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O Brexit e os ratos que fogem.

por José Manuel Alho, em 18.07.16

Importa lembrar que o Brexit aconteceu. O projeto europeu experimenta um definhamento tão estúpido quanto previsível. Finaram-se os pilares da solidariedade e da integração europeias de uma União que, em 2012, chegou a ser laureada com o Nobel da Paz, entregue pelo Comité Nobel norueguês por – atente-se - «ter contribuído ao longo de mais de seis décadas para o avanço da paz e da reconciliação, democracia e direitos humanos na Europa». Quo vadis velho continente?...

 

A coroar de fina ironia tão rocambolesco dossiê, os líderes da campanha que, recorrendo a mentiras e manipulações várias, se bateram pela saída do Reino Unido da UE, viraram costas à confusão por eles fomentada para que alguém venha agora apagar a luz e fechar a porta. Boris Johnson e Nigel Farage escolheram, com olímpico descaramento, sair de cena para compreensível ira de opositores e até de seguidores. Soma-se a estes abandonos a demissão de David Cameron razão pela qual se entende que o jornal The Independent os tenha definido como «rats fleeing a sinking ship» (ratos que fogem de um navio a afundar-se) …

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De 30 de junho a 3 de julho, a versão 2016 Albergaria conVIDA voltou a chamar milhares de pessoas à Quinta da Boa Vista /Torreão. Com um cartaz apelativo, verificaram-se ainda assim oscilações na afluência de público que, à falta de um controle efetivo de entradas, deixa ao critério do olhómetro interpretações sempre enviesadas. Não vou dar para esse peditório.

 

A edilidade, como se previa, apostou forte e não negligenciou o reforço das condições de higiene, de segurança e de algumas acessibilidades. No entanto, o espaço teima em não oferecer as condições de conforto que se exigiriam ao fim de vários anos com a responsabilidade de erguer tão impressivo evento. De igual modo, mantêm-se os reparos às infraestruturas existentes por não se conformarem com as necessidades das pessoas com mobilidade condicionada.

 

Em complemento, cumpriria avaliar a possibilidade de estender a iniciativa por um período que robustecesse o seu alcance junto da população e dos agentes económicos. Aqui ao lado, temos o termo de comparação oferecido pelo AgitÁgueda onde poderemos beber alguma da inspiração que anima e impulsiona estes festivais de Verão.

 

Curioso foi o corrupio de putativos candidatos às próximas eleições autárquicas que percorreram, em peregrinação, as tasquinhas com sitiante persistência. Sintomático.

 

A Câmara Municipal adjudicou, entretanto, a obra de Requalificação do Mercado Municipal, num empreendimento orçado em 1 414 313,14 euros. Depois de visado pelo Tribunal de Contas, a obra terá um prazo de 365 dias para ser executada. Trata-se de um investimento estruturante, ansiado há muito pela comunidade, que bem poderá ser o cartão de apresentação do atual executivo camarário pois a sua conclusão até “coincidirá” com o próximo sufrágio eleitoral. Acasos da vida.

 

Coincidência ou não, é o aumento de 15%, anunciado pela autarquia, dos subsídios a atribuir às 14 associações desportivas com atividade regular federada e não federada. Neste particular, óbvio destaque para os 49 900 euros a conceder ao Sport Clube Alba.

 

Aproveitando as esperanças deste Verão tardio, aguarda-se, com crescente expectativa, pela verba que a edilidade não deixará de atribuir paraviabilizar, finalmente, a premente modernização informática das escolas do 1.º Ciclo, mormente da Escola Básica da sede do concelho.

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A praça adormecida numa cidade dormitório?

por José Manuel Alho, em 06.07.16

 Ao longo do século XX, a evolução das cidades esteve frequentemente relacionada com novas formas de mobilidade - os elétricos, o elevador, o automóvel entre outros. Registou-se também um processo de concentração populacional, que contribuiu para a generalização de um padrão de ocupação horizontal, com ostensiva ausência de planeamento dos sistemas de transporte e circulação.

 

Neste início do século XXI, o até então venerado transporte individual passou a ser o grande culpado do congestionamento das cidades, do aumento das emissões de CO2 e do stress nos condutores e, no limite, em muitos casos, deixou até de ser o símbolo do aumento da qualidade de vida.  E é neste quadro que as cidades tentam hoje acomodar uma série de novas exigências, nomeadamente o retorno aos centros urbanos e requalificação dos mesmos, a ligação entre o centro da cidade e as zonas periféricas, a necessidade de garantir aos cidadãos fluidez de movimentos, com segurança e maior conforto nas deslocações.

 

No caso do concelho Albergaria, entendo que estamos confrontados com a necessidade de garantir redes de comunicação simples mas bem articuladas, porventura com Interfaces de pequena/média dimensão que aproximem as freguesias periféricas das novas centralidades que o concelho já detém.

 

Quando aludi ao regresso aos centros urbanos e à sua requalificação, cumpre aqui observar criticamente a obra de Regeneração Urbana da Alameda 5 de Outubro, inicialmente estimada em 1 785 839,54 euros, que, na minha modesta opinião, nos obriga a concluir que ficámos a meio de qualquer coisa.

 

E isto porque estivemos confrontados com um momento de opção, de escolha que marcaria (e marcará!) gerações. Por isso e em razão dos constrangimentos na altura existentes, muito por força da intervenção externa, era crucial edificar um equipamento que exponenciasse as possibilidades de uso e de apropriação numa perspetiva duradouramente inclusiva.

