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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.

Por José Manuel Alho
As praxes. O ministro da Ciência e Ensino Superior pretende que as instituições de ensino superior deixem de legitimar as comissões de praxe e, em alternativa, recomenda programas de receção aos novos alunos centrados na cultura e na ciência. Dos reitores, a primeira reação foi estranhamente frouxa, sem grande entusiasmo, repetindo à exaustão que, no essencial, o importante é combater os abusos. Infelizmente, a praxe, tal qual a conhecemos, configura um abuso por se ter vindo a assemelhar a um repositório de práticas e lógicas medievais, que exaltam a imbecilidade e a obediência canina. E a Universidade não pode, em circunstância alguma, consentir tão degradante conotação a menos que esteja também ela subjugada pelos ditames das comissões de praxe…
Como sempre acontece quando o Verão se aproxima do fim, a realidade devolve-nos, neste mês de setembro, ao mundo que enfrentamos – ou suportamos? – no resto do ano. O país e o mundo impõem a sua lei que reduz a mínimos simbólicos a ilusão, a esperança e, acima de tudo, o sonho. Sinto-me assim. Por isso, escolhi socorrer-me de Baptista-Bastos quando vincou: «Pessoalmente, sei muito bem do que falo. Quando a nefasta melancolia me invade vou-me aos livros escritos por aqueles que nunca desistiram. Recordo, com frequência, aqueles, todos aqueles que me ensinaram a pensar no sonho. “Pelo sonho é que vamos”, escreveu António Ramos Rosa. Pelo sonho, pelo sonho. E o país com que sonhamos está em nós. Podem fazer-nos as maiores indignidades. Pelo sonho é que vamos.»
O sonho e a ilusão que, por exemplo, neste início de ano letivo, deveriam inspirar o regresso às aulas de alunos e professores. Apesar da aparente tranquilidade, subsistem sérios e múltiplos problemas que, a qualquer momento, ameaçam estilhaçar tão instável filigrana. Confirma-se a saga das reformas e das contrarreformas, a celebrar o experimentalismo que tem esgaçado o nosso sistema educativo. Um caos. Daí que falte rotina e previsibilidade a um setor violentamente massacrado por interesses e tendências usualmente cavernosos. Persistem iniquidades e preconceitos vários a dinamitar um terreno que já conheceu melhor céu. Nesse particular, o 1.º Ciclo rompe(u) com todos os limites do defensável!
De forma acéfala, impunemente desprovida de ponderação e razoabilidade, criam-se hordas de militantes reconvertidos que, à bruta força, querem impor a nova caterva de nomenclaturas, procedimentos e soluções. Uns aceitam integrar “a mudança” – e quantas crueldades já se fizeram camufladas de mudanças! – por receio de a sua relutância poder vir a indispor a corrente momentaneamente em voga. Outros, que ainda não se demitiram de refletir sobre a real utilidade e impacto das novidades, são logo rotulados de «forças que resistem e rejeitam a mudança», primeiro passo para a exclusão sumária.
Por ser tão visceralmente português, a implementação das reformas e contrarreformas angaria, com patológica facilidade, adeptos que a elas aderem com a mesma atitude medieval que anima muitas das praxes nas nossas universidades. De forma acéfala, impunemente desprovida de ponderação e razoabilidade, criam-se hordas de militantes reconvertidos que, à bruta força, querem impor a nova caterva de nomenclaturas, procedimentos e soluções. Uns aceitam integrar “a mudança” – e quantas crueldades já se fizeram camufladas de mudanças! – por receio de a sua relutância poder vir a indispor a corrente momentaneamente em voga. Outros, que ainda não se demitiram de refletir sobre a real utilidade e impacto das novidades, são logo rotulados de «forças que resistem e rejeitam a mudança», primeiro passo para a exclusão sumária. E assim se contam espingardas e se separam as águas, sem cuidar do destino a que cada caminho nos leva(rá).
Daí que há muito defenda que se restitua às escolas a democraticidade perdida. Urge resgatar a Escola do colete de forças em que foi metida, devolvendo a colegialidade que melhores mecanismos de escrutínio garantirá. De igual modo, a tutela deveria ser a primeira interessada em desencadear, de uma vez por todas, o mais vigoroso ataque à burocracia estéril e conceptualmente atávica que suga o melhor do ensino – a atividade, em sala e aula, com os alunos – penalizando fortemente quem desvia os docentes da sua missão, mergulhando-os em poços onde são encharcados em tutoriais visando a mais viscosa palermice.
Mas isto está estudado desde tempos imemoriais. Afundar os professores em pântanos da mais profunda sandice burrocrática para que não possam erguer a cabeça e ver o horizonte de tudo que existe e acontece em seu redor é uma habilidade que, com prejuízo das relações humanas, se tem distinguido por desprezar a mobilização em favor da imposição. Afinal, a quem interessará inundar os docentes em papeladas mil para que não possam levantar a cabeça?
Mesmo no atual contexto de claustrofobia democrática na maioria dos agrupamentos escolares, cumpre às autarquias e às associações de pais, com assento nos Conselhos Gerais, identificar e reprimir exemplarmente abordagens tão perversamente desvirtuadas da função docente. Assim saibam (e queiram) estar à altura das suas responsabilidades.
José Manuel Alho
Por ser matéria recorrentemente abordada neste espaço, onde já veiculei todo o tipo de reparos, alertas e sugestões, cumpre reconhecer que o setor municipal da Educação conheceu, nestes três anos, uma quebra de dinâmicas até então muito positivas e que haviam guindado o concelho ao patamar das melhores práticas e exemplos a seguir por qualquer edilidade.

