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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.
Um estudo feito pelo Observatório de Políticas de Educação e Formação concluiu que a grande maioria dos professores do ensino básico ao secundário avalia como negativas ou muito negativas as políticas seguidas nas escolas desde 2011.

As comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas decorreram, este ano, na cidade de Lamego. Em vez de se estreitar, com rigor e aprumo, o leque dos medalhados, parece que o ritual se vulgarizou ao ponto de se assemelhar a uma caduca “valsa das medalhas”, celebrizada pela excelente música de Rui Veloso, com letra de Carlos Tê. Porque acho que país não é nem está assim tão pobre, foi com profundo incómodo que vi Carlos Gil, o “costureiro” de Maria Cavaco Silva, ser agraciado com a comenda de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Só podem ter sido excecionalmente valorosos os «serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores.»
O Infante jaz. A Pátria apodrece.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (PPC), negou recentemente que tenha incentivado os jovens portugueses a procurarem emprego no estrangeiro, classificando de «mito urbano» uma afirmação nesse sentido.
O certo é que, em entrevista ao “Correio da Manhã”, concedida em dezembro de 2011, e quando questionado sobre se aconselharia os «professores excedentários que temos» a «abandonarem a sua zona de conforto» e a «procurarem emprego noutro sítio», Passos Coelho concretizou: «Em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário». «Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”, aclarou.
Como Sá de Miranda, «M'espanto às vezes, outras m'avergonho».
Por este andar, PPC ainda nos vai querer convencer de que, afinal, nunca quis a tal “refundação do Estado”!
Confesso: já não tenho pachorra para as suburbanidades de massamá-city...

No passado dia 6 do corrente mês, teve lugar, no Estádio Nacional, a Final da Taça de Portugal de futebol feminino, que colocou frente a frente Futebol Benfica e Clube Albergaria/Mazel, com honras de transmissão televisiva pel”A BolaTV”. A formação albergariense, que não perdia desde dezembro, confirmou, no relvado, a confiança e "o pensamento na vitória" anunciados pela técnica Paula Pinho. Aliás, a treinadora, que também já por duas ocasiões marcara presença em finais da Taça de Portugal (perdendo ambas para o 1.º Dezembro, em 2008 e 2012), já havia prevenido, no lançamento da partida, que considerava a final «um jogo difícil e aberto», reiterando que não encontrava «pontos fracos» na equipa adversária.
Infelizmente, um golo solitário de Joana Flores, aos 113 minutos, foi suficiente para o Futebol Benfica levar a taça para casa, fazendo assim a dobradinha, visto que este clube já tinha conquistado o campeonato. A formação de Albergaria, usufruindo do apoio de mais de 500 adeptos, que se deslocaram em 10 autocarros e viaturas particulares, honrou e prestigiou a terra que lhe dá o nome. Daí que mereça os mais rasgados elogios pela garra e audácia demonstradas, que enobrecem o clube e todo o staff responsável pela modalidade.
Nos passados dias 5, 6 e 7 de junho, teve lugar, na melhorada na Quinta da Boa Vista/Torreão, com mais espaço para expositores e restauração, a 2ª edição do Festival do Pão. Com impressiva afluência de público, destaque para as mais de 60 variedades de pão de todo o País, incluindo da Madeira e Açores, que foram degustadas a par das sessões de show cooking, teatro, animação musical, exibição de documentários, uma exposição e da presença do camião pedagógico do Museu do Pão.
O evento foi assinalavelmente enriquecido com a parceria estabelecida com a RTP, que, numa emissão em permanência, foi promovendo e divulgando o município e as suas potencialidades. Sei que a colaboração com a RTP terá significado um sério esforço financeiro da edilidade, a envolver valores consideráveis, mas com mais-valias que obterão indiscutível retorno.