 

Parece indesmentível que a apreciação final coloca a nu disfunções e erros vários, que merecem vigorosa crítica pública. De igual modo, cumpre lamentar que a intervenção realizada nesta zona simbolicamente nevrálgica tenha excluído a área envolvente à estação ferroviária, propriedade da CP – Comboios de Portugal.

 

Parece adquirido que o projeto foi executado nas acessibilidades e infraestruturas. Em abono da verdade, a intervenção na Praça Alameda 5 de Outubro, bem como na rua Almirante Reis, Avenida Bernardino Máximo Albuquerque e Praça Ferreira Tavares, ainda não contemplou a edificação dos equipamentos previstos inicialmente para o interior da praça, nomeadamente o edifício destinado ao café, o palco, os pavimentos e até algum mobiliário urbano.

 

Numa análise mais fina, cumpre ainda assim destacar alguns méritos que resultam da intervenção levada a efeito: a Alameda 5 de Outubro sofreu uma óbvia beneficiação desde a frontaria do CineTeatro ALBA até ao edifício Paços do Concelho; o perfil transversal da avenida, faixa de rodagem é de 7,00m menor dimensão que a anterior, ajudou à redução de velocidade. E com a redução da velocidade da circulação automóvel, garantiu-se a redução das emissões de CO2.  As zonas de circulação pedonal e estacionamento automóvel aumentaram. Extirparam-se as grandes barreiras arquitetónicas e melhorou-se a maioria das acessibilidades, mormente para os nossos concidadãos com mobilidade condicionada. Corrigiram-se também os constrangimentos existentes nas infraestruturas de águas pluviais, abastecimento de água e saneamento. O consumo energético da atual solução, com luminárias em LED, é de aproximadamente um terço do anterior com luminárias de vapor de sódio. Os candeeiros com luminárias LED possuem reguladores de fluxo, estando prevista a redução de 50% da intensidade luminosa no período que se considera sem movimento, entre as 2 e as 6 horas.

 

Mas há reparos que importa imputar: a obra não conseguiu, por não ter sido feita na sua totalidade, converter-se numa efetiva mais-valia que potenciasse a atratividade e reforçasse a competitividade. O facto de a intervenção nos arruamentos, que até permitiu ganhar mais 15 % de lugares para estacionamento, a par da criação de parques para estacionamento de velocípedes, não foi na quantidade requerida pelas necessidades, nem consoante as dimensões e o conforto desejáveis aos normais movimentos de acesso e saída das viaturas (ex.: a amplitude de abertura de portas concedida é extraordinariamente reduzida). O recurso ao confinamento dos passeios, com a verticalização de barreiras metálicas, não se afigura duradouro nem esteticamente feliz. Por fim, o mais grave: na criação, à falta de condições para fazer mais e para fazer melhor, de numerosas superfícies verdes na emblemática Praça como solução de último recurso, que praticamente mais não serve do que tapar insanáveis descontinuidades que o resultado final da obra denuncia. Ao cidadão minimamente esclarecido e informado, o que ali está mais não faz do que refletir – e perpetuar - as diferenças, também elas incuráveis, entre as prioridades de quem adjudicou inicialmente a empreitada e as opções defendidas por quem mais tarde herdou a obra.

Infelizmente e ao contrário do que sempre tive por avisado e consequente, a Praça Alameda 5 de Outubro aparenta ser um equipamento inerte, um ponto de passagem a caminho de qualquer coisa que não gera qualquer vínculo com os cidadãos.

 

E não menorizemos este dossiê até porque a questão das praças – mormente as centrais – nas nossas cidades ganhou renovada acuidade na medida em que passou a denunciar o modo como o poder local pondera e define as suas funções. Afinal, como é que as nossas Câmaras Municipais – ainda que espartilhadas pelos constrangimentos financeiros do passado recente - encaram e concretizam a sua intervenção em matéria tão determinante quanto esta?

 

No caso albergariense, a resposta cinge-se a uma obra inacabada, com descontinuidades várias e um futuro carregado de indefinições que são credoras da maior preocupação.

 

Um dia, em entrevista ao jornal PÚBLICO, Manoel de Oliveira alertou: «As cidades confundem-se todas: a gente chega a uma cidade e já não sabe onde está. É tudo igual em toda a parte.»

 

Gostaria de concluir afirmando o meu lirismo traduzido na esperança de que esta cidade, com as suas polaridades que até resultam de hábitos pitorescos dos tempos antigos, venha a impor-se pela diferença e pela capacidade de inovação ao ponto de empolgar agentes económicos, culturais e artísticos. Em resumo, Albergaria tem de saber reinventar-se para não sucumbir ao triste fado de vergar-se ao estatuto de uma cidade dormitório.

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Quando se peca por excesso de generosidade..

por José Manuel Alho, em 03.07.16

Ontem, encerrámos um ciclo de quatro anos iniciado em 2012. Uma caminhada repleta de desafios, dificuldades e alegrias que a todos (nos) enchem de orgulho. No Parque de Lazer de Valmaior, os Pais e os Encarregados de Educação, acompanhados dos meus petizes, fizeram das suas num dia que jamais esquecerei. Muito bonito. A todos, estou grato.Pela compreensão, pela solidariedade e pelo apoio. Foi uma parceria de sucesso. E importa ser e estar grato porque, como bem assinalou Antístenes,«A gratidão é a memória do coração.» E o meu guarda um oceano de gente boa.

Quanto ao resto, pecaram manifestamente por excesso de generosidade. Um abraço!

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