximo diminui consideravelmente as possibilidades de empobrecimento da Democracia, da Cidadania, da Cultura e da História.
José Manuel Alho

Fase de candidatura aberta até às 24 horas do dia 26 de Agosto.