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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano XIII.

Marcelo, o eucalipto. Dando de barato que, na comparação com o seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa sai claramente a ganhar, não escondo o incómodo com que, desde há algum tempo, passei a olhar a exposição a que, por opção ou defeito, se sujeita. Não aprecio a leveza com que se presta a certos números nem a inquietude que imprime a momentos naturalmente solenes. Além do mais, parece não conseguir resistir à tentação de emitir opinião sobre qualquer assunto ou incidência que nem o largo filtro da opinião pública valoriza. De resto, lamento constatar que tão intrusivo desempenho, sempre na lógica de um comentador que (não por caso) é Presidente, tem entorpecido a arena política, globalmente anestesiada pela atual solução de governo, ao ponto de este PR estar para a oposição como a monocultura do eucalipto para a floresta. Um arranjo momentâneo que apenas subsistirá até que uma das partes se liberte do apertado escopo da reeleição.
Já se conhece o Relatório de Gestão e Demonstrações Financeiras Consolidadas da nossa edilidade relativas ao ano de 2018. Ressaltam, pela sua dimensão e significado, duas evidências que importa observar criticamente:
A dívida total do Município, no período em apreço, 2016 a 2018, aumentou em 20% o seu valor (986.286,64 €).
O Índice de Liquidez Imediata, no período de 2016 a 2018, diminuiu de 215,2 % para 135,4 %, ou seja, uma redução de 79,8 %! Consequentemente, verifica-se a redução de disponibilidades financeiras municipais para satisfazer as dívidas a curto prazo.
As contas poderão assim antecipar a grande dificuldade que o Município terá de satisfazer as suas dívidas a curto prazo e, consideradas as dificuldades já latentes, ainda teremos de incluir a dívida autorizada, nomeadamente a que transita de 2018, no valor aproximado de 221.319,99€ (1.459.586,00 € - 1.238.266,01 € = 221.319,99 €). Cumulativamente, teremos que juntar a autorização no valor aproximado de 1.400.000,00 €, concedida em reunião de Câmara já ocorrida neste ano de 2019, ou seja, um aumento suplementar de dívida de, pelo menos, 1.621.319,99 €.
Face a estes novos dados - e num cenário previsível de subida futura da taxa de juros - a capacidade do Município de satisfazer as suas dívidas e compromissos reduzir-se-á substancialmente.
José Manuel Alho

Eleições Europeias – o desinteresse. Em bom rigor, votaram mais pessoas por comparação ao sufrágio de 2014. No entanto, em 2019, com o recenseamento automático, aumentou o total de emigrantes eleitores de 245 mil para 1,432 milhões, evidência que potenciou as cifras registadas no passado dia 26 de maio. Ainda assim, cumpre reconhecer que o desinteresse da esmagadora maioria dos portugueses resultará da forma como o chamado “projeto europeu” se revelou em tempos de crise. A União Europeia (UE) pareceu sempre dividida, acantonada em blocos que contribuíram para a cristalização de velhas assimetrias, acentuando fossos que (hoje) viraram terreno fértil para os populistas.
Nesta UE - que castigou, perseguiu e puniu – assomou-se a ausência daquela solidariedade que, em tempos, agregou e animou milhões em busca de um cometimento que significasse paz, prosperidade e mais democracia. Impreparado, o velho continente voltou a desiludir as pessoas, mormente as classes médias, indignadas com as consecutivas doses de austeridade infligidas para resgatar, essencialmente, uma banca negligente e sôfrega. Em muitas ocasiões, faltou dó e piedade. Nestas circunstâncias, só restou às pessoas afastarem-se.
Campanha tradicional. As campanhas eleitorais têm de ser repensadas. A fórmula está esgotada. As arruadas intrusivas, os jantares arregimentados ou os comícios encenados deixaram de acrescentar, de mobilizar ou até de convencer. Avizinham-se tempos desafiantes, que exigirão criatividade e coragem. Porque esta campanha, na forma e no conteúdo, teve momentos que roçaram a indigência, urge optar pela proximidade que cativa, pela informalidade que desmistifica e pela tolerância que faz pedagogia.
Os resultados por cá. Em Albergaria, a abstenção manteve-se alta. Contudo, registou uma ligeira diminuição se comparada com a alcançada em 2014 (de 69,38% para 68,55%). O PSD venceu com 27,85% dos votos, contra os 26,53% do PS. Surpreendentemente, o CDS, com 15,21%, passou para terceira força politica, representando menos do dobro do que o Bloco de Esquerda, que atingiu 8,03%.
Nas freguesias, o PSD ganhou em Albergaria e Valmaior, Branca, São João de Loure e Frossos. Em Angeja e Alquerubim o vencedor foi o PS. Na Ribeira de Fraguas, empate entre o PSD e o PS, com o CDS a ficar em 3º lugar. Na freguesia da Branca, o PSD ganhou em todas as mesas, atingindo quase o dobro dos votos do CDS. O PS ficou em 2º lugar. O CDS não ganhou em nenhuma mesa do Concelho.
O triunfo de quem não teve medo de sair à rua, de dar a cara para informar e esclarecer as pessoas.
NOTA FINAL – João Castro. Demasiado injusto. Estupidamente cedo. Conhecemo-nos por ocasião das eleições autárquicas de 2017. Era o nosso candidato por Ribeira de Fráguas. De trato fácil, com um sorriso tranquilo, partilhámos as incidências de um processo que logrou juntar gente boa e disponível para servir a comunidade. Gente boa e solidária como o João. Fica a saudade e o vazio.
José Manuel Alho