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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.
«Este anoitecer vai ser divino, como deves calcular. Foi sempre a minha hora de tragédia, a hora dos meus nervos dolorosos, dos meus pensamentos doidos; foi sempre, a noitinha, o meu grande calvário onde sobem devagarinho, em passos lentos, todas as minhas dores de muitos anos, todas as mágoas que me têm dado, e é nesta hora que eu rezo o meu verso, não sei de que soneto: "Ergue-se a minha cruz dos desalentos".» Florbela Espanca

Os gregos rejeitaram, no referendo do passado dia 5, as propostas apresentadas pelos credores com uma vitória do "não" (61,3% dos votos). Apesar do calvário em que se tornou o quotidiano helénico, mormente com o controlo de capitais, com severas implicações sociais, os gregos fizeram jus ao lastro histórico de combate político e de luta contra a humilhação, consecutivamente perpetrada por turcos, ingleses e, acima de tudo, pela Alemanha nazi.
Qualquer que seja o desfecho que o assunto terá (n.d.r. ignoro, à data em que escrevo este artigo, os desenvolvimentos mais recentes), cumpre saudar o mérito deste referendo. A despeito do posicionamento de quem, à esquerda ou à direita, formou opinião sobre a matéria, saibamos reconhecer que esta opção levou muitos europeus a pensarem, a refletirem e a debaterem a organização e o futuro da União Europeia. E esse é um imperativo civilizacional que não podemos (jamais) descurar.
Em todo o caso, o destemor do povo grego remeteu-me para os versos sublimes de Manuel Alegre (in “Praça da Canção”): «...há sempre uma candeia / dentro da própria desgraça / há sempre alguém que semeia / canções no vento que passa. / Mesmo na noite mais triste / em tempo de servidão / há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não.»

Cumpriu-se a liturgia do costume. O governo sucumbiu à tentação de fazer a narrativa de quem encontrou a chave do éden e a oposição, com pequenas variações, protagonizou o frete a que nos habituou. Como diria Fialho de Almeida, foi «tudo a meio pau e a meia lágrima (...)».
Mais um debate parlamentar que, por exemplo, não contribuiu para atacar ou denunciar a promiscuidade entre o poder político e o poder financeiro. Veem-se rostos antigos a perseverar em contumazes transumâncias, bem ao jeito de quem subiu na vida a jogar nem dois tabuleiros ao mesmo tempo, com a medonha desfaçatez de quem se julga impune.
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De resto, os expedientes da prática política entretanto cristalizada: martelar os números para que reflitam aparências efémeras, polvilhadas com rotineiro chico-espertismo e tarimbada esperteza saloia na tola esperança que, se fossem exportados, até equilibrariam a nossa balança comercial.
Socorro-me de Miguel Torga (in Diário, vol. XVI) para registar que «Continua o tráfego de consciências na feira política nacional. Compram-se e vendem-se convicções por todos os preços. Os jornais denunciam, o povo comenta, mas no dia seguinte chega a notícia de nova transação. Depois de quase meio século de ditadura, o país, mal refeito do pesadelo passado, agoniza sob nova opressão, ainda mais tenebrosa. A arbitrariedade e a perversão policial de outrora deram lugar ao terrorismo de Estado. Agora, são os legitimados detentores do poder que oprimem e perseguem. A peitar sem rebuço os cidadãos venais, ou a talar discricionariamente o território dos legítimos interesses dos outros, é que condicionam os limites da nossa liberdade.»
Estima-se que, durante os quatro dias da edição 2015 do Albergaria conVIDA, a Quinta da Boa Vista/Torreão terá acolhido mais de 25 mil pessoas. Consequência dos trabalhos que ampliaram e melhoraram as infraestruturas daquela emblemática sala de visitas, o evento terá igualmente beneficiado com a disponibilização de outras ofertas complementares, que lograram atrair um leque mais diversificado de visitantes. Para o atestar, destaco o espaço infantil com a hora do conto e pinturas faciais, a animação musical nas tasquinhas, as visitas ao Castelo e Palacete da Boa Vista, bem como o espetáculo de dança “Tuki – All About Dance” na Praça. Some-se a estes focos de interesse a encenação “Retratos com D. Teresa”, que possibilitou aos visitantes um instantâneo com a fundadora de Albergaria-a-Velha.
No entanto, um reparo. Para entrar e sair daquele espaço, não basta um só acesso, por sinal, bem exíguo. Principalmente no final dos concertos, onde se amontoam centenas de pessoas, entendo que a criação de mais uma saída só trará vantagens que importará levar em conta para futuras organizações.

