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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.


O III Congresso Internacional TIC e Educação – ticEDUCA2014, é um evento bienal que se realiza em Lisboa desde 2010, no Instituto da Educação da Universidade de Lisboa.
Este evento, que se realiza entre os dias 14 e 16 de novembro de 2014, é aberto a toda a comunidade académica nacional e internacional.
Este congresso pretende ser um espaço de reflexão e partilha da investigação no domínio das Tecnologias Digitais na Educação, destinado a todos os que trabalham nas áreas da educação e da formação. Igualmente serão bem-vindos os estudantes de Licenciatura, Mestrado e Doutoramento destas áreas ou afins.
Assim, são convidadeos todos os docentes, investigadores e estudantes a apresentar artigos científicos, que serão sujeitos a um blind review feito pelos membros da Comissão Científica. Os artigos aprovados serão apresentados pelos autores em sessões plenárias, discutidos entre pares, e publicados nas atas do Congresso.
O tema principal do ticEDUCA2014 é “Aprendizagem Online” e apresenta os seguintes subtemas (sem qualquer hierarquização):
Tema 1: Ambientes de Aprendizagem Formais e Informais e Tecnologias
Tema 2: Comunicação Mediada por Computador, Relações e Expressão das Emoções Online
Tema 3: Tecnologias Digitais e Desenvolvimento Profissional
Tema 4: eLearning no Ensino Superior e na Formação Profissional
Tema 5: Tecnologias e Necessidades (Educativas) Especiais
O evento ticEDUCA2014 tem como oradores convidados quatro figuras relevantes no panorama científico nacional e internacional (apresentados por ordem alfabética):
> Diana Laurillard (Reino Unido)
> Maria Ángeles Rebollo Catalán (Espanha)
> Nelson Zagalo (Portugal)
> Ruth Colvin Clark (EUA)
Retirado daqui
O ex-presidente da Câmara de Albergaria João Agostinho (PSD) e o ex-vereador Laerte Pinto vão ser julgados no Tribunal de Aveiro por alegadamente terem lesado a autarquia em cerca de 50 mil euros, decidiu o Tribunal da Relação de Coimbra.
Fonte ligada ao processo disse hoje à agência Lusa que os dois arguidos foram pronunciados para julgamento por um crime de prevaricação.
O ex-vereador Laerte Pinto vai também responder por um crime de peculato.
Um juiz de instrução decidiu não pronunciar os arguidos, mas o Ministério Público (MP) recorreu para a Relação de Coimbra que revogou a decisão e determinou a pronúncia dos arguidos pelos factos e pelos crimes que lhes tinham sido imputados.
Em causa está a contratação em regime de avença de um advogado para exercer tarefas de assessor jurídico para emissão de pareceres e intervenção em processos que corressem os seus trâmites nos tribunais a partir de abril de 2003.
Além de terem sido detetadas irregularidades no procedimento concursal, o MP diz que, entre 2003 e 2009, o advogado recebeu indevidamente 53.076 euros, relativos a despesas com deslocações que não estavam previstas no contrato, com a autorização do então presidente da câmara.
Segundo a acusação do MP, estas deslocações foram pagas tendo apenas por base declarações entregues mensalmente pelo advogado avençado, sem quaisquer documentos comprovativos das despesas.
Nestas declarações, o advogado fazia referência a três ou quatro deslocações de ida e volta entre Lisboa e Albergaria-a-Velha, à razão de 500 quilómetros por cada deslocação.
O MP diz ainda que estas deslocações não foram efectivamente realizadas, concluindo que as mesmas serviram apenas para "justificar o pagamento de rendimentos mensais superiores aos que serviram de fundamento à sua selecção no procedimento concursal".
O referido contrato terminou em outubro de 2009, após uma inspecção da Inspeção-Geral da Administração Local, tendo após essa data o advogado em causa celebrado com a mesma autarquia dois contratos anuais de prestação de serviços.
O MP tinha pedido, também, a pronúncia do causídico por um crime de burla, mas os juízes da Relação entenderam que isso não era possível, por se tratar de um crime semipúblico que requer apresentação de queixa, o que não aconteceu.
Lusa 17 Out, 2014, 17:17