A construção de uma nova superfície comercial, integrada na cadeia “Pingo Doce”, situada junto à EN1, num terreno que pertencia a António Loureiro (AL) e a um familiar, originaram compreensível discussão. Diz-se que tudo terá começado com o mal-estar dos nossos comerciantes que, segundo o Jornal de Notícias, de 19 de maio, «recusam a concorrência». Assentemos que o argumento centrado na “recusa da concorrência” não será – a confirmar-se – o mais feliz e assaz mobilizador. Vivemos outros tempos. Felizmente. No entanto, é importante que, a propósito da abertura deste franchising, se escrutine, com malha apertada, todas as questões que contendam com a ação dos eleitos, sejam eles locais ou nacionais.
O Presidente de Câmara não se escondeu. Prestou esclarecimentos junto de quem, às claras, o inquiriu. Enunciou os benefícios para o Concelho deste investimento (criação de dezenas de postos de trabalho + edificação de arruamentos a suportar pelo investidor) que atestam, pelo exemplo, o que fazer quando legítimas dúvidas são levantadas. Julgo saber que AL encarou este dossiê com olímpico espírito democrático, do género ”outro tanto faria eu se estivesse na posição de quem não tem toda a informação”.
Quem, por estes dias, viesse a Portugal para observar ou tratar de assuntos relacionados com a Educação, ficaria com a alarmante impressão que o setor se encontra refém dos humores e caprichos de uma confederação de Pais.
Colhemos agora os frutos de uma injustificada e sobredimensionada abertura da ESCOLA a algumas organizações representativas, que cedo se permitiram – com a anuência de governos que abriram mão de tudo para (somente) desautorizar os professores – dar palpites sobre relevantes matérias educativas. Porque, em determinado momento, defenderam o que convinha, estas pensaram que, daí em diante, mais nada se decidiria sem a sua bênção ou palavra final.
Vem isto a propósito da proposta do Conselho das Escolas recomendando mais uma pausa para “férias de outono”, que suscitou da Confap uma resposta desabrida na forma e tremendamente infeliz no conteúdo. Em alternativa, aquela organização defende uma “mudança radical”: um mês de férias de verão.
Independentemente de se apurar se esta posição do presidente da Confap representará efetiva e fielmente a posição da maioria dos seus associados, articulando esse tema com as lógicas de funcionamento interno e externo no passado recente deste tipo de organizações, cumpre lamentar a falta de resposta dos representantes institucionais dos docentes. E neles se destaca, pela negativa, os sindicatos.
No período de tempo atrás identificado, os Educadores de Infância e os Professores do 1.º Ciclo foram, por exemplo, deixados para trás. Esquecidos. Abandonados. Sacrificados. Sobressaiu o silêncio de quem consentiu alterações do calendário escolar, do horário de trabalho, do regime de aposentação entre outras maldades, a roçar a indignidade, como a subtração do simplório intervalo, ajuda(ra)m a rechear uma extensa e quase indefensável «nota de culpa».
Os sindicatos são essenciais à regulação integrada das relações laborais pelo que a sua função deve ser reconhecida e valorizada. Contudo, ninguém lhes deve garantir imunidade à crítica.
No caso concreto do sindicalismo docente, a avaliação imposta pela ação nos últimos 6/7 anos remete-nos para um cenário pautado pela mediocridade e incompetência.
No período de tempo atrás identificado, os Educadores de Infância e os Professores do 1.º Ciclo foram, por exemplo, deixados para trás. Esquecidos. Abandonados. Sacrificados. Sobressaiu o silêncio de quem consentiu alterações do calendário escolar, do horário de trabalho, do regime de aposentação entre outras maldades, a roçar a indignidade, como a subtração do simplório intervalo, ajuda(ra)m a rechear uma extensa e quase indefensável «nota de culpa».
Impor-se-ia que, na indisponibilidade aparente da Confap para defender os direitos dos filhos à infância, afirmar o primado das questões pedagógicas na definição do calendário escolar. Exigir-se-ia que os sindicatos de professores assumissem a defesa da dignidade da função docente, recusando «bitaites» que visam diminuir a sua respeitabilidade profissional quando se insinua que as escolas devem ser espaços de entretenimento contínuo ou, simplesmente, ocupacional. Acreditar-se-ia que os sindicatos de professores, que também têm família porque são pais, lograssem lembrar que o exercício da parentalidade, para ser sério e credível, não poderá jamais assentar em posições reiteradamente promotoras da desresponsabilização, cuspindo para a ESCOLA todas as responsabilidades e incumbências que são da exclusiva competência da FAMÍLIA.