Foto retirada daqui
Mas neste caso concreto, AL põe o dedo na ferida quando se refere a uma «herança», que resulta de uma má opção inicial. A raiz do problema que o tempo veio agora desnudar – e, avisa-se, continuará a acentuar! - é consequência da decisão de construir uma nova escola para agregar o 1º Ciclo e o 2.º Ciclos. Erro crasso. Enquanto em Angeja ou em Alquerubim se edificaram centros escolares modernos para, à luz das melhores recomendações pedagógicas, congregar SOMENTE o Pré-escolar e o 1.º Ciclo, a sede do concelho acomodou uma escolha que sempre se afigurou inusitada e merecedora de crítica veemente. Infelizmente, a freguesia de Albergaria e de Valmaior continua(rá) sem um Centro Educativo para o Pré-escolar e o 1.º Ciclo. E essa é uma lacuna que ninguém aparenta querer enfrentar com o propósito de a suprir.
Na verdade, teria sido mais avisado transferir, no âmbito de uma profunda requalificação das instalações, o 2.º Ciclo para a Escola Secundária onde o ensino também assenta na pluridocência (regime de ensino em que os diferentes professores asseguram os vários domínios das áreas curriculares) ao invés do Pré-escolar e do 1.º Ciclo onde predomina a monodocência (regime de ensino em que UM professor assegura todos os domínios das diferentes áreas curriculares). Obviamente que, com esta opção estratégica, a novel Escola Básica passaria a ter características arquitetónicas e funcionais bem diferentes das atuais porque se trataria se um Centro Escolar para o Pré-escolar e o 1.º Ciclo.
Fiquei seriamente preocupado com a solução gizada por AL que, «tendo em consideração a falta de salas de aula que existem no 1º Ciclo do Ensino Básico, em Albergaria-a-Velha», propõe «a requalificação da Escola da Avenida». Não me parece que seja uma solução globalizante, equilibrada e duradoura. Atualmente, os alunos do 1.º Ciclo, mesmo descontada toda a sorte de constrangimentos vigentes, usufruem de um conjunto de instalações, mormente as desportivas, que não implicam, por exemplo, a saída daquele espaço.
Bem sei que, para estes processos decisórios, se constituem grupos de trabalho apinhados de especialistas renomados e de outros peritos habitualmente (muito) bem pagos, mas talvez não fosse de todo insensato ponderar a construção de mais um pavilhão na área ainda disponível naquela escola básica e que, segundo informação que me fizeram chegar, até constaria do projeto inicial.
José Manuel Alho

No passado mês de agosto, António Loureiro (AL), o presidente da Câmara Municipal, aproveitou para divulgar planos, anunciar promessas e fazer um primeiro balanço deste mandato. Recordou o aumento da área disponível na zona industrial, a requalificação urbana que diz estar em curso e o incremento da Ação Social que estará a ser responsável pelo aumento da despesa. Pelo meio, revelou que, afinal, os seus desígnios se confinam «a um projeto a oito anos». Se bem que este dado possa pôr termo a algumas especulações a respeito de eventuais divisões internas que indiciariam ruturas de vária índole, não deixar de ser esclarecedor que AL, ao predeterminar a sua validade nas atuais funções, deixe cair a impressão que a política não seja o mais confortável dos (seus) mundos.
Fazendo alarde do facto de «o Município de Albergaria, de acordo com o Anuário dos Municípios Portugueses do ano passado, ter sido o 9.º Município com maior redução de impostos», AL não consegue ainda assim desfazer o sentimento de alguma desilusão que vai ganhando terreno entre a população. A edilidade continua a ter um quadro de colaboradores que se afigura desproporcionado e pouco vocacionado para resolver, com rapidez e eficiência, os problemas dos munícipes. Alguns serviços parecem inclusivamente distanciados dos anseios mais básicos dos utentes a que se destinam.
Talvez por defeito profissional, considero que uma das mais importantes novidades deixadas por AL foi a assunção da «situação de insuficiência de instalações no 1º Ciclo do Ensino Básico» na sede do concelho, visto que foram encerradas várias escolas para a construção da Escola Básica do 1º e 2º Ciclos.» Referindo-se à Escola Básica de Albergaria, o presidente da autarquia fez (e muito bem!) notar que «Uma escola que foi construída para acolher oito turmas do Básico, tem neste momento catorze. Isto provoca uma sobrecarga no edifício e uma desproporcionalidade face à população escolar acolhida.» Uma pena ter demorado três anos a chegar a esta conclusão.