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Albergaria. Parque, Saúde & Contas

por José Manuel Alho, em 09.05.19

Opinião.jpe

Um parque verde para a cidade. Na última sessão da Assembleia Municipal (AM), foi proposta a recomendação à Câmara Municipal que RECUPERASSE e EXECUTASSE o projeto existente para o Parque Verde da Cidade, no âmbito da criação de uma Unidade de Execução que compreendesse a Zona Desportiva, definida pela área entre o Pavilhão Gimnodesportivo, Piscina Municipal, Escola Básica de Albergaria e ETAR, formalizada num Plano de Pormenor que assegurasse uma mancha urbana coerente e que favorecesse a articulação com o seu núcleo central, através do tratamento qualificado dos espaços públicos, da instalação de equipamentos urbanos e demais infraestruturas de apoio.

 

Infelizmente, devido ao chumbo da maioria que sustenta o atual executivo camarário, não foi possível viabilizar a proposta de um parque verde urbano para a nossa cidade, uma benfeitoria que teria a capacidade de dinamizar toda a urbe, uma genuína mais-valia centrada nas pessoas. Aliás, a nossa disponibilidade para inclusivamente alterar a redação da proposta bem como discutir outras localizações possíveis para o parque esbarrou na inflexibilidade de quem aparenta estar na Política para destruir em vez de construir.

 

A Saúde no Concelho. Na sessão da AM do passado dia 26, a população de Valmaior deslocou-se em peso ao edifício Paços do Concelho para dar conta da sua insatisfação com o definhamento da sua unidade de saúde. Em 28 de setembro, na sessão da AM, com a pouca informação de que dispunha, alertei para este cenário (mais do que) provável. Porque não estive à espera da sessão evocativa dos 45 anos do 25 de Abril para falar da Saúde em Albergaria, recordo o que escrevi, neste jornal, sobre o que se passara naquela reunião: «o Presidente de Camara voltou, quando confrontado com perguntas concretas, a refugiar-se em respostas ambíguas. Hesitou, atrapalhou-se e preferiu nada esclarecer. Ficou claro que não tem um pensamento estratégico para a Saúde no Concelho».

 

Concretizou-se o pior cenário. Se um Presidente de Câmara não serve para, com o seu magistério de influência, defender os interesses vitais da sua população junto do poder central, servirá ao certo para quê? De novo, e à semelhança do que acontece(u) na questão envolvendo a recolha do lixo, o Município não lidera e nem sequer aparenta estar na disposição de conceber um Plano Municipal de Saúde, opção que estaria alinhada com as melhores práticas de outros concelhos onde existe liderança.

 

É já conhecido o documento, do nosso Município, referente à Prestação de Contas 2018.

 

Por se revelar manifestamente redundante adjetivar os números, de tão claros e inequívocos, opto somente por deixar um punhado de evidências que deixo à consideração do prezado leitor:

Da análise do documento, destaca-se:

 

  • A receita do ano de 2018 é inferior, em cerca de 120 mil euros, à despesa efetuada no ano 2018;
  • O peso da despesa corrente relativamente à receita corrente continua a aumentar (era cerca de 72% em 2013 e em 2018 está cerca de 85,6%, o que reduz cada vez mais a capacidade de gestão da Câmara e, atente-se, ainda não se fez sentir a Transferência de Competências para o Município);
  • A despesa corrente do ano de 2018 aumentou em cerca de 14,6% comparativamente com o ano de 2014;
  • A despesa corrente do ano de 2018 aumentou em 4,47% (471.817,00 €) relativamente ao ano de 2017;
  • Os impostos diretos atingem o seu máximo no ano de 2019 (mesmo superior ao ano de 2013) e  o mesmo acontece com o IMI;
  • Os impostos diretos aumentaram cerca de 16% e o IMI aumentou cerca de 9,5% por comparação ao ano de 2014.

José Manuel Alho

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