Num destes dias de precoce invernia, sucumbi à nostalgia imposta pelo salpicar cristalino da chuva derramada na vidraça. Uma visão martelada, mas colorida da realidade, convida a reflexões usualmente imprevistas. E foi o que aconteceu.
Tinha sido um daqueles dias. Uma daquelas jornadas que nos levam a pensar sobre as razões de fazer o que fazemos, de termos chegado onde chegámos, de sermos quem somos. Valerá a pena? As inquietações que nos apoquentam servirão mesmo para evoluirmos? Poucas horas antes, numa daquelas tertúlias de restaurante, tinha ouvido uma frase que me irritara: «manda quem pode e obedece quem deve». Resumidamente, entendo que a obediência cega e seguidista é uma exigência dos medíocres e uma resposta dos invertebrados. Em complemento, «mandar» é um predicado dos déspotas. Coisa bem diferente é liderar, motivando e mobilizando pelo exemplo que edifica ao ponto de merecer a lealdade dos que desejam fazer o caminho… caminhando. De resto, este tipo de tiradas só serve para desmontar a lógica dos que toleram, com insolente bonomia, a subtração da sua liberdade de pensamento e de expressão.
E foi a partir daí que, sem esforço, alarguei o âmbito da minha indignação ao momento presente deste país que tão tardiamente (re)descobriu a Europa a que, afinal, nunca deixou de pertencer. Com efeito, Portugal paga ainda o insustentável preço de muitas décadas de uma ditadura castradora e cínica, com sequelas que ameaçam perdurar para além do tempo estimado. Dirão alguns que o povo está abúlico e estranhamente anestesiado. A maioria defenderá que - socorrendo-se até da célebre garantia de Pinheiro de Azevedo - «o povo é sereno». Para mim, o povo é manso. E considero-me um pacifista.
Tal como JDB, o povo português parece, há demasiado tempo, trancado em si mesmo. Desde 2011, vivemos uma espécie de coma profundo, do qual ainda não acordámos. Sentimos que as nossas “forças motoras”, i.e., a nossa intervenção cívica e política pouco ou nada determina neste chorrilho de pseudoinevitabilidades, onde a alternativa, pura e simplesmente, não existe – afiançam alguns. Nesta encruzilhada sem saída aparente, tudo o que temos parece resultar de uma tal “assistência” externa que confia na perpetuação da nossa inercia.
Uma breve análise da história de Portugal exporá uma evidência que não exigirá muito para ser fundamentada: o povo, aquela massa humana anónima mas vital ao devir da coletividade, foi frequentemente negligenciado, apoucado e incontestavelmente maltratado. Nós enformamos aquela gente que não merecia a dolosa pena prescrita por consecutivas castas de decisores com altas funções de Estado. A História regista e exalta, com refinada ironia, um significativo conjunto de repetições que ajudam a definir uma nação.
Atente-se à situação atual. Não é a primeira vez que neste retângulo à beira-mar plantado a impunidade se trivializou, que a corrupção se generalizou, que a injustiça se banalizou e, o mais grave, que se imputou ao povo a exclusiva obrigação de tudo suportar, aliviando e protegendo (sempre) os mais fortes.

Mas, de tanto sofrer, concedo que o povo esteja anestesiado. Por isso, veio-me à memória o caso do jornalista Jean-Dominique Bauby (JDB), de 43 anos e editor da revista Elle. A 8 de Dezembro de 1995, um acidente vascular cerebral (AVC) mergulha o jornalista num coma profundo. Ao acordar, todas as suas funções motoras estão irremediavelmente comprometidas. Sofrendo do que a Medicina denomina síndrome "locked-in", não consegue mexer-se, falar, nem sequer respirar sem assistência. Estava trancado em si mesmo. No seu corpo inerte, apenas o olho esquerdo mexe. E esse olho passa a ser a sua ligação com o mundo, com os outros, com a vida. Pisca-o uma vez para dizer "sim" e duas para dizer "não". Com o olho, indica as letras do alfabeto, formando palavras, frases, páginas inteiras. Com o olho, escreve o livro "O escafandro e a borboleta", cujas frases memorizou todas as manhãs, durante semanas, antes de as ditar. Dez dias após o livro ser publicado, Jean Dominique-Bauby (JDB) morreu. Seguiu-se o filme baseado no livro protagonizado por Mathieu Amalric e realizado por Julian Schnabel, que conquistou o prémio de melhor realizador em Cannes 2007.
Tal como JDB, o povo português parece, há demasiado tempo, trancado em si mesmo. Desde 2011, vivemos uma espécie de coma profundo, do qual ainda não acordámos. Sentimos que as nossas “forças motoras”, i.e., a nossa intervenção cívica e política pouco ou nada determina neste chorrilho de pseudoinevitabilidades, onde a alternativa, pura e simplesmente, não existe – afiançam alguns. Nesta encruzilhada sem saída aparente, tudo o que temos parece resultar de uma tal “assistência” externa que confia na perpetuação da nossa inercia.
Apesar de o escafandro onde nos meteram pesar qual alma aprisionada a um corpo finito, cabe-nos protagonizar o momento da superação onde não alienamos o desígnio de afirmar o direito à dignidade, ao respeito, à justiça e à solidariedade. Por mais escola que faça a máxima «não me demito, não te demito» ou que perigosas avenidas se rasguem para a fluente firmeza dos populistas, é em nós que reside o poder e a força necessários para nos rebelarmos contra esta narrativa austeritária. Pisquemos o olho ao futuro.
José Manuel Alho

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