Voltando ao caso concreto da tonitruante proposta do presidente da Confap, caberia aos sindicatos vir a terreiro desmontar e atacar tão grosso dislate. Mais, caber-lhes-ia denunciar, com veemência e contundência q.b., o vitupério verbalizado por aquele responsável quando afirmou: “Começo a recear que as escolas tenham mais pausas do que aulas.”
Esperar-se-ia que os sindicatos soubessem, através de estudos comparativos que deveriam ser do conhecimento dos principais agentes educativos, lembrar que as crianças e jovens portugueses são, por referência ao panorama europeu, aqueles que mais tempo de aulas têm na escola. Impor-se-ia que, na indisponibilidade aparente da Confap para defender os direitos dos filhos à infância, afirmar o primado das questões pedagógicas na definição do calendário escolar. Exigir-se-ia que os sindicatos de professores assumissem a defesa da dignidade da função docente, recusando «bitaites» que visam diminuir a sua respeitabilidade profissional quando se insinua que as escolas devem ser espaços de entretenimento contínuo ou, simplesmente, ocupacional. Acreditar-se-ia que os sindicatos de professores, que também têm família porque são pais, lograssem lembrar que o exercício da parentalidade, para ser sério e credível, não poderá jamais assentar em posições reiteradamente promotoras da desresponsabilização, cuspindo para a ESCOLA todas as responsabilidades e incumbências que são da exclusiva competência da FAMÍLIA.
... devolver aos profissionais do setor o relevante contributo na definição das grandes opções estratégicas, extirpando do sistema concessões, invariavelmente motivadas por inconfessáveis interesses políticos, que o tempo veio a desnudar como contraproducentes. E do sistema também fazem parte os sindicatos, que importa resgatar do amorfismo a que aparentemente se entregaram.
Mas não foi isso que aconteceu. Nem se vê indícios que venha a acontecer. Também as lógicas de atuação dos sindicatos que temos parecem desfasadas do mundo contemporâneo. Sem a devida oposição, com alternativas válidas que convençam a opinião pública, intervenções como a do presidente da Confap continuarão a fazer o seu caminho. Para prejuízo, principalmente, das crianças e jovens do nosso país.
A sempre conveniente mas gasta «revolução na educação», a que já recorre(u) o rosto da Confap, passará por devolver aos profissionais do setor o relevante contributo na definição das grandes opções estratégicas, extirpando do sistema concessões, invariavelmente motivadas por inconfessáveis interesses políticos, que o tempo veio a desnudar como contraproducentes. E do sistema também fazem parte os sindicatos, que importa resgatar do amorfismo a que aparentemente se entregaram.

Do mesmo modo que muitos tentaram impingir o frango de churrasco como como o “novo leitão dos pobres”, perpassou por aí a lógica de que o trabalho, agora viabilizado por “colaboradores”, deveria comparar-se a uma espécie de oferta ou doação nem sempre passível da justa remuneração. Lógicas que, como se vê, infligem danos geracionais difíceis de reverter até porque as opções pela conjugalidade e pela parentalidade foram tristemente postergadas. Daí que estejamos deprimidos, sorumbáticos, vazios de sonho e de esperança.
Mia couto definiu estes tempos de um jeito assaz eloquente e certeiro com que (hoje) me quedo: «Estamos tão entretidos em sobreviver que nos consumimos no presente imediato. Para uma grande maioria, o porvir tornou-se um luxo. Fazer planos a longo prazo é uma ousadia a que a grande maioria foi perdendo o direito. Fomos exilados não de um lugar. Fomos exilados da atualidade. E, por inerência, fomos expulsos do futuro